3 Abr 2011, 13:11

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

Segunda mão original e em bom estado

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Na loja de Rosário Távora, encontra-se quase de tudo, e tudo em bom estado e original. Se procurar bem, encontrará preciosidades como um chapéu “do início do século XX, do tempo do vestido comprido”.

Zarecas Story

Há óculos vintage a 15 euros. Foto: AIP

Zareca é Rosário, Rosário Távora – mas, não se exceda, só a família e os amigos é que chamam a senhora assim. Esta professora e bibliotecária de 62 anos apanhou-se reformada e pensou “vou abrir uma loja”. De quê? De que seria, não importava na altura.

Faz 4 anos em Maio que a Zareca’s Story, uma loja de roupa e acessórios em segunda mão, abriu no Centro Comercial Bombarda. É bem possível que já tenha passado por lá e não tenha feito caso. A loja é pequenina e tal, meio confusa, tal é a quantidade de coisas que lá se encontram, e pode assim passar despercebida.

A Praça deixa aqui um apontamento sobre o negócio. A loja começou por vender “uns sabonetes da Ach. Brito, uns Moleskines” e roupa personalizada pela agora vizinha da frente, a designer de moda Marlene Torres (a marca/loja é a Amilod Zareg).

Logo no início, Rosário lembrou-se de levar para o CCB roupa sua – tinha muita coisa que já não usava, peças únicas, compradas nas inúmeras viagens que fez ao estrangeiro quando era mais nova, desde a Namíbia aos Estados Unidos.

Há cerca de 2 anos, começou com as vendas à consignação. “Começaram a aparecer aqui pessoas a perguntar se podiam colocar cá peças à venda”, recorda, em conversa com a Praça.

Cada peça é uma peça – sim, tal e qual cada caso é um caso – e a dona da loja discute o preço com quem lá vai colocar à venda a dita cuja, mas o negócio é 50-50. Rosário fica com 50% e os donos dos trapinhos vintage, da carteira Chanel ou dos óculos de sol à Woodstock com outros 50%.

Mas, atenção, se, nas últimas linhas, lhe passou pela cabeça ir até à Zareca’s largar o que não gosta, não usa, não quer no seu guarda-roupa, tire daí o cavalinho da chuva. Onde é que já se viu? Pois, o pior é que viu. Quando começou a ver que as pessoas deixavam lá armários inteiros e nunca mais lhe apareciam, Rosário passou a negociar um prazo para as peças estarem em exposição na loja. Se não se venderem, o dono tem de as ir levantar e dar-lhes outro destino.

Tudo em bom estado

A Praça perguntou o preço de algumas peças e aqui fica o resumo: uma boina daquelas à francesa pode custar 5 euros, os modelos vintage de óculos de sol 15 euros – são um sucesso –, camisolas de malha 20 e 25 euros, carteiras de marca (pela Zareca’s, já passaram modelos da Dior, Prada e Gucci) entre 25 e 80 euros, sapatos 25 euros.

Na loja de Rosário Távora,  encontra-se quase de tudo, e tudo em bom estado e original, desde peças de roupa a calçado, passando por bijutaria, carteiras ou outros acessórios. Se procurar bem, encontrará preciosidades como um chapéu “do início do século XX, do tempo do vestido comprido”, diz a vendedora.

Também pode sempre perguntar se não vir o que procura. É que Rosário tem “um armazém cheio de coisas”, com “muitos chapéus” (que estão guardados porque “as pessoas estragam-nos muito ao pegar”), na garagem do CCB.