12 Set 2012, 19:09

Texto de Ana Isabel Pereira

Coisas

Visual “pin-up” com as criações da Bê de Lisboa

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A colecção “Girações”, do projecto da portuense Soraia Lisboa, reúne brincos, alfinetes de peito e colares feitos com partes de vinis, fios de telefone e teclas de computador.

Soraia Lisboa, da Bê de Lisboa

A última colecção da Bê de Lisboa, projecto da portuense Soraia Lisboa, reúne brincos, alfinetes de peito e colares feitos com pedacinhos de discos de vinil, fios de telefones antigos e teclas de computador. Em “Girações”, há peças entre 6,5 – um anel – e 25 euros – um colar.

“Inspirei-me essencialmente nas minhas memórias de infância e no enorme gosto que tenho por coisas antigas”, explica a Praça a criadora de apenas 20 anos.

O nome “Girações” surge “da junção das palavras ‘girar’ e ‘gerações’, pois todos os materiais utilizados giram de alguma maneira e são de uma geração mais analógica”, refere.

“Uso materiais diferentes na medida em que gosto de dar outra vida a certas coisas do quotidiano, como é o caso das caricas que uso como base para colocar fotografias sob uma camada de resina, as rolhas de cortiça para fazer colares, os botões para fazer anéis e brincos, as rendas para fazer colares e brincos, e os vinis, mostradores de relógios e teclas de computador serviram para a criação da colecção ‘Girações'”.

Soraia até tem vinis em casa mas “não tinha coragem de serrar LP de Ramones, Led Zeppelin, Beatles, Supertramp e por aí fora”. O que fez foi correr feiras de coisas em segunda mão e adquirir os que estavam para lá a ganhar pó.

O pai e o avô, ambos relojoeiros, um no activo e o outro reformado, deram uma ajuda a encontrar os mostradores dos relógios que integram a colecção. Os fios de telefone que fazem lembrar os de discar são novos.

“Girações” é um dos 35 projectos seleccionados este ano, entre 635 candidaturas, pela iniciativa POP’s – Projectos Originais Portugueses, da Fundação de Serralves.

Porquê “Bê de Lisboa”?

Soraia, que  tirou o curso de Joalharia na Escola Artística de Soares dos Reis e frequenta Design Industrial, na Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão, explica à Praça que o “Bê” é uma “afirmação sobre o sotaque portuense” e Lisboa, claro está, por ser o seu nome de família.

A jovem designer começou a trabalhar em joalharia no 11.º ano, numa disciplina chamada “Projecto e Tecnologias”. “Projectávamos as peças e posteriormente trabalhávamos na oficina. Grande parte do meu conhecimento pela área veio desta formação e do meu pai, que é ourives”, conta Soraia à Praça.

Nascida e criada no Porto, Soraia Lisboa vende essencialmente através da Internet e entrega pessoalmente as suas criações na área do Grande Porto, participando mensalmente em mercados como o Urban Market ou o Mercadinho dos Clérigos.

A coleção “Girações” está também a venda na Loja de Serralves e Soraia quer fazer chegar o seu trabalho a mais espaços, no Porto e noutras. Lisboa poderá vir a ser a próxima montra das criações Bê de Lisboa. Na calha, está uma “colecção só de colares que tem por base a fotografia e o Porto”.