10 Mar 2011, 10:21

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

Pelos caminhos escondidos do Gerês

, , , ,

Acha que conhece o Gerês porque já esteve no São Bento da Porta Aberta e até veio de lá com a mala atafulhada de saquinhos de chás de plantas colhidas no Parque? Ui… Venha daí, que a Praça abre-lhe as portas do verdadeiro Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Santuário de Nossa Senhora da Peneda

O Santuário de Nossa Senhora da Peneda, em Arcos de Valdevez. Foto: AIP

Acha que conhece o Gerês porque já esteve no São Bento da Porta Aberta e até veio de lá com a mala atafulhada de saquinhos de chás de plantas colhidas no Parque? Ui… Venha daí, que a Praça abre-lhe as portas do verdadeiro Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Num dia de sol, à boleia da empresa Oficina da Natureza, seguimos de carro até ao Santuário de Nossa Senhora da Peneda, em Arcos de Valdevez. Daqui, da freguesia de Gavieira – território de pasto do Soajo –, tomamos (pergunte no Hotel da Peneda ou a algum taxista – aproveite e combine com o senhor para o apanhar no fim do percurso) a antiga estrada medieval que ligava os Montes Laboreiro e o Vale do Lima.

Começamos a caminhar junto ao rio da Peneda e vamos acompanha-lo durante algum tempo. Há muitos anos atrás, pisaram esta calçada monges dos mosteiros cisterciences de Fiães e Ermelo. Por aqui passaram abades, pastores, romeiros, mensageiros… e, agora, caminheiros.

Antiga casa dos guardas florestais

Uma antiga casa dos guardas florestais foi transformada para o turismo. Foto: AIP

O percurso que nos leva a Lamas de Mouro tem com cerca de 11,5 quilómetros. Nele, estão identificados e descritos mais de 20 pontos de interesse, de valor natural, cultural, geológico e paisagístico. Os carvalhos e os vidoeiros dominam a vegetação. Nos terrenos, vemos vacas de raça cachena – ou cabreira, uma raça autóctone – e barrosã.

Nesta altura, pode encontrar troços com poças de água e até enlameados, como nós encontramos, por isso, para além de adequado, o ideal é que o seu calçado seja impermeável.

Enquanto a caminhada é mais enérgica, fomos abrindo o corta-vento. Seguindo o conselho dos caminheiros mais experientes, quando parávamos para descansar e para petiscar – graças a eles, havia quadradinhos de chocolate e frutos secos, para repor as energias –, voltávamos a agasalhar-nos.

Seguimos caminho sempre pelo caminho medieval – se prestar atenção, vai ver as marcas dos carros de bois nas pedras –, até cruzar a Estrada Municipal 530.

Da paisagem de urze e pedra, entramos no bosque, onde impera o pinheiro silvestre (que deixa cair aquelas pinhas miniatura no chão), o carvalho e outras árvores.

Portas de Lamas de Mouro

As Porta de Lamas de Mouro, em Melgaço. Foto: AIP

Passamos por duas rochas que se assemelham a uma côdea de broa e à cabeça de um lagarto – é assim que os locais e os guias as conhecem.

O percurso faz-se, agora, em grande parte, paralelo ao Rio Mouro. Afastamos-nos por alguns minutos do curso de água mas logo voltamos a ele. Pelo caminho, vimos duas antigas casas dos guardas florestais. Uma delas foi recuperada e é alugada pelo Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG) a turistas. A outra está entregue ao vento, à chuva e aos animais.

Junto ao rio, domina o bucólico vidoal.

Chegando às Portas de Lamas de Mouro – uma das entradas do Parque, já no concelho de Melgaço –, parámos para almoçar (piquenique, claro!), seguindo depois (e aqui, note-se, já tinhamos feito os 11,5 quilómetros), subimos a montanha que aparece por detrás Centro Interpretativo do PNPG, em direcção a Castro Laboreiro.

Mariolas

As mariolas (montinhos de pedras feitos pelos caminhantes) mostram o caminho. Foto: AIP

Esta é a parte selvagem do percurso e vêm aí mais uns 7 quilómetros. Até aqui, estivemos a caminhar no complexo montanhoso Soajo-Peneda. Agora, entramos nos Montes Laboreiro. Aqui, o caminho está escondido pela vegetação.Um truque é seguir as mariolas, montinhos de pedras que os caminheiros que passaram por aqui antes de nós fizeram para nos guiar! Mentira, um truque é contratar ajuda. Sem um guia, nesta parte do passeio, o mais provável é perder-se. Pode contactar a Oficina da Natureza ou a Associação Regional de Desenvolvimento do Alto Lima (ARDAL).

Esta parte é mais agreste, menos tocada, mais bonita. Se prestar atenção e, mais uma vez, souber o que procura/levar guia, conseguirá ver pegadas de cavalos selvagens, lobos e corsas.

  1. Paulo Lopes says:

    Este percurso faz parte de um programa de 4 dias que permite um conhecimento mais profundo e genuíno do Parque Nacional Peneda-Gerês. Para quem gosta da Natureza não pode perder esta oportunidade.

  2. Estou a gostar muito mesmo deste projecto praça.porto24.pt. Parabéns. As coberturas de onde comer, veggie, ou económico estão muito boas e honestas.
    O mesmo já não diria sobre o pedestrianismo. Esta actividade merece mais atenção. É hoje considerado um desporto não competitivo.
    Não é forçoso contratar um guia. Há percursos marcadas, com vários tamanhos e graus de dificuldade. Há os bem marcados e mal marcados, o que depende das entidades promotoras dos mesmos. Esta informação está online.
    Tanto o artigo sobre o Gerês, que afinal é um percurso na Peneda, como o de Vila Pouca de Aguiar, deixam bastante a desejar e não reflectem o potencial do pedestrianismo. Vocês são capazes de fazer melhor.
    Parabéns e continuem assim.
    Manel
    http://aromancias.blogspot.com/