16 Jul 2013, 13:58

Texto de Ana Isabel Pereira, com fotos de Miguel Oliveira

Comes & Bebes

Um Tascö para mais tarde recordar

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Fica na Rua do Almada e aposta nas tapas portuguesas, feitas na hora e servidas em tachinhos de alumínio, e numa carta de vinhos que foge ao habitual.

O Tascö abriu há um mês no 151 da Rua do Almada e aposta nas tapas portuguesas, feitas na hora e servidas em tachinhos de alumínio, e numa carta de vinhos que foge ao habitual. O trema é para marcar a diferença em relação aos “tascos normais” mas não significa grandes salamaleques.

“Aqui, servem-se as senhoras primeiras, mas o resto é totalmente descontraído”, avisa Telmo Melo, um dos 3 sócios do novo espaço, onde foram criados 3 espaços distintos e há uma lousa gigante para deixar recados e pensamentos.

Telmo, 33 anos, Miguel Machado, 31, e Hélder Pinto, 33, todos do Grande Porto, queriam uma casa onde portugueses e estrangeiros se sentissem bem, mas nunca imaginaram que os segundos regressassem. Isto acontece tudo “num só espaço” e com vinhos e sobremesas – os itens onde os empresários da restauração se costumam ‘esticar – a “preços abaixo da média”. Uma refeição completa fica, em média, por 20 euros. “Os turistas estrangeiros perguntam-nos sempre se a conta está certa”, partilha Telmo.

A ideia de abrir o Tascö surgiu “já lá vão uns anos”, conta à Praça Telmo Melo. A localização, na baixa, escolheram-na “há cerca de 5 anos”. “Não havia nenhum espaço que servisse petiscos tradicionais com qualidade”

Licenciado em Gestão de Empresas, Telmo conhece Hélder, “engenheiro no ramo automóvel” e o elemento que faz descer os outros 2 à terra, há mais de 20 anos e Miguel, empresário com “um fascínio” invulgar por comida – na faculdade, “chegava a faltar às aulas para ir para casa cozinhar” –, há “7 ou 8”.

Ai, o arroz malandro…

Entre as tapas, há pataniscas de bacalhau ou de polvo, amêijoas à Bolhão Pato, polvo com molho verde, morcela de Lamego grelhada com cebola, alheira de Vinhais, bifanas, moelas estufadas com molho picante e rojões.

As iguarias para picar podem ser acompanhadas com arroz de tomate malandro – a Praça já foi ao Tascö 2 vezes e perdeu-se de amores por este acompanhamento –, batatas fritas à rodela – vêm para a mesa sequinhas, salgadas q.b. e num engraçado balde de alumínio –, batata a murro ou grelos salteados. “Esta pequena família de acompanhamentos é uma brincadeira que tem sido um sucesso”, confessa Telmo.

Petiscar deste e daquele prato dá para encher a barriga, mas para quem prefere não misturar sabores ou acha que não fica satisfeito com tapas, o Tascö serve lombo de bacalhau na brasa, polvo à lagareiro, hambúrguer à Tascö, fusão de alheira com grelos salteados, broa e batata a murro e bife grelhado na brasa com redução de vinho do Porto.

A carta de vinhos foi criada por um escanção amigo, a quem foi pedido “que fugisse ao comercial” e desse “a conhecer às pessoas novos vinhos”. Inclui “cerca de 40 referências”, a maioria do Douro, 4 das quais são servidas a copo – a 3 e a 3,5 euros.

Quando chega a hora da sobremesa, a fasquia já está tão alta que o estômago mais desconfiado passaria logo para o café. Não… Os doces valem mesmo a pena. São caseiros e um é mesmo feito pela mãe de Telmo. O gelado de nata artesanal com manto de morango da dona Maria Odete é o maior sucesso, mas a mousse de ananás aveludada e a tarte de maçã com natas amargas  também se recomendam.

O Tascö, cujo mobiliário e decoração foram feitos com recurso a desperdícios de madeira e aglomerados, e pelos próprios empreendedores, abre das 12h “até o último cliente do almoço sair” e das 19h30 às 2h, todos os dias.

No primeiro andar, há outra sala que os 3 amigos estão a pensar utilizar para os jantares de grupo – têm menus entre os 20 e os 30 euros e já não conseguem dar resposta a todas as solicitações.

  1. um chato says:

    Se as amêijoas são à Bolhão Pato então não são lá muito tradicionais. Já se fossem à Bulhão Pato…