1 Abr 2012, 14:31

Texto de João Carlos Emílio

Comes & Bebes

Whiskies: Single Malt complexos e com uma individualidade surpreendente

,

João Carlos Emílio provou, no Porto Palácio, os whiskies Black Bull 12 anos, Redbreast 12 anos, Bowmore 22 anos e Old Malt Cask e confessa a sua preferência: os Single Malt.

Black Bull

Black Bull. Fotos: DR

À medida que o elevador se aproximava do 18º andar do Porto Palácio Congress Hotel & SPA, eu seguia expectante, a minha tensão aumentava e a pulsação parecia disparar. Uns minutos atrasado, subi a galope um lanço de escadas e, num piscar de olhos, estava no VIP Lounge.

Com um fim de tarde absolutamente magnífico e, no ar, a promessa de uma prova de whiskies bem sucedida, entrei no bar panorâmico, um pouco ofegante, e, de olho aliviado, verifiquei que prova ainda não tinha começado.

Com o Porto no horizonte, o primeiro whisky da prova promovida há dias pela Green Seed Portugal  foi o Black Bull 12 anos (35 euros), um Blended da Escócia (50% v/v – 50% do lote e wisky de malte) que estagiou em carvalho. Foi considerado um dos melhores wiskies no seu escalão e apresenta uma boa relação qualidade-preço. Tem cor âmbar, um aroma surpreendentemente suave, doce e quente, lembrando uma molasse, e frutado, trazendo a memória 2 frutos de árvore: pêra e pêssego. Na boca, é redondo e macio, com notas de baunilha, e tem um fim cremoso, com fruta fresca, mas demasiado curto.

Redbreast 12 AnosO segundo whisky da série foi o Redbreast 12 anos (38,5 euros), um Blended com 57 % de whisky irlandês, 100% cevada e 50% de cevada maltada. Feito na destilaria Jameson, tem um aroma pungente e, ainda que lhe tenham adicionado água, tem um calor alcoólico acentuado, doce com fruta madura, amora. Na boca, tem bastante presentes notas de baunilha e é encorpado e frutado, puxando à memória o sabor do alperce, mas lembrando no final a um fruto seco, figo. O final de boca é longo, com uma textura untuosa, resinoso, contudo pouco equilibrado. Penso que os anos o farão evoluir no sentido de um equilíbrio e lhe serão favoráveis.

Provei o terceiro whisky com a noite já instalada e a magnífica vista do Porto cintilando. E o Bowmore 22 AnosLiquid Library 22 anos da Bowmore (97 euros) esteve à altura. Com 50 % v/v, single malt, da ilha de Islay, o seu malte é seco, com ajuda da turfa. Tem um aroma claramente marcado pela influência marítima, muito fumado, com traços muito distintos de sal e iodo, com um carácter muito químico, querosene, com especiarias – a mim, pareceu-me claro o açafrão. Na boca, é bastante terroso e fumado, notando-se claramente a influência do carvalho americano onde estagiou, o iodo muito presente, textura muito boa, sedosa e bastante untuosa. O final de boca é bastante persistente, com alguma frescura, mas com as notas fumadas da madeira queimada e especiarias, num bom equilíbrio. Só foram produzidas 163 garrafas deste whisky.

Last but not least, foi servido o Old Malt Cask (27 anos, 52,9 % v/v, single malt, Speyside, Highlands). No nariz, é quente, doce, frutado e, no entanto, um pouco floral – diria uma flor branca. As notas de limão emprestam-lhe alguma frescura, o que lhe dá um carácter contrastante. É suave na boca, tem textura muito boa e um final de boca longo e muito equilibrado, bastante complexo, com notas de avela, café, mel e algumas especiarias.

Na minha opinião, os 2 últimos whiskies foram os melhores da prova. Admito que a minha preferência vai, indubitavelmente, para os Single Malt, pela sua complexidade, pela sua espantosa individualidade, em suma, por uma capacidade de surpreender a cada olfacção e a cada gole.

No VIP Lounge, pode pedir os 4 whiskies a copo – a carta de bebidas do bar tem mais de 200 whiskies, incluindo algumas raridades.