17 Fev 2011, 10:34

Texto de Amanda Ribeiro

Coisas

Só encontra a Quasi quem quer – e ainda bem

, , ,

Aberta há quase 11 anos, a Quasiloja Galeria é um lugar de partilha. Afastada da baixa, é uma autêntica casa de sonhos e memórias onde só entra quem realmente a conhece.

Caixinhas de música na Quasiloja Galeria

Há caixinhas de música, carimbos, postais e a arte de Carina Constantino. Foto: Sofia de Eça

Pode dizer-se que é um dos mais belos segredos do Porto. Longe da baixa, a Quasiloja Galeria é um espaço perdido no tempo e, possivelmente, no espaço. Já não víamos Papier d’Arménie à venda no Porto há séculos. E não é que brincar com carimbos ou bonecas de papel continua a aquecer os nossos envelhecidos corações?

Numa altura em que o Porto ainda não regurgitava criatividade, Carina Constantino foi uma visionária. Vinda da Bélgica, e depois de estudar no Porto artes gráficas, cenografia e vitrinismo, decidiu montar o seu ateliê na Rua Ribeiro de Sousa, bem perto das Piscinas de Constituição. Cedo percebeu que aquele espaço não deveria ser só seu. “Felizmente, ou infelizmente, sempre acreditei muito na partilha. Acho que as coisas funcionam melhor assim”, diz.

O ateliê deu assim lugar a uma “quase loja”, tal como o nome indica. Afinal “falta sempre alguém para dar alguma coisa”. O espaço está aberto a exposições de “artistas que estão a começar”. Actualmente, estão em exibição fotografias de Jacqueline Castelo Branco, mas basta enviar uma proposta para integrar esta “partilha de experiências”.

Aos pequenos carimbos, postais, caixinhas de música, ímanes e sabonetes – objectos, na sua maioria, importados de França – juntam-se os trabalhos de Carina, surpreendida pela visita da Praça a fazer caderninhos com desperdícios de papel.

No centro estão expostos gigantescos espanta-espíritos feitos de galhos e tecido. Também não conseguimos desgrudar os olhos dos pequenos quadros, em que a Carina constrói autênticos cenários para contar histórias de encantar, aplicando técnica mista com recurso a papéis, tecidos e, principalmente, “a memórias”, diz, enquanto explica que a roupa de uma das bonecas retratadas veio de um vestido que usou quando esteve grávida.

É verdade que a Quasi se situa longe da baixa, área onde hoje se concentra grande parte dos espaços de género, mas Carina só vê vantagens na localização actual. Pode dedicar-se aos seus trabalhos porque a loja tem menos movimento e os clientes são mais fiéis. “As pessoas têm de gostar para se darem ao trabalho de vir cá. “