4 Jun 2012, 10:59

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

Preguiçar numa aldeia histórica no Sul de França

,

Paisagem, aldeias históricas, gastronomia e vinhos. Aveyron, no Sul de França, tem isto tudo. Rodez, a capital, fica a uma hora e 40 minutos de avião do Porto.

Aveyron Abadia de Conques

A aldeia tem 90 habitantes, mas recebe 500 mil visitantes por ano.

A admirável abadia românica tem 104 vitrais da autoria de Pierre Soulages e, entre meados de Maio e finais de Setembro, é palco de concertos de órgão. Os pormenores da arquitectura e as histórias esculpidas na são tantos, que vale a pena fazer uma visita guiada (45 minutos, todo o ano e, por marcação, disponível em português). A igreja – que ainda é local de culto de uma congregação de monges – está “despida” das relíquias, que podem ser vistas na Sala do Tesouro e só são exibidas no templo uma vez por ano, no dia da Santa Fé (6 de Outubro). Saiba ainda que, em Conques, há 200 alojamentos, incluindo o parque de campismo.

Tomando a estrada da margem direita do rio Lot, chegámos a Estaing, outra aldeia classificada, onde Giscard d’Estaing abre as portas do castelo – propriedade do antigo Presidente da República desde 2005 – uma vez por ano, na festa de Saint Fleuret. O monumento pode ser visitado todo o ano, mas Estaing só faz de guia no primeiro fim-de-semana de Julho.

Também visitámos Saint Eulalie d’ Olt, uma aldeia da Idade Média onde é possível ver artesãos locais a trabalhar em cerâmica, ferro, vidro, madeira e instrumentos de cordas. Há crianças que vêm de todo o departamento para conhecer estas tradições.

Gastronomia e vinhos

Como ponto prévio, devo confessar que me conquistam facilmente pelo paladar. Daí que dizer que a gastronomia e os vinhos são a terceira razão para conhecer Aveyron é apenas dizer muito bem dos 2 argumentos acima enunciados.

Mundialmente conhecido, o vinho de Marcillac beneficia de um micro-clima propício à cultura da vinha e é feito com Mansois, uma casta originária de Espanha e que dá néctares muito aromáticos, com carácter e boca cheia. Em Valady, visitámos a adega do produtor Les Vignerons du Vallon e, para além do Marcillac, provámos – e trouxemos, por 10 euros a garrafa – Ratafia, um aperitivo docinho que só se faz na região e que é usado como bebida de boas-vindas.

As instalações que espreitámos tinham sido inauguradas há apenas 15 dias, em Abril. Até ao final do ano podem ser visitadas gratuitamente e o produtor, que produz 500.000 garrafas de vinho por ano, oferece a degustação dos vinhos. Depois, a entrada, com a prova, custará 3 euros. Há visitas todos os dias e não é preciso marcar.

Aveyron Queijo de Laguiole

Sandrine Mouteiro guiou-nos pela fábrica da Jeune Montagne.

Os queijos Laguiole e Roquefort são outras perdições gastronómicas de Aveyron. O Laguiole é um queijo forte, feito com leite de vacas Simental, não pasteurizado. Na Jeune Montagne, Sandrine Mouteiro explicou-nos que esta cooperativa, a única empreza que produz este queijo DOC no mundo, só utiliza leite recolhido na véspera da produção. O preço varia conforme o tempo de maturação do queijo: o mais jovem, com 4 meses, custa 10,8 euros o quilo, enquanto o Laguiole com 2 anos custa 17,9 euros o quilo. Infelizmente, este queijo não chega a Portugal – o facto de cada queijo ter 42 quilos é um dos entraves à exportação.

O Roquefort, o produto gastronómico francês mais conhecido além-fronteiras, é produzido em Roquefort-sur-Soulzon, no interior da montanha mágica de Combalou. A cave da Société – o maior produtor deste queijo, que em 2013 celebra 150 anos – que visitámos (a visita guiada custa 5 euros e inclui uma degustação no finall) começou por ser uma pequena gruta natural e foi escavada pelo homem durante vários séculos até ficar com a área actual: 10.000 metros quadrados distribuídos por 11 pisos.

O queijo é feito com leite de ovelha não pasteurizado, sal marinho de Aigues-Mortes e Penicillium, um fungo comumente conhecido por bolor, e fica nas caves, onde a temperatura ronda sempre os 10oC, de 3,5 meses a um ano. Custa entre 18 e 40 euros o quilo.