3 Mai 2011, 16:53

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

Silêncio, que se vai cantar o fado!

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A Praça conta-lhe tudo sobre a nova Casa da Mariquinhas, que reabriu no sábado, e deixa-lhe outras sugestões para um roteiro do fado no Porto.

Inauguração da Casa da Mariquinhas Fado ao vivo

A inauguração da Casa da Mariquinhas foi no sábado. Foto: DR

A mais antiga casa de fados do Porto reabriu com nova gerência no último sábado. A Casa da Mariquinhas vem alargar a oferta de uma cidade que, aos poucos, se reencontra com a canção que é candidata a Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO). A Praça conta-lhe tudo sobre a nova Casa da Mariquinhas e deixa-lhe outras sugestões para um roteiro do fado no Porto.

Casa da Mariquinhas

Jorge Filipe Couto e Vítor Gonçalves, amigos de infância, são “filho de cozinheiro” e “filho de fadista”, respectivamente, e resolveram abrir uma casa de fados, porque são “amantes do fado, da boa gastronomia e dos bons vinhos”, explicou à Praça Jorge.

“Já conhecia a Casa da Mariquinhas desde que me conheço. Esteve fechada cerca de 10 anos e é a casa de fados mais antiga do Porto. Foi fundada por Heitor Gil de Vilhena e remonta a 1968″, refere Jorge Couto. Para além de gostarem da ideia de ocuparem um casa com história – por aqui passaram grandes nomes do fado nacional como “os Marceneiro, pai e filho” –, os 2 sócios quiseram “apostar numa zona que está a ser reabilitada, o Morro da Sé”.

A Casa da Mariquinhas (Rua de São Sebastião, 25-27) apresenta fado profissional ao vivo, “com nomes consagrados”, às sextas e sábados (e, excepcionalmente, esta quarta-feira). Abre das 15h às 2h, de segunda a domingo, e “não está vocacionada para o fado vadio e procura novos valores, equacionando mesmo dedicar-lhes um dia”, adiante Jorge Couto.

A chefe Sandra Santos é responsável pela cozinha que cruza a gastronomia tradicional portuguesa e a contemporânea. As especialidades são o bacalhau à Mariquinhas (gratinado com maionese fresca e com maçã e pimento por cima, é servido com legumes e puré de batata gratinado), o bife à Mariquinhas (bife do vazio baixo, que leva presunto por cima, e vem à mesa a flamejar, com batata frita e legumes) e os petiscos tradicionais. Entre os petiscos, há um pão da avó que esconde uma pasta de presunto picado e queijo gratinado, tronchinhas de farinheira, laminado de enchidos e pataniscas de bacalhau – ou não fosse esta uma casa de fado! Como sobremesa, peça o semi-frio de framboesa ou a tarte de maçã com bola de gelado.

A carta de vinhos privilegia vinhos do Douro e produções “alternativas, que não estão à venda nas grandes superfícies e que poucos restaurantes têm”. O repasto fica em média por 30 € por pessoa e as reservas são pelo 915 613 877.

Casa de Santo António

Perto do Mosteiro São Bento da Vitória, há Fados na Tasca. Na primeira quinta-feira de cada mês, há fado ao vivo na Casa de Santo António (Rua S. Bento da Vitória, 80). Esta tasca reabriu em Outubro de 2009, pela mão de 3 amigos que a frequentavam, nos tempos de faculdade, quando o espaço ainda não era gourmet. Estas noites dedicadas ao fado são noites únicas, com um ambiente especial, onde é possível ouvir alguns dos melhores fadistas do Porto. À mesa, servem-se tapas portuguesas: cenouras cozidas, ovos-verdes, moelas, pataniscas de bacalhau, favas com chouriço, ovos mexidos com farinheira e timbale de frango com pimentos. Peça arroz de feijão, salada ou batatas fritas com especiarias para acompanhar. Vale a pena provar também a mousse de chocolate e a sangria caseira, 2 especialidades da casa.

Mal Cozinhado

O Mal Cozinhado (Rua do Outeirinho, 11) é um dos restaurantes da cidade onde a tradição do fado ao vivo se mantém há mais tempo. Também é o sítio com uma programação mais intensa. Aqui, há fado de segunda a sábado! Para comer, peça os bolinhos de bacalhau com arroz de feijão, os rojões à minhota, a posta mirandesa ou a mindinha no forno.

O Fado

No Restaurante Típico O Fado, uma casa inteiramente dedicada ao fado na zona histórica (Largo de São João Novo ,16), também há fado de segunda a sábado, à hora do jantar. Leonor Santos, Fernando João, Fernanda Moreira e António Laranjeira são alguns dos fadistas, mas os convidados estão sempre a mudar. As especialidades são bacalhau à lagareiro, polvo à lagareiro, arroz de bacalhau com pataniscas, rojões à moda do Minho, bifinhos de vitela com cogumelos e posta mirandesa.

Guarany

No Guarany, em plena Avenida dos Aliados, é ao sábado à noite que se ouve cantar o fado. Experimente o magret de pato, a posta mirandesa ou o bacalhau à casa. O jantar fica em média por 20 €.

Galeria de Paris

No Galeria de Paris, há fado à terça-feira, a partir das 21h. A ementa muda diariamente, mas há sempre entrecôte à Galeria de Paris e bacalhau com natas. O preço médio por pessoa/refeição é 15 €.

Maus Hábitos

O Maus Hábitos (Rua Passos Manuel, 178, 4º) tem organizado ciclos de fado com regularidade. O próximo é no Verão. Nos fins-de-semana de Julho a Setembro, haverá jantares com fado. O menu terá preço fixo e a ementa pode variar, mas conte com pratos como crumble de bacalhau, arroz de pato à antiga e rojões à minhota. Para comer e ouvir cantar o fado, prepare-se para desembolsar 20 €. Se for só pelo concerto – também pode –, a entrada custa 5 €.