6 Out 2011, 16:59

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

Uma peça com nome de síndrome e música de Peixe

“Estocolmo” é mais recente produção do Teatro Bruto, a partir de um texto original do poeta e dramaturgo portuense Daniel Jonas. É uma estreia absoluta e fica em cena no Teatro Carlos Alberto até domingo.

"Estocolmo". Foto: João Tuna

Fotos: João Tuna

O Teatro Bruto estreia, esta quinta-feira, no Teatro Carlos Alberto, a peça “Estocolmo”, um texto original do poeta e dramaturgo portuense Daniel Jonas.

A peça fecha um ciclo de 5 espectáculos iniciado há 2 anos pela companhia sediada na Fábrica Social e, conforme explicou Ana Luena à Praça, “alude à síndrome que leva algumas vítimas de sequestro a desenvolver um particular afecto pelo seu raptor”.

A companhia que Ana dirige é conhecida pelo seu trabalho complexo de composição cénica e este espectáculo, sublinha, “envolve e afirma uma vaga de criadores de diferentes áreas artísticas da cidade”, desde a encenação à música, passando pelo desenho de luz.

Outro argumento para ir ver “Estocolmo” é banda sonora da peça. É que a música original do espectáculo é da autoria de Pedro Cardoso, aka Peixe, o ex-guitarrista dos Ornatos Violeta e membro dos Zelig, com quem o Teatro Bruto já tinha colaborado no concerto encenado”Still Frank”. “Em Estocolmo, o músico interpreta a música ao vivo, funcionando como um elemento presente e interveniente através da música e do som – uma composição musical que dá corpo a outra ‘personagem’ que habita este espaço de sequestro emocional e afectivo”, descreve a encenadora e directora artística da companhia.

E quanto à história?

Pois, vamos lá então ao argumento. Elsa (Rute Pimenta) e Onírio (Pedro Mendonça) são os personagens centrais da peça, “os reféns de Estocolmo”. “O espectáculo anda à volta de uma relação entre presa e predadora e nós somos conduzidos a visitar e a viver neste lugar estranho de pós-guerra emocional, a assistir intimamente a estilhaços de uma relação amorosa intemporal”, adianta Luena.

“Estocolmo” marca a terceira colaboração de Daniel Jonas com o Teatro Bruto, depois de “Nenhures” (2008) e “Reféns”(2009).

A peça fica em cena até domingo. De quarta-feira a sábado, as sessões são às 21h30. Domingo, é às 16h. Os bilhetes custam 10 e 15 euros, mas ficam mais baratos com os descontos habituais.

Em paralelo, o TeCA recebe uma exposição de ilustrações de Luís Silva, colaborador em várias publicações e responsável pela ilustração de vários livros, inclusive, a última obra do escritor Valter Hugo Mãe. A mostra é também uma co-produção do teatro com o Teatro Bruto.