22 Dez 2011, 10:49

Texto de Pedro Rios

Comes & Bebes

Zsa Zsa: Um restaurante húngaro no centro do Porto

Já foi um restaurante transmontano, chinês e agora é húngaro. O Zsa Zsa abriu este mês. Já provou goulash?

Zsa Zsa

Foto: Angela Costa

Já foi um restaurante transmontano, chinês e agora é húngaro. O Zsa Zsa abriu este mês na Rua de Santo Ildefonso, no centro do Porto.

Manuel Leitão, 62 anos, também já foi várias coisas. Teve um bar na Ribeira, o Zebras; foi professor, vendedor de sapatos e têxteis e, mais recentemente, produtor de espectáculos (oficialmente ainda o é, mas o Zsa Zsa é agora a sua vida).

“A minha profissão está uma desgraça”, confessa. Por isso, decidiu, finalmente, pôr em prática uma ideia com 4 anos: abrir um restaurante húngaro.

E a Hungria porquê? Porque é desse país que a esposa de Manuel é originária (faz parte do grupo de tradutores luso-húngaros da embaixada da Hungria e dá aulas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto).

“Conhecemo-nos há 16 anos, no Porto. Ela estudava português, a par de sociologia. Conhecemo-nos no bar [o Zebras]”, conta. A relação levou Manuel muitas vezes à Hungria, onde provou “coisas deliciosas” cozinhadas pela sogra.

Depois de alguns percalços na procura do espaço ideal, Manuel, a esposa e o filho, o arquitecto Pedro Cavaco Leitão, que desenhou o restaurante, encontraram-no junto à Praça dos Poveiros: um edifício de 1960, do arquitecto Pádua Ramos, cuja fachada exibe azulejos de Manuel Cargaleiro (venceram o Prémio Nacional do Azulejo, em 1956).

A comida “apaladada”

Quando entramos no Zsa Zsa (um diminutivo de Susana — uma referência à actriz americana, de origem húngara, Zsa Zsa Gabor), pomos os pés num bar.

Nas paredes há reproduções de cartazes da boémia húngara. Um bar bem guarnecido guarda um manancial de bebidas, incluindo vinho húngaro (trazido por um produtor amigo) e digestivos locais. Enquanto se espera por mesa ou depois do trabalho, pode-se beber um copo enquanto se petisca uma pogácsa, um pastel salgado, ou um strudel de requeijão.

Zsa Zsa

Foto: Angela Costa

Podemos ficar pelo bar (onde há menus de degustação, com 4 tachinhos, por 8 euros) ou passar para o andar de cima, onde fica o restaurante. Nas paredes e móveis há fotografias, fotogramas de filmes e artesanato húngaros.

Não receie: a comida húngara é “apaladada”, rotula Manuel, mas nada a que estômagos calejados como o dos portugueses não se atirem sem medo.

Na ementa, há o obrigatório goulash, um guisado de músculo de bovino que é o “prato mais comum” na Hungria, sopa de feijão com pernil, não muito longe da nossa feijoada, e o mais excêntrico (e caro) veado com molho de mirtilos e croquetes de batatas.

Para a sobremesa, recomenda-se o somloi (é um fartote: uma espécie de pão-de-ló com nozes e passas, afogado em molho de chocolate e chantilly) e o parfait de papoila, cujas sementes são compradas n’A Favorita do Bolhão.

Desde que abriu, o Zsa Zsa tem sido visitado sobretudo por húngaros. “Húngaros que nem sabíamos que existiam. A maior parte dos húngaros [na cidade] são músicos da Orquestra Nacional do Porto”, conta.

Uma refeição com entrada, prato principal, sobremesa e vinho pode rondar os 15 euros, consoante as escolhas. O Zsa Zsa está aberto de terça a sábado, das 17h à 1h, e aos domingos, das 12h às 17h (encerra às segundas).

  1. Paulo Santos da Cunha says:

    Quando ontem ao final da tarde li este artigo, fiquei curioso mas sinceramente achei que era “muita parra e pouca uva”. Mas nada como ir ao sítio experimentar para fazer a prova dos noves. E foi o que fiz ontem, pelas 10 da noite.
    A descrição que o PORTO 24 faz do restaurante é uma fiel descrição do espaço e daquilo que se pode esperar daquele espaço.
    Duas notas apenas. Por um lado a qualidade do vinho branco originário da Hungria, de grande qualidade e a preço decente. Por outro lado e muito importante, um serviço de enorme qualidade ao nível da confecção e da apresentação dos pratos, mas também um serviço de mesa ao nível daquilo que de melhor se tem por esse mundo fora.
    Um sítio a experimentar, e a repetir.