Image de Um guia para quem acredita que à mesa tem de haver vinho

Foto: Cláudia Silva

1 Mar 2014, 12:01

Texto de Rafael Ferreira

Comes & Bebes

Um guia para quem acredita que à mesa tem de haver vinho

, , ,

O vinho é parte imprescindível de uma refeição. Defensor disso mesmo, o crítico gastronómico Paulo Russell-Pinto acaba de lançar – esta sexta-feira, na Essência do Vinho – o “Guia de Gastronomia e Vinhos da Cidade do Porto”, um trabalho que contou com a colaboração do fotógrafo Sérgio Jacques.

No guia estão disponíveis 65 espaços portuenses para os apreciadores de gastronomia e de vinhos. “O livro não tem só restaurantes, tem sítios para sair à noite, bares, bares de hotéis. Tudo o que sirva bem vinho e boa comida aparece”, explicou à Praça Paulo Russell-Pinto, que teve o cuidado de incluir uma lista “alargada” de espaços que praticam preços acessíveis e outros que pedem valores mais elevados.

O livro, que demorou “cerca de 1 ano” a ser feito, tem 176 páginas estará à venda “a partir da segunda semana de Março”, nas livrarias da cidade do Porto, em alguns locais turísticos e em algumas plataformas de vendas de livros online, por 13,50 euros.

Lá para a Páscoa, os autores esperam ter à venda uma versão em inglês do guia. Paulo e Sérgio explicam que o seu livro é direccionado quer para os portugueses – portuenses incluídos –, quer para os estrangeiros que visitam a Invicta. “Nós sabemos que muitos dos turistas que visitam a cidade chegam num regime que se chama de city break – vêm quinta-feira e vão embora domingo –, por isso, tentámos fazer exactamente um roteiro para que essas pessoas possam aproveitar melhor [da cidade]”, explica o crítico.

Para o autor do livro, a cidade tem uma boa oferta gastronómica e de vinhos, “nacionais e internacionais”, porque, explica, “o Porto não vive só dos vinhos do Porto e dos Vinhos Verdes, é uma cidade muito cosmopolita”.

Esta melhoria da oferta da cidade, na última década, deveu-se ao facto de ter sido Capital Europeia da Cultura, em 2001, e de, na opinião de Russell-Pinto, esse programa ter resultado para além dos movimentos culturais. O autor recorda a “aposta na recuperação urbana, que deu frutos e, se calhar, é onde hoje em dia há mais oferta gastronómica”. Paulo Russell-Pinto sublinha, no entanto, que esse investimento de há mais de 10 anos só começou a surtir efeito ao nível da oferta privada anos depois. É um “processo evolutivo”, não “uma coisa automática”, diz, acrescentando que no final saiu beneficiada “a economia local”.

Para o crítico, cada zona da cidade do Porto tem uma gastronomia distinta. “A zona da baixa do Porto tem uma oferta que vai no sentido de novas experiências”, como se fosse “um laboratório de ideias de gastronomia e de vinhos”.

“Existem outras zonas do Porto que apresentam outro tipo de comida. A Ribeira é um centro histórico, [por isso] é muito mais conservadora, tem os pratos mais tradicionais e regionais. A zona da Foz é onde as pessoas são mais abastadas e onde a comida é mais evoluída, mas continua a ser conservadora. Matosinhos, por causa do peixe, e Gaia por causa das caves do vinho do Porto”, resume.

Como existe o leitão à Bairrada, o pastel de nata ou a coentrada de cação, pratos que colocam localidades conhecidas no panorama gastronómico nacional, para o autor do guia, o Porto também tem pratos que lhe dão a fama, “pelo menos 3: a francesinha, o bacalhau à Gomes de Sá e as tripas à moda do Porto”.

No que toca aos restaurantes escolhidos para o livro, Paulo Pinto garante que não faz “uma valorização qualitativa dos [seus] pratos, mas sim da experiência gastronómica no geral”, que testemunhou quando visitou os estabelecimentos.

Para cada estabelecimento presente no guia há uma foto de Sérgio Jasques, que retrata “o ambiente do restaurante e não o espaço geral do restaurante”. “Tentámos mostrar aqueles [restaurantes] que são mais tradicionais, cosmopolitas e inovadores”, avançou à Praça o fotógrafo.

Segundo Sérgio Jacques, aquilo que distingue o “Guia de Gastronomia e Vinhos da Cidade do Porto” é o facto “de este livro ser um livro de autor”. “É o livro de uma pessoa que vive no Porto e trabalha para o vinho há muitos anos”,  sublinha.

O guia de Paulo Russell-Pinto e Sérgio Jacques inclui ainda fotografias de panorâmicas emblemáticas da cidade do Porto.