Image de Photo Ark alarga exposição no Porto até 29 de julho

Foto: Lília Nunes Reis

Imagem de Photo Ark alarga exposição no Porto até 29 de julho
Imagem de Photo Ark alarga exposição no Porto até 29 de julho

29 Abr 2018, 14:55

Texto de André Rubim Rangel

Cultura

Photo Ark alarga exposição no Porto até 29 de julho

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A exposição concebida pela National Geographic, da autoria do conceituado fotógrafo Joel Sartore, está pela primeira vez em Portugal e patente na Galeria da Biodiversidade – no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), instalada na Casa Andresen (dentro do Jardim Botânico), desde 18 de outubro. Inicialmente, estava prevista terminar a 29 de abril. No entanto, a boa notícia para quem ainda não viu a exposição – ou deseja ver outra vez e convidar outras pessoas a não perdê-la – é que tem mais três meses para poder fazê-lo. É imperdível esta bela arte de Sartore pela nova arca de Noé fotográfica que salva e pretende salvar animais em vias de extinção, fotografando espécies em cativeiro e apelando à conservação dos animais mais vulneráveis do planeta.

Para acompanhar esta reportagem escrita, convidamos a fotógrafa algarvia Lília Nunes Reis (fundadora dos projetos #portugueselily e #fifty-fifty) para mostrar esta exposição aos leitores do Porto24 pela sua ótica. Escolheu estas suas fotografias, tanto no seu registo habitual de preto e branco, bem como no tratamento em distintas cores sobre a mesma foto – de Joel Sartore brincando com um animal –, que simboliza a sua interação com a «diversidade» no pleno conceito do mesmo.

Foto: Lília Nunes Reis

Foto: Lília Nunes Reis

A “hashtag” criada nesta expo e a partir dela é precisamente: #SalvarJuntos. Todos podemos realmente salvar, juntos! Por exemplo, através de “selfies” com as fotos expostas, como forma de combate à extinção: originada por mudanças ambientais, seja pelo desaparecimento de habitats, seja pela caça e consumo para alimento, seja como vítimas de tráfico ilegal… O grau de ameaça sobre as espécies fotografadas é variável, mas todas têm uma história que precisa de ser contada, ouvida e mostrada! Aqui e em qualquer lugar do planeta, para o bem do mesmo e pela preservação de todos os seres vivos que o constituem. Todas estas criaturas são fundamentais para a sã sustentabilidade e prosperidade do planeta, desde o mais pequeno ao maior, do mais fraco ao mais forte, etc. Todos são necessários e têm uma função própria e útil na natureza e na defesa do meio ambiente! Esta excelente exposição, muito bem conseguida e muito bem montada, ajuda-nos a perceber isso mesmo.

Em termos estatísticos da exposição, a nível interno, de referir que foram fotografadas cerca de 7.000 espécies, ou pouco mais – ao longo de uma década –, sendo que haverá mais de 12.000 em cativeiro em todo o mundo e estão destinados 25 anos para documentação. Para o efeito, já foram visitados mais de 40 países, entre os quais Portugal, cujo Leopardo-da-Pérsia (do Jardim Zoológico de Lisboa) foi também fotografado. A nível externo e segundo a organização – na pessoa da Diretora de Comunicação do MHNC-UP –, foram já cerca de 50.000 pessoas que visitaram a exposição num espaço de seis meses, “superando completamente as expectativas iniciais” – conforme alega. Maria João Fonseca acrescenta, ainda, que o impacto desta expo mede-se “não só pelo volume de visitantes que já visitaram a exposição, mas, sobretudo, pelas suas reacções, pela forma como se ligam às fotos e aos animais nelas representados. Mais, pela forma integrada como percepcionam esta exposição em articulação com a exposição permanente da Galeria da Biodiversidade – Centro de Ciência Viva, tirando partido de uma experiência verdadeiramente complementar”.

O certame em questão dá-nos algumas lições básicas de como podemos ajudar a salvar espécies. E uma delas é efetivamente a preservar os habitats e a gerar programas reprodutivos, que não somente para aquelas espécies normalmente mais amadas pelos cidadãos do mundo – tais como os pandas, leões e chimpanzés –, mas também para os sapos, ratos e insetos, que estão à beira da extinção.

A EXPOSIÇÃO PERMANENTE SOBRE BIODIVERSIDADE

Quem visita a ‘Photo Ark’ como que é brindado com a magnífica exposição fixa naquela Galeria, potenciando os vários espaços e salas da Casa Andresen, e que em tudo se completam e complementam num mesmo denominador comum: a diversidade na/pela biodiversidade.

Foto: Lília Nunes Reis

Foto: Lília Nunes Reis

Esta exposição alerta para a importância da preservação da biodiversidade, sendo esta a diversidade dos seres vivos, num conjunto de objetos e organismos existentes há mais de 13,5 mil milhões de anos desde os primórdios do Universo. E escala quatro princípios fundamentais dessa desejada preservação: o estético, o ético, o económico e o científico.

Eis, de forma solta e informal, alguns dos subtemas e títulos interessantes que pode visionar nesta biodiversidade englobante e eximiamente bem caracterizante: a diversidade dos ovos (donde se reflete a diversidade dos animais), a reivindicação do lobo, a diversidade de tamanhos, a analogia e homologia, a beleza da diversificação expansiva do milho, a grande caixa de comprimidos, a selecção sexual, a diversidade verde, as variações de um único tema, a diversidade genética vs. incerteza, o teatro dos sentidos, diferentes perspetivas, a diversidade de formas, o coelho de Porto Santo e o sonho de Darwin, a seleção natural, a diversidade da língua, entre outros.