5 Nov 2012, 14:36

Texto de Maria Martinho

Praça

“Queremos que fiquem a gostar da cidade tanto como nós”

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A Walk Around Porto é uma ideia de 4 universitários, que fazem visitas guiadas à cidade em que quem participa, turistas ou portuenses à procura de uma experiência diferente, não paga nada, podendo ou não deixar-lhes gorjeta.

Walk Around Porto

Foto: Miguel Oliveira

Se acha que as visitas guiadas para grupos turísticos são sinónimo de alguém a falar de forma monótona com um discurso “enciclopédico”, carregado de datas históricas que esquecemos até à visita seguinte, então o Walk Around Porto vai surpreendê-lo.

João Costa, Mário Alves, Miguel Macedo e Pedro Lima conheceram-se na Universidade Católica e têm em comum o gosto pelo Porto. Depois de uma viagem a Budapeste, João conheceu o Free Walking Tour, um conceito em que o turista paga apenas um gorjeta no final das visitas guiadas. “Fui e adorei o conceito”, conta.

Quando chegou à Invicta partilhou a ideia com os amigos e, depois de muitas conversas, e porque queriam muito fazer algo juntos, puseram mãos à obra.

Precisavam de um nome e estavam em exames. ” Isso obrigou-nos a inventar um nome e a fazer um logótipo em 30 minutos”, refere Miguel. Tinha de ser em inglês porque a ideia era, no futuro, transformar este hobby um modelo de negócio e internacionalizar a marca Walk Around – registada no início deste mês.

O objectivo inicial era organizar visitas regulares no pico de maior movimento de turistas na cidade. Os 4 universitários falaram com hostels, consultaram os voos da Raynair para o Porto e decidiram que fazer visitas 3 dias por semana seria o ideal. Mas, como cada elemento do grupo tinha outras ocupações, tiveram de alterar o modelo e passaram a fazer visitas só por marcação. As tours são mais personalizadas.

“É tudo mais pessoal e menos formal”

Distinguem-se de outros organizadores de visitas guiadas por não quererem mostrar apenas os marcos históricos da cidade. Preferem promover a música ou comida portuguesa, e, claro, a paisagem. Por não serem guias profissionais, a experiência que pretendem dar a cada visitante é baseada na experiência que cada elemento do grupo tem da própria cidade.

“Somos capazes de passar a ponte D. Luís e dar uma cerveja a cada um para a bebermos no meio da ponte, ou comprar entre todos uma garrafa de vinho do Porto na Ribeira para partilharmos”, exemplifica Miguel.

Na Walk Around, “é tudo mais pessoal e menos formal”.

Mercado do Bolhão, Miguel Bombarda, Livraria Lello, Torre dos Clérigos, Passeio das Virtudes, Mosteiro de S. Bento da Vitória e Jardim do Morro são algumas das paragens obrigatórias para os 4 circuitos de 2 horas que têm disponíveis – para turistas e mesmo para os portuenses que queiram conhecer melhor a cidade ou simplesmente conhecê-la de uma forma diferente. “No fundo, queremos que eles fiquem a gostar tanto da cidade como nós”, sintetiza Mário.

São as empresas, associações e outras entidades quem mais se interessa pelo serviço.

Começaram no Primavera Sound

A aventura começou em Maio, altura em que o Porto recebeu o Primavera Sound. Pensaram: “o Porto vai estar cheio de turistas, temos que aproveitar”. Contactaram a organização do evento, que lhes deu todo o apoio para inaugurarem as visitas. O arranque foi um sucesso.

Não há inscrições. “As pessoas simplesmente juntam-se e vêm connosco”, refere João. Só precisam de estar em forma. O pagamento funciona por gorjetas. “Cada pessoa dá aquilo que acha que deve dar”.

Desta forma, o grupo percebe o quanto cada pessoa valorizou a visita e o trabalho dos “guias”. E se os visitantes não derem nada? “Não significa que não tenham gostado da experiência que proporcionamos, simplesmente aproveitaram para ter uma actividade grátis na cidade, o que também é positivo”, refere Miguel.

As gorjetas variam muito conforme a nacionalidade, a idade e a cultura dos participantes. “Os povos de Leste, por exemplo, são mais agarrados”, conta Mário. Já Pedro recorda uma visita com 12 participantes em que ganharam 12 euros, e em que 10 foram dados pela mesma pessoa, e outra com 2 pessoas que rendeu 60.

As tours são feitas a pé, sem transportes ou refeições em restaurantes. Não há custos para além das t-shirts identificativas do projecto. A Walk Around tem apenas uma parceria com a Confeitaria Bonitos, na Rua 31 de Janeiro. A casa oferece uma prova de vinhos e de bombons sempre que por lá passam.

No futuro, os 4 amigos esperam conseguir parcerias que lhes permitam elaborar visitas temáticas.

Miguel salienta o facto de ser importante receber o feedback das pessoas. “Saber o que elas acharam mesmo que não tenham dinheiro para nos dar. Ter essa percepção é muito importante para nós”.

Voluntariado

Através de um grupo que criaram no Facebook, Pedro, Miguel, Mário e João convidam amigos que conhecem bem o Porto e que falem várias línguas para serem voluntários da Walk Around.

Como não têm muitas visitas regulares agendadas aproveitam o tempo agora para reflectir, fazer balanços e melhorar algum aspectos que consideram importantes para o desenvolvimento do projecto. “Neste momento, estamos a formalizar o processo de voluntariado e a organizar workshops de treino e de formação”, conta João.

Querem seguir o exemplo de alguns países europeus e ir buscar alunos do secundário, fluentes em inglês, que à partida têm mais disponibilidade que um aluno universitário. “O objectivo é internacionalizar” e o grupo está atento a novas oportunidades, cá dentro e lá fora. Braga, adianta João à Praça, “é um terreno fértil para explorar e expandir este projecto”.

  1. Rogerio P L Macedo says:

    O seu comentário

    A vida é feita de experiencias, e estas, as mais sofridas, ficam para sempre. São as primeiras e as mais romanticas
    FORRRRRÇÇÇÇÇÇAAAAAA