10 Mai 2013, 16:22

Texto de Patrícia Brandão

Praça

Vai uma voltinha pelo ‘hall of fame’ do graffiti no Porto?

A Praça pediu ajuda a YouthOne, da Dedicated, e a André Silveira, da Inky, para ‘desenhar’ um roteiro pelos melhores spots e hall of fame da street art no Porto.

A Praça pediu ajuda a 2 especialistas em graffitis, de 2 conhecidas lojas da especialidade na Invicta, YouthOne da Dedicated Store Porto e André Silveira da Inky – Graffiti, StreetArt, Gallery, para ‘desenhar’ um roteiro pelos melhores spots e hall of fame da street art no Porto.

Em conjunto, elegemos 10 obras, de 10 diferentes artistas, referências incontornáveis nesta arte de “pintar paredes”, derradeira expressão urbana e forma de intervenção visual no espaço público.

A maioria das obras escolhidas tem um carácter de permanência, dado o seu “estatuto legal” – são fruto de eventos artísticos organizados em conjunto com entidades públicas –,  e “sobrevivem”, por isso, mais tempo. Aproveite e quando estiver bom tempo, saia e siga este roteiro, quase todo ao ar livre.

A primeira paragem, e a primeira escolha de André Silveira, fica no edifício da Fábrica Social – Fundação José Rodrigues, no Porto, onde é possível admirar uma obra antiga de Mário Okerland (ver graffiti 1 na galeria de fotos). Para o dono da Inky, este graffiti é um bom exemplo do “quão bom o Oker é” com os seus outlines “perfeitos, quase como stickers (autocolantes)”. “Ele perde muito tempo nas suas obras e também mistura outras técnicas como marcador e tintas plásticas”, acrescenta André.

No mesmo local, YouthOne escolhe um clássico, um rosto feminino esculpido por Alexandre Farto, aka Vhils (ver segunda obra), alguém que veio trazer “algo de novo” à street art. “Ele deu um passo grande na street art ao pegar numa picareta e numa lata de spray e traçar isto numa escultura. Foi das melhores inovações em Portugal e no mundo”, diz Youth. Vhils merece ainda, no entender deste writer, “todo o mérito e respeito por ter conseguido transportar o nome de Portugal para o estrangeiro.”

A 15 minutos a pé da Fábrica Social e da zona da Fontinha, mais 2 escolhas de YouthOne. O trabalho de Fynd (ver graffiti 3) no Bairro da Bouça, desenhado por Álvaro Siza Vieira, a poucos metros da estação de metro da Lapa, deixo-o sem palavras. “Só vou dizer isto: Find it!” E Youth não diz mais nada.

A outra escolha deste writer para este best of do graffiti e street art do Grande Porto não poderia deixar de fora um dos artistas mais carismáticos da cidade, Hazul (ver graffiti 4). “Já é um símbolo representativo da cidade. Qualquer artista, qualquer pessoa que conheça o Porto e falando na street art tem que falar no Hazul. Ele é uma presença constante”, justifica. No entender de YouthOne, Hazul tem “expressão, força, energia, qualidade, estrutura e posicionamento”. “Ele não faz as coisas à toa, procura os sítios correctos. É um marco da cidade. Qualquer pessoa que passe pela cidade detecta o estilo dele ao segundo trabalho e assimila quem é o artista”, conclui. O trabalho escolhido está na Travessa do Ferraz, ao lado das antigas instalações da Gesto Cooperativa Cultural, onde hoje funciona um hostel.

Em Matosinhos

Siga para Matosinhos, onde no muro da Escola Secundária Augusto Gomes YouthOne faz de um “monstrinho” de Dub (ver graffiti 5) a sua escolha seguinte: “O Dub é um marco no graffiti no Porto e a nível nacional, um artista com uma expressão própria e estilo inconfundível, merece toda a atenção. Gosto particularmente da parte da ilustração e da execução do trabalho. Está tudo lá”, diz.

Ainda no mesmo local, um trabalho de Dexa (ver graffiti 6) é a última escolha do artista da Dedicated, que sublinha que é com “muita pena” que deixa alguns nomes de fora desta lista. “O Dexa prima não só pelo estilo próprio que tem mas pela execução do trabalho. Sabe escolher as cores, sabe o que está a fazer, tem um traço muito bom, direito e limpo”. Para YouthOne, os graffitis deste artista que também trabalha na área do desenho e tatuagem “parecem autocolantes e jogam bem com a luz e a sombra”.

O muro da mesma escola foi a tela que Third, que André escolhe como um dos seus artistas favoritos, alguém de quem se lembra desde miúdo, escolheu para pintar zombies num cenário apocalíptico (ver graffiti 7). “É uma referência incontornável do Norte, um dos artistas que está activo há mais anos. A par do Mr Dheo, é o artista mais técnico e completo, com personagens, letras, cenários. Qualquer peça que se veja dele, rebenta com tudo”, afirma André, para quem Third é “irrepreensível a nível técnico e a nível de temática”. André escolhe este em particular, um trabalho “difícil de expressar por palavras”. E justifica: “qualquer trabalho dele é muito forte, seja qual for o tema, alegre ou mais pesado. São sempre coisas muito bem retratadas, pensadas e muito complexas”. “É isto que falta a muita gente aqui no Porto”, desabafa, enquanto conclui: “se não é o número 1, é o número 2. Está no pódio.”

A Escola Secundária da Boa Nova, em Leça da Palmeira, é a paragem que se segue e onde André escolhe um trabalho do popular Mr Dheo em colaboração com o artista australiano Sofles (ver graffiti 8). Trata-se de um retrato-homenagem a Okerland. ” É um nome obrigatório quando se fala de street art e graffiti , a nível nacional e internacional. O graffiti também é levar o nome a outros sítios e o Dheo é uma referência”. No entender de André, Mr Dheo é “muito bom a fazer letras, personagens, cenários” e é o artista “mais técnico com um estilo mais limpo” que conhece e admira. “Não vejo nenhuma peça dele que não seja perfeita, que não adore. Esta colaboração específica mostra bem que ele não fica nada atrás de pesos pesados internacionais”, remata.

O próximo hall of fame é junto ao estádio do Sport Clube de Rio Tinto e inclui graffitis que resultam de um evento organizado em 2012 pelo colectivo “Ratos Suspeitos”. Aqui, André escolhe 2, dos artistas Doc Costah (ver graffiti 9) e Blast (este último do colectivo Maniaks). A justificação é simples. Costah é uma figura do graffiti do Porto de há vários anos e para André é alguém “muito activo com uma evolução enorme, um artista dos mil ofícios” – tatua, pinta, ilustra. O seu trabalho muito colorido  “muito positivo e alegre” encontra-se muito pela cidade do Porto. “Ele começou do graffiti puro e nunca parou. Gosto da forma como ele criou o alter-ego Costah e conseguiu que os seus trabalhos fossem tão diferentes”.

A sua última escolha, Blast (ver graffiti 10) – um dos pintores técnicos favoritos de André que se identifica com a sua linguagem – “domina os letterings muito bem e faz uns personagens muito cartoon, muito BD”. Para André, o colectivo Maniaks é um dos melhores colectivos em Portugal. “Blast é um grande técnico, com um estilo muito próprio”, diz. Para além disso, segundo André, o trabalho específico que Blast fez neste spot de Rio Tinto é aquele que melhor ficou articulado e conjugado com o dos outros artistas vizinhos.

Pela sua presença, escala e estado permanente, foram escolhidos estes 10 graffitis. Muitos outros ficaram de fora deste roteiro, nomeadamente os trabalhos do próprio YouthOne, Virus, Mesk, Ekyone, Alma, Draw, Rafi, de outros elementos da crew MTS para além de Dub, dos colectivos GMB, DTOS, Ratos Suspeitos e de tantos outros artistas que nos habituámos já a ver pelo Grande Porto.

  1. Ah muitos mais artistas que andam por ai que mereciam um lugar nesse “top” mas isso são opiniões!

    Matosas Treliamento Sopa!

  2. Joana Gonçalves says:

    Isto sim, é arte! Há de facto no Porto um leque vasto de artistas deste género, mas parece-me que o texto já os engloba no fim! Um bem haja a todos os artistas e não vândalos que embelezam a nossa cidade e arredores.

    • André says:

      Street Art é uma coisa, Graffiti é outra coisa completamente diferente. O Graffiti é vandalismo porque graffiti a sério é feito ilegalmente e o graffiti são letras, tags (“rabiscos” como muita gente os chama). Não digo que não possa ter um pouco de desenho mas a maior parte das vezes são letras. Street Art, não digo sempre mas muito das vezes é feito com autorização e pode ser feito de várias maneiras, não têm de ser obrigatoriamente com latas.
      Apenas um à parte para não confundirem Street Art / Arte com Graffiti.

  3. Maria Miranda says:

    Este roteiro levado a cabo pela cidade do Porto e Grande Porto é a prova provada de que existem grandes artistas especializados na ARTE URBANA, que não pode nem deve ser tratada como vandalismo.
    Por favor, a quem interessar esta minha opinião, VEJAM, com olhos de ver o talento deste grupo de ARTISTAS que merecem uma Vénia, por enriquecerem espaços inertes, vazios, sombrios, com ARTE URBANA, de grande qualidade!
    Evoluam as mentalidades, deixam que a cidade ganhe côr e não se reduza a paredes cinzentas deprimentes, que constitui a realidade atual.
    PARABÉNS a todos os protagonistas deste “ROTEIRO”.

  4. Pedro Rufia says:

    Ó mano, são diskussões. Hj faço um trabalho mais elaborado com desenhos, amanhã umas letras e chamo graffiti à mesma. Só confunde kem ker ou não tem mais nada k fazer. Axo que é positivo escrever-se noticias sobre a cena em si… A brigada apaga, mas eles andem aí! Keep up!

  5. Anonimo says:

    Epá nem sei o que diga sobre isto, simplesmente é só amigos que estão escritos como writers e ou outros? os writers que mostrar o graff no Porto ? ….

  6. Teresa Megre says:

    Gostei muito deste apanhado, mas temo que algumas imagens estejam mal identificadas no texto

  7. Tsk. says:

    Graffiti é algo que existe desde o tempo das cavernas ate hoje. custa assim tanto abrir um dicionario e uma vez na vida saberem o significado real da palavra ?!

    wikipedia: Graffiti (singular: graffito; the plural is used as a mass noun. Also known as Graff) is writing or drawings that have been scribbled, scratched, or sprayed illicitly on a wall or other surface in a public place.[1] Graffiti ranges from simple written words to elaborate wall paintings, and it has existed since ancient times, with examples dating back to Ancient Egypt, Ancient Greece, and the Roman Empire.[2]
    se é legal é “street art”, se é ilegal é graff, ponto final paragrafo proxima pagina.

  8. A outra escolha deste writer para este best of do graffiti e street art do Grande Porto não poderia deixar de fora um dos artistas mais carismáticos da cidade, Hazul (ver graffiti 4). ”Já é um símbolo representativo da cidade. Qualquer artista, qualquer pessoa que conheça o Porto e falando na street art tem que falar no Hazul. Ele é uma presença constante”, justifica. No entender de YouthOne, Hazul tem ”expressão, força, energia, qualidade, estrutura e posicionamento”. ”Ele não faz as coisas à toa, procura os sítios correctos. É um marco da cidade. Qualquer pessoa que passe pela cidade detecta o estilo dele ao segundo trabalho e assimila quem é o artista”, conclui. O trabalho escolhido está na Travessa do Ferraz, ao lado das antigas instalações da Gesto Cooperativa Cultural, onde hoje funciona um hostel.