22 Ago 2012, 12:09

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

Uma garrafeira que divulga novos valores

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A Vindimeira, na Rua das Taipas, divulga vinhos novos e pequenos produtores. Serve vinho a copo com direito a boa música e não cobra taxas pelo serviço à mesa.

Pedro Leitão, dono da garrafeira A Vindimeira

Pedro Leitão teve a ideia de negócio quando trabalhava em Hong Kong para a Quinta do Vallado. Fotos: AIP

Esta não é uma garrafeira qualquer. N’A Vindimeira, os vinhos expostos, novidades ou referências de produtores menos conhecidos, são servidos a copo, à mesa, com direito a boa música – os clientes podem escolher um dos vinis do dono ou trazer música de casa –, e sem haver lugar ao pagamento de qualquer taxa pelo serviço à mesa. Assim, as pessoas podem provar os vinhos antes de comprar.

A Vindimenira abriu portas em Junho, no coração do centro histórico do Porto,  mas precisamente na Rua das Taipas, 8.

“A ideia é ter aqui novos lançamentos ou vinhos pouco conhecidos e servi-los a copo a um preço justo, para que as pessoas possam provar e perceber aquilo de que gostam”, explica à Praça Pedro Leitão.

Pedro tem 23 anos, é formado em Economia e vai a meio do Mestrado em História Contemporânea. A investigação na área da história do vinho, centrada no percurso da Cockburns, “a primeira grande marca de Vinho do Porto a ter uma estratégia de marketing sólida”, não acontece por acaso.

A única ligação de Pedro ao vinho é a quinta dos avós em Viseu, mas no final da licenciatura o programa INOV Contacto levou-o até Hong Kong para trabalhar nas áreas de marketing e distribuição da empresa duriense Quinta do Vallado. Aos distribuidores locais, Pedro “explicava os vinhos, a região e o país”.

“Foi lá que comecei a estudar esta área. Antes de partir, também foi muito importante o estágio que fiz na Quinta do Vallado, no Douro. Aprendi muito”, partilha, acrescentando que já soma no currículo pequenos cursos de enologia.

Do outro lado do mundo, apercebeu-se de uma “aura de intangibilidade que rodeia o vinho” e que “prejudica tanto os produtores como os consumidores”.

Para toda a gente

Quer promover pequenos produtores e dar a conhecer a todos os clientes – entendidos ou simples apreciadores, turistas ou residentes – bons vinhos. “Sem medos e sem preconceitos”, sublinha o jovem empreendedor.

Pedro Leitão só vende vinhos portugueses e prefere castas nacionais. “Tenho óptimos vinhos do Dão, do Douro, Verdes e do Alentejo”.

O enfoque do negócio é o vinho – a garrafeira tinha cerca 40 referências quando a Praça visitou o espaço, mas a lista cresce a cada semana que passa, diz Pedro –, mas para acompanhar as provas há produtos regionais. Um pratinho de queijos (4 euros), queijo fresco com doce de abóbora (2,5 euros) e chouriço assado (5 euros) são algumas das sugestões.

[caixa]O ESPAÇO A Vindimeira fica no rés-do-chão de um prédio reabilitado e ocupa o espaço de uma antiga tipografia. A decoração é minimalista e clean e são pequenos apontamentos como as cadeiras antigas, todas diferentes, e os objectos da viticultura, que vieram da quinta da família de Pedro Leitão, que dão “cor” à garrafeira.[/caixa]

A copo, A Vindimeira tem sempre 2 vinhos do dia, um tinto e um branco (1,5 euros), um tinto e um branco Reserva (3 euros), Portos Ruby, Tawny e Branco (1,5 euros) e Portos 10 Anos e LBV (3 euros). O vinho é servido com um postal com um poema de um autor português.

“Se vier um grupo, podem pedir uma garrafa e eu sirvo a copo, à mesa, sem cobrar qualquer tipo de taxa”, diz Pedro Leitão.

A Vindimeira não é um bar, portanto não tem horário de bar. Não vale a pena chegar lá perto da meia-noite, porque a garrafeira fecha precisamente a essa hora, mas é um sítio agradável para beber um Porto Tónico ao fim da tarde  (2,5 euros) ou um Porto depois do jantar. Também pode ser depois de um almoço pançudo, que até fica mais em conta: peça o Café Tawny e, por 1,5 euros, beba café e um cálice de Porto.

Enoturismo

De forma a “aproveitar a investigação” que está a fazer, Pedro orienta, de terça a sexta, a visita “O Caminho de Portus Cale”, que “segue a antiga muralha medieval”, que limita actualmente a zona classificada como Património Cultural da Humanidade. A visita guiada, com direito a prova de vinhos, custa 5 euros e tem a duração de hora e meia. Começa às 15h em frente ao Palácio da Bolsa, a não ser que as partes acordem outro horário.

Em Setembro, arrancarão n’A Vindimeira  os encontros do Clube dos Vindimeiros. “Quinzenalmente, teremos noites de provas cegas, subordinadas a um determinado tema e abertas a toda a gente. A ideia é que as pessoas ordenem os vinhos segundo a sua ordem de preferência. No final, reuniremos as preferências de todos num top que depois divulgaremos e que poderá servir de apoio à escolha”.

A Vindimeira abre de terça a domingo, das 16h às 24h.

 

  1. Pedro Pinheiro says:

    Gostei muito d’A Vindimeira! excelente 1:30 ali passei! o preço dos vinhos é justo e o porto tónico que lá provei muito bom para uma noite de caloraça. Vou voltar de certeza.