30 Mar 2011, 11:14

Texto de Pedro Rios

Coisas

Oporto Cycle Chic: O fato de treino é proibido

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Marquem na agenda: a 9 de Abril acontece o primeiro Oporto Cycle Chic, um passeio de bicicleta em que a única regra é aparecer com estilo.

Oporto Cycle Chic

A fotografia - Joana Campos Silva conduz a bicicleta - que deu origem ao evento: Foto: João Lopes Cardoso

Joana Campos Silva ficou espantada com o que viu em várias cidades europeias: um número infindável de pessoas que utilizam a bicicleta para ir para todo o lado e, ainda por cima, sempre com estilo. Uma ideia meteu-se na cabeça da portuense de 24 anos: trazer um bocadinho do que viu para a sua cidade. No dia 9 de Abril, acontece o primeiro Oporto Cycle Chic (nome inspirado pelo site muito popular Copenhagen Cycle Chic, que gerou vários sites semelhantes em todo o mundo).

O percurso (da Ribeira até à Foz) não é muito acidentado, por isso, ainda há menos desculpas para não aparecer vestido a preceito. Há apenas uma regra: o fato de treino é proibido.

O passeio, marcado para as 15h30, tem tido um “óptimo feedback“, conta Joana Campos Silva, metade das Fashion Thinkers, um blogue de moda que se transforma agora também em promotora de eventos.

Tudo começou com uma brincadeira no Facebook. O [fotógrafo] João Lopes Cardoso publicou uma fotografia minha a andar de bicicleta no Facebook com o título ‘Cycle Chic’. E aquilo espoletou num grupo e, mais tarde, um evento”, diz.

Joana ficou fascinada como o que viu na Bélgica e na Holanda, mas foi Copenhaga que a impressionou mais (raparigas e rapazes a andar de bicicleta para todo o lado com sapatos e calças impecáveis, imunes às intempéries). “Vim rendida com o estilo de vida. Mesmo com chuva e frio, as pessoas passavam imenso tempo na rua. Usavam as suas bicicletas de vários géneros e feitios e sempre muito bem arranjados”, conta.

O evento conta com o apoio das Pretty Exquisite, consultoras de imagem que vão dar conselhos de roupinhas, acessórios e cortes de cabelo adequados para a ocasião (é espreitar o blogue do projecto), e da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, que vai oferecer sapatos ao rapaz e rapariga mais bem vestidos.

  1. O que a espantada menina não vislumbrou foi que o que lhe foi estranho não foi o andar bem vestido quando se anda de bicicleta.
    Foi o não andar de “fato de treino” e pronto.
    O resto ser-lhe-ia ainda mais complicado de compreender. No mais, não há paciência para moralismos activistas e ainda menos para activismos moralistas. Porque é essencial defender ideais, ou simplesmente discutir ideias, com seriedade: http://alturl.com/sdouw

  2. O hábito faz o monge e a necessidade a ocasião. Para participar na bicicletada de Fevereiro deitei à mão a muda de roupa que tinha no cacifo, et voilá! Um fato de treino! Mas não é um qualquer contrafeito comparado na feira de Custóias, não. Um original de uma marca alemã muito chique. Eu cá não tenho preconceitos quanto à indumentária para pedalar. Se for para treinar visto o equipamento com mais ou menos licra. Se for para o trabalho envio a inevitável calça de ganga e um pano a cobrir o coiro, qualquer coisa serve menos a gravata. Chique, chique, é dar ao pedal e sujar as mãos quando saltaa a corrente. Ainda se fossem nus em pêlo!

  3. O Cycle Chic não foi inventado por nós! Não inventamos nada, apenas adaptamos o evento ao Porto. O Cycle Chic começou na Dinamarca por um jornalista / fotógrafo. Ele registava as pessoas que vislumbrava nas ruas de bicicleta, que por sinal estavam muito bem arranjadas. Pensem, as pessoas andam cinzentas, principalmente nesta altura. Isto foi apenas um mote, para convidar as pessoas a sairem de casa, com um pretexto diferente “proíbida a utilização de fato-de-treino!”. Adapatado ao Cycle Chic já conhecido no Mundo Inteiro. Contamos com a vossa presença. O que queremos é animar as Ruas e aproveitar a incrível marginal do Porto, que infelizmente muitos ignoram.

  4. PJ says:

    acho que é uma iniciativa que, mais dia menos dia, acabaria por acontecer, e espero que o projecto seja bem sucedido cá pelo porto!

  5. Jorge Barbosa says:

    estive na irlanda ha umas semanas atrás e trouxe na minha mente exatamente isto. imensas pessoas, imensos percursos de ciclovia paralelo as estradas, tempo cinzento e frio mas nada impeditivo que cada um usasse sua bicicleta, na grande maioria dos casos, vestido civilmente! É verdade que o terreno ajuda muito pois é tudo muito plano, mas a verdade é que se trata de uma forma saudavel de se deslocar e bem viver. Por isso
    é que ninguém buzina; a bicileta é uma parte do mobiliario Irlandes. Lindo de se ver. espero comparecer se estiver por cá. Parabens pela ideia.

  6. As pessoas que espantaram a menina não saem à rua sem ser em “fato de treino” para participarem num evento ou com a esperança de se verem publicadas num site na internet. A iniciativa tem piada e até será merecedora do nosso apoio; o que é um pouco mais constrangedor será ter sido motivada por um espanto algo parolo.

  7. PJ says:

    não me sinto identificado com o conceito «cycle chic» mas apraz-me saber que o movimento se começa a instalar.
    não me sinto identificado com o conceito massa crítica mas apraz-me saber que tem cada vez mais participantes.
    não me sinto identificado com o questionário do IMTT mas apraz-me saber que começa a haver uma preocupação, no governo, sobre a matéria.
    etc, etc.
    gente, caso não tenham reparado, são tudo formas diferentes (e não concorrentes) vindas de uma vontade única: andar de bicicleta.

  8. João says:

    O que interessa é andar de bicicleta e respeitar os ciclistas estejam eles nus, de fato de treino ou casual/chique! Cada vez há mais pessoas a andar de bicicleta na cidade do Porto, é um facto. E este tipo de iniciativas só dão ênfase e cada vez maior para o uso da bicicleta no quotidiano da cidade….Parabéns pela iniciativa. Espero é que comecem a apostar nas ciclovias por toda a cidade do Porto!

  9. manueL says:

    manueL
    Tenho 50 anos ando de bicicleta desde os 6 anos,e sempre andei a passear de bicicleta como ando no dia à dia,isto é de sapatos, calças (com ou sem vinco)e camisa,por vezes com blazer mas de vez em quando lá passava por mim um atrasado que rugia qualquer coisa.Espero que este movimento modifique as mentalidades.BEM HAJA