3 Mar 2011, 10:11

Texto de José Reis

Praça

O que é que posso fazer neste pedacinho do Porto?

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Ana Neto e Joana Lima, da SPOT, são dos mais incansáveis agitadores culturais do novo Porto que se mexe.

Flea Market

Combinámos o encontro ao final da tarde no novo Café Vitória. Um café e dois chás, uma mesa pouco iluminada – uma penumbra acolhedora para falar de um movimento com três anos de vida e uma mão cheia de histórias para contar. A saber: o Flea Market, vários workshops e intervenções urbanas, como a ainda fresca Residencial M, numa casa devoluta do centro do Porto. Tudo com a assinatura SPOT – Sociedade Portuense, Outras Tendências.

Ana Neto e Joana Lima, que criaram a SPOT há 3 anos, são as responsáveis – não as únicas, claro – por sentirmos o Porto um pouco mais próximo de Nova Iorque.

Com elas caiu por terra o medo de usar o espaço público como nosso. “A nossa ideia inicial passou por aí: sentimos que existia espaço público, mas que não se fazia nada para o aproveitar artisticamente”, conta Ana.

Fartas de verem esse desperdício, meteram mãos à obra e decidiram investir nas ruas, praças e noutros locais públicos da cidade. Objectivo: pôr os portuenses a pensar “o que é que posso fazer aqui?”.

“Levei a cabo uma actividade na Universidade Lusófona. As pessoas inscreviam-se num curso cuja ideia era levá-las para a rua e fazê-las pensar sobre as potencialidades artísticas que uma esquina, por exemplo, nos podia apresentar”, exemplifica Ana.

Feira da Ladra à maneira do Porto

“Se Lisboa tem uma”, pensaram, “por que não criar uma para nós, aqui no Porto?”. Pensado e feito, lançaram o Flea Market, a “Feira da Ladra do Norte”, onde tudo se vende.

“Neste momento há 4 mercados urbanos na cidade. Não há espaço para crescer em número. Mas sinto que o nosso é uma maneira de estar diferente. No fundo, e ao contrário dos outros, nós andamos a brincar com isto”, diz Ana.

Cada Flea tem um tema – o último foi sobre música. O próximo é o primeiro fora do Porto – será em Aveiro, a 19 de Março, e o tema é… Aveiro. A estratégia permite-lhes “chegar a mais pessoas e experimentar ainda mais”, diz Joana. “E o facto de termos música já faz com que seja mais que uma feira. É já uma festa”.

  1. miguel soares says:

    Era mais giro se lhe chamassem Mercado da Pulga e do Piolho, ando um bocado farto do uso e abuso de palavras inglesas… e a feira da Vândoma, que é feito dela?

  2. João Santos says:

    A feira da Vandoma está de pedra e cal, ainda o fim de semana passado lá fui. Uma paisagem deslumbrante e vendedores a perder de vista. Vale a pena acordar cedo ao sábado e ir lá dar uma espreitada.

  3. Pelo texto da notícia até parece que não existem outras feiras de rua e bem consolidadas. Vandoma todos os sábados, e outras, periódicas, em Carlos Alberto, Cândido dos Reis, Praça Sá Carneiro.
    Há que conhecer melhor o Porto e falar e escrever depois.

  4. José Reis says:

    Caro Francisco Oliveira
    No texto surge referência à existência de mais mercados urbanos na cidade e em nenhuma altura surge expressa a ideia que a SPOT foi a primeira a avançar com uma feira na cidade. Mas com um carácter mais urbano e com uma maneira “diferente” de estar e sentir estes eventos, com uma temática específica e sem local fixo de realização, esta será, porventura, a única. Obrigado pelo seu comentário.