16 Jan 2011, 16:21

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

“Perceber de vinhos não é assim tão complicado”

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Do curso “Vinho, A Minha Primeira Vez”, que decorre mensalmente no Palácio da Bolsa, “ninguém sai graduado”. A ideia é antes “desmistificar alguns mitos”. O primeiro mito a cair é o de que os vinhos são um bicho de 7 cabeças.

No Palácio da Bolsa, há cursos de iniciação à prova de vinhos. Foto: Ana Isabel Pereira

Do curso “Vinho, A Minha Primeira Vez” (35 euros por pessoa), organizado mensalmente pela Escola Essência do Vinho, em parceria com a Sogrape Vinhos, no Palácio da Bolsa, “ninguém sai graduado”, avisa o escanção Manuel Moreira. A ideia desta lição de cerca de 4 horas é antes “desmistificar alguns mitos”.

Perceber de vinhos “não é assim tão complicado”, garante o formador e colaborador da escola. O escanção assegura que “cada um pode desfrutar à sua maneira, usando algumas pistas”.

E desfrutar de um vinho percebendo um pouco do processo produtivo que lhe deu origem é possível. “A maior parte das vezes, não requer tanto talento, mas trabalho, vontade e interesse no assunto”, garante Moreira.

A avaliação de um vinho começa pela visão. Avalia-se a limpidez do néctar, a intensidade e a cor. Se inclinarmos o copo, ou melhor, dois copos com dois brancos ou dois tintos diferentes, podemos observar melhor a cor do líquido junto à auréola que este forma. A cor é a primeira pista para adivinharmos características como vinho como “tipo de uva, idade ou técnica de vinificação”.

Segue-se a apreciação pelo olfacto. E aqui, atenção: os aromas – pode parecer óbvio para alguns leitores, mas nem toda a gente sabe estas coisas – são, na verdade, compostos químicos do vinho, moléculas que também estão presentes nos frutos, mas madeiras, nas plantas e flores, em especiarias…

“Um exercício interessante é ir a uma loja de perfumes e tentar identificar os aromas”, sugere Manuel Moreira. Há aromas primários (que provêm da matéria prima, ou seja, da uva), secundários (que decorrem da fermentação e das técnicas de fermentação utilizadas na produção do vinho) e terciários (que resultam da interacção do vinho com elementos terceiros, como a madeira ou até mesmo a garrafa).

A doçura, a acidez, os taninos (responsáveis pela sensação de adstringência), o corpo, a intensidade aromática, o álcool e a persistência são características que identificamos na prova propriamente dita.

Um truque é inspirar à medida que sorve o vinho e, depois, expirar pelo nariz. A sensação olfactiva, captada por via retro nasal, é mais intensa.

O ideal é provar vinhos “de manhã”, quando “os sentidos estão descansados”. O ambiente também é importante, pois os cheiros podem distrai-lo neste “trabalho de detectives”.

O próximo curso é dia 19 de Fevereiro com Rui Falcão. Reserve um lugar nesta mesa pelo telefone 222088499 ou através do e-mail info@essenciadovinho.com.

Em breve, a Escola Essência do Vinho vai promover também cursos de culinária orientados por conceituados chefes de cozinha.