22 Nov 2013, 16:13

Texto de Rafael Ferreira

Coisas

Primeira Demão renova e dá vida nova a peças recentes ou “monos”

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A Primeira Demão é um projecto de carpintaria criativa e renovação de objectos e móveis de Patrícia Barbosa. A arquitecta portuense renova móveis por encomenda e cria peças próprias.

Primeira Demão

Patrícia Barbosa renova peças de mobiliário por encomenda mas também recicla e cria peças próprias. Fotos: Cláudia Silva

Se tem alguma peça antiga, em madeira de preferência, e estava convencido de que a mesma já não teria mais utilidade – esteve mesmo quase a deitá-la no lixo –, saiba que esse objecto ou peça de mobiliário pode vir a ganhar uma segunda vida. A Primeira Demão encarrega-se disso mesmo.

Patrícia Barbosa, arquitecta que criou o projecto de carpintaria criativa e renovação, explicou à Praça que “o conceito da Primeira Demão passa pela renovação de peças que as pessoas têm em casa, através de encomenda”, e pela criação de peças próprias, recicladas.

“Mas também vendo peças renovadas, depois de as comprar em segunda-mão ou alguém me dá uma peça que já não precisa”, confirma a empreendedora, que renova “todo tipo de peças”.

“Desde cadeiras, mesas até carrinhos de chá. As pessoas mostram o que têm e vejo se as posso avaliar, depois, a ideia passar por renovar, recuperar e dar um bom tratamento ao nível técnico para que o objecto possa durar mais tempo. Por exemplo, uma peça em madeira maciça digo que vale quase sempre a pena recuperar, porque pode ser limpa e polida e ficar bem no final”, diz Patrícia Barbosa.

Natural do Porto, esta arquitecta de 30 anos trabalha sob o lema “Procuro monos”. Patrícia explica o que quer dizer com isso: “Pretendo que as pessoas que tenham móveis, portas, todos tipo de objectos em madeira, e queiram se desfazer deles, venham falar comigo. Podem interessar-me para o meu trabalho. E é nessas situações que se encontram peças a que ninguém dá valor e que quando recuperadas podem ter [esse valor]”, explica.

A mentora da Primeira Demão revela que desde tenra idade estabeleceu uma ligação com a renovação de móveis. “Estou habituada a fazer este tipo de trabalhos com os meus pais, desde pequena, e quando precisei de mobilar a minha casa aproveitei a mobília dos meus pais e dos meus avós. Depois foram os amigos que viram e gostaram, acabando de seguida por receber as primeiras encomendas e começou assim o trabalho”, contou à Praça.

Mas Patrícia sublinha que é também por uma preocupação ecológica que realiza este trabalho . “Tenho consciência ecológica de não estar sempre a comprar peças novas”.

Para além da formação académica, foram as visitas que fez aos Açores e, depois, à Finlândia que lhe permitiram aprender uma técnica nova e colocar em prática a experiência ganha. “Estive numa residência criativa numa escola de artesanato, nos Açores, e aprendi uma técnica nova de trabalho com palhina. Na altura, achei que podia ser útil no restauro de mobiliário. Nos Açores, fiz uma namoradeira a partir de duas cadeiras, antigas, que uni e a que acrescentei elementos em palha e também trabalhei nas carpintarias com os mestres mais antigos. Depois apareceu a oportunidade de ir para um arquipélago na Finlândia – Turku – e acabei por trabalhar aí na manutenção das casas em madeira e nos barcos, num projecto de voluntariado europeu de protecção ambiental”, partilha.

Apesar de a Primeira Demão, cujo nome surgiu “com os trocadilhos entre material em segunda-mão e primeira demão que é o primeiro passo para recuperar um objecto”, não ter loja ou ateliê abertos ao público, o projecto tem 2 ‘montras’ na Internet: o site ou a página no Facebook.

O projecto de Patrícia Barbosa tem pouco mais de ano e meio de existência e a criadora da Primeira Demão quer começar a expor o seu material em feiras. “Apesar de não ter loja física, vou começar a participar em feiras. Este fim-de-semana vou estar na Praça das Cardosas, no Urban Market, onde vou mostrar algumas peças minhas ao vivo”, avança.