27 Nov 2012, 11:41

Texto de Maria Martinho

Comes & Bebes

Uma mercearia que quer ajudar o Norte a crescer

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A Maria Sardinha era um sonho antigo das designers Rosário Rocha e Sara Alves. Esta mercearia 100% portuguesa abriu, há dias, na Rua das Taipas.

Maria Sardinha

A Maria Sardinha abriu, há dias, na Rua das Taipas. Fotos: Miguel Oliveira

A Maria Sardinha era um sonho antigo de Rosário Rocha e Sara Alves, 2 designers do Porto e amigas de infância. A mercearia 100% portuguesa abriu, há dias, na Rua das Taipas.

Quando terminaram o curso, as 2 empreendedoras, ambas com 26 anos, não se identificaram com o mercado de trabalho que tinham à espera, “cada vez mais falso, duro e cruel”, conta Sara à Praça.

O destino esteve para as levar até Angola, onde havia a possibilidade de darem aulas, mas esse plano falhou, abrindo caminho a que avançassem com o projecto da mercearia.

“Era agora ou nunca”, diz Sara. As 2 meteram, literalmente, mãos à obra num espaço onde em tempos funcionara uma antiga presuntaria ilegal. “O verdadeiro tasco”, no número 51 da Rua das Taipas. Dois meses foram o suficiente para “reciclarem” o local.

“Queríamos gastar o mínimo possível, por isso restaurámos móveis antigos, utilizámos paletes para o balcão e expositores, pintámos as paredes de branco para realçar os produtos”, descreve Sara Alves.

A preocupação com o ambiente, através da aposta na reutilização de materiais, esteve sempre em cima da mesa, ou não tivessem sido escuteiras. Como designers, não resistiram a dar um toque pessoal a cada pormenor. Para que” tudo fosse a nossa cara”, explica Rosário.

“Não pretendemos apenas a troca de dinheiro mas uma troca de valores e experiências, num espaço de convívio “, acrescenta.

O que pode encontrar

O conceito o é de uma mercearia 100% portuguesa e a loja reúne objectos de design, peças de artesanato e,  principalmente, produtos do Norte, pois o objectivo é também ajudar a região a crescer. “Queremos seleccionar o melhor que há na nossa terra”, salienta Sara.

A selecção dos produtos é feita, um a um, pelas próprias, defensoras do comércio tradicional desde sempre. Apesar de o conceito não ser novo na cidade ambas acreditam que “a maior parte das mercearias goumert pratica preços elevados que excluem muita gente”.

Na Maria Sardinha, há galos de Barcelos pintados à mão, todos diferentes, andorinhas, bordados, rendas, fotografias do Porto emolduradas e até cestas feitas manualmente, que vêm de Famalicão. São as amigas da Sara e da Rosário quem pinta as cestas e lhes acrescentam detalhes, de forma a personalizam peça. “Queremos voltar ao antigamente, ressuscitar o que sem perdido “, revelam.

[caixa]Maria Sardinha?! Ah! O nome?! Perguntámos à dupla de designers o porquê do nome da mercearia e a resposta foi simples: “Há sempre uma Maria entre nós, é um nome marcante português, e a sardinha é um ícone do país, que nos remete para os Santos Populares, para o tradicional e genuíno”.[/caixa]

Noutro cantinho da loja, encontramos as bolachas Paupério, de Valongo, conservas e patés da marca de Matosinhos La Gondola, a cerveja artesanal Sovina, queijos da Serra, azeite, enchidos, garrafas-miniatura de vinho Moscatel, vinho do Porto e Licor Beirão, compotas da Casa de Juste, chocolates artesanais da marca Mestre Cacau, chás e sabonetes de leite de burra – por cada um que comprar (custam 4 euros cada), estará a contribuir para a preservação do burro mirandês, uma espécie em vias de extinção.

Os preços dos produtos vão até aos 25 euros e há novidades todas as semanas, no portefólio mas também ao nível dos eventos. É só estar atento à página de Facebook da Maria Sardinha.

Mas nem só de artesanato e produtos tradicionais portuenses vive esta mercearia. As donas são prendadas e criatividade não lhes falta. Fazem cake design e já têm várias propostas para quem procurar um bolo original. Basta ir até à mercearia, consultar o catálogo, encomendar o bolo que quiser e levantá-lo dias depois.

A Maria Sardinha abre todos os dias, das 10h às 20h – à sexta, fecha mais tarde, às 24h.

 


  1. Hugo Cortez says:

    Excelente iniciativa, é deste tipo de ideias que o país precisa. E é neste tipo de casas que as pessoas deveriam gastar o dinheiro destinado para o natal em vez de o gastar nas grandes superfícies.

  2. Sandra Bastos says:

    Belissima ideia, estudei com a Sara quando ela esteve no Brasil. Parabens pela otima ideia e empreendimento. Espero um dia poder visita-las.