7 Set 2012, 17:27

Texto de Patrícia Brandão

Coisas

Trazer a música para a rua numa peça de vestuário

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A marca portuguesa Earbox tem hoodies e impermeáveis com colunas incorporadas nos carapuços e revestidas a cortiça. As sweats que dão música são um sucesso.

Sweat Earbox. Foto: Susana Luzir

E se lhe disséssemos que para ouvir música na rua já não precisa de colocar os clássicos headphones nos ouvidos e que basta enfiar uma sweat com carapuço para ‘curtir’ o seu som favorito? A Praça experimentou e assegura que é uma experiência sonora a ter.

Tudo graças à criatividade da Earbox, uma marca portuguesa que cria vestuário streetwear com funcionalidades técnicas. A original marca tem hoodies (sweatshirts e casacos com carapuço), uma espécie de gorro com abas que já é um produto de culto – o “cachecool” – , impermeáveis e parkas que combinam a moda streetwear com o amor pela música.

Os carapuços têm colunas incorporadas, especialmente desenhadas para o efeito, revestidas a cortiça, “um material leve e português”, sublinha João Oliveira, empresário e mentor do projecto, para ligar ao MP3 ou a outro dispositivo de leitura de áudio.

João Oliveira explica à Praça que esta “experiência diferente de ouvir música” também se torna mais segura. “Há miúdos com headphones que são atropelados porque não ouvem os carros a apitar. Com estes hoodies, podemos ouvir música na rua mas não estamos isolados do que se passa à nossa volta”.

A marca serve um público dos 8 aos 80 anos, é para eles e para elas e tem tamanhos que vão do XS ao XXL. “Qualquer espírito jovem pode comprar”, afiança João. Os hoodies podem ir dos 50 aos 100 euros e o  “cachecool” custa 50. Podem ser adquiridos na loja virtual da Earbox.

Uma ideia revolucionária

A ideia surgiu há 2 anos numa conversa de café entre João Oliveira e Pedro Filipe, que sabiam que para entrar no “mercado agressivo” do streetwear tinham de fazer algo diferente. Com a ajuda dos pais de João, donos de uma empresa têxtil, foi criado o protótipo da peça e a partir daí foi trabalhar “arduamente sem parar”.

Os jovens empresários desenvolveram um plano de negócios com o apoio da TecMinho, uma incubadora de negócios da Universidade do Minho, que foi “o cartão de visita” para apresentar o projecto a investidores.

Testaram o mercado com um stand no Festival Sudoeste do ano passado e a sweat que dá música foi um “verdadeiro sucesso”, conta João. “As camisolas de mulher esgotaram no primeiro dia. Se mais tivéssemos, mais teríamos vendido”, diz o empreendedor que quer apostar no mercado português e fidelizar os clientes “earboxianos”. “Somos minuciosos com o produto, o feedback tem sido o melhor”.

Graças a uma parceria da Invicta Angels, o projecto que se afirmou como empresa em Novembro cresceu e conta hoje com mais 2 colaboradoras, a estilista Fabiana Fontaínhas, que desenha a “fisionomia” da peça e Ana Meira, que, juntamente com o resto da equipa, decide matérias-primas, cores e estampados.

A fábrica parceira da Earbox fica em Braga, emprega a 30 pessoas e tem um ambiente e uma dinâmica sui generis, que permitiu a organização de um desfile no horário de expediente e a criação de um graffiti pelo jovem artista Robô.