23 Fev 2013, 12:40

Texto de Carlos Luís Ramalhão e Carlos Luís Ramalhão

Praça

O que é que não pode perder no Fantasporto deste ano?

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Na extensa e variada programação do Fantasporto, a Praça encontrou eventos que não pode perder. Porque o maior festival de cinema do país é mais do que cinema.

O maior festival de cinema do país está quase a chegar e é mesmo aqui no Porto. A Praça seleccionou, de entre a programação que vai muito além da apresentação de filmes, alguns dos eventos a não perder. De 25 de Fevereiro a 10 de Março.

O Fantasporto de 2013 é um rapaz crescido. A experiência das 33 edições alarga-lhe os horizontes que, ainda que inseguros por vicissitudes de âmbito financeiro, se estendem ao longo de 2 semanas, abarcando muito mais do que cinema.

Antes do Fantas propriamente dito

A abertura oficial do festival está agendada para 1 de Março – veja a reportagem vídeo no P24. Desengane-se quem pensa que antes disso o Rivoli estará às moscas ou que o interesse das obras apresentadas no chamado “Pré-Fantas” é pouco significativo. De 25 a 28 de Fevereiro, o ritmo das actividades do Fantasporto em nada fica atrás da semana mais competitiva dos inícios de Março.

A 25 de Fevereiro, a cortar a fita não-oficial, os Beautify Junkyards sobem ao palco do Rivoli para executar ao vivo a banda sonora que criaram para o filme de René Laloux, “Planeta Selvagem”. A banda constituída em 2012 por elementos ligados aos Hipnótica musicou aquela que é, até hoje, a única longa-metragem de animação premiada em Cannes. Desta forma, o Fantasporto homenageia os 3 nomes por trás do histórico filme que celebra 40 anos: Stefan Wul, autor do romance original, Roland Topor, que criou os desenhos, e Laloux, o realizador. Às 22 horas, no Grande Auditório do Rivoli.

Ainda antes do filme-concerto, já o Pré-Fantas aquecew, com o início do Fantas em Curtas, que exibirá o que de melhor se faz em formato resumido por essa Europa fora. Todos os dias, de 25 a 28 de Fevereiro, o Pequeno Auditório do Rivoli mostra curtas-metragens provenientes de Espanha, Bélgica, Irlanda, Suécia, Suíça e Holanda.

Ainda a 25 de Fevereiro, destaque-se a exibição de “Tear This Heart Out!” (Arrancame la Vida- Mata-me!), de Roberto Sneider. O candidato mexicano ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro é uma história de amor passada na pós-revolução dos anos 30 e 40 do século XX, no México, e   conta com interpretações de Ana Claudia Talancón (“O Crime do Padre Amaro”) e Daniel Giménez Cacho (“Má Educação”).

A 26 de Fevereiro é exibido “The Disappeared”, do americano Johnny Kevorkian, com muitas caras conhecidas do cinema britânico, como Alex Jennings ou Tom Felton. A longa-metragem conta a história do desaparecimento de um jovem, acontecimento que perturba o Reino Unido. O filme baseia-se na estatística: há, por ano, cerca de 10 mil adolescentes britânicos que fogem de casa ou desaparecem.

“Hell’s Ground”, de Omar Ali Kahn, carrega em si a curiosidade de ser o primeiro filme de terror moderno com origem no Paquistão. A história de 5 adolescentes que se perdem a caminho do concerto de uma banda rock pode ser vista no dia 28 de Fevereiro, de tarde.

No mesmo dia, à noite, oportunidade de rever um dos grandes actores da América – e do mundo – em “The Aryan Couple”. Martin Landau, o Bela Lugosi em “Ed Wood”, de Tim Burton, vencedor de um Óscar pelo papel, é o protagonista deste drama passado na Segunda Guerra Mundial. O realizador, John Daly, é um produtor premiado com mais de uma dezena de Óscares que experimenta agora uma nova cadeira.

O Fantasporto de saltos altos

Com o mês de Março, chegam também a competição e a abertura oficial do Fantas. Para além dos filmes a concurso, inúmeros eventos paralelos multiplicam as possibilidades para os visitantes do festival. Nesta edição, o Fantasporto pretende fazer a ponte entre o cinema e a literatura. No entanto, a música, a fotografia e a escultura também fazem parte do menu.

A 1 de Março são inauguradas 3 exposições. O escultor Paulo Neves mostra 2 peças da sua autoria e a fotografia entra em cena com “Estrelas do Cinema Francês”, a exposição do Museu do Cinema de Melgaço que acompanha a retrospectiva clássica “Les Stars du Cinema Français”, e com “Divas do Cinema”, mostra de alguns dos mais belos retratos de estrelas femininas a nível mundial.

[caixa]António de Macedo, o “maldito” do cinema português. A 33.ª edição do Fantasporto vai homenagear o cineasta António de Macedo, pai da ficção científica no cinema português. Inovador, logo polémico, é um dos realizadores mais reconhecidos do Novo Cinema, que explora as técnicas do cinema directo. António de Macedo é responsável por obras como “O Princípio da Sabedoria”, “Os Emissários de Khalon” ou “Os Abismos da Meia-noite”. Outro dos seus filmes, “A Promessa”, debateu-se com sérios problemas de censura por parte do Estado Novo. Desiludido por se sentir marginalizado, Macedo retirou-se da Sétima Arte enquanto autor nos anos 90. Surge agora o tributo, através da entrega do Prémio Carreira por parte do maior festival de cinema em Portugal.[/caixa]

Também a 1 de Março, a estreia de “Mama”, de Andrés Muschietti, poderá despertar a curiosidade dos cinéfilos, não só pela presença do realizador, mas também pela actriz que protagoniza o filme: Jessica Chastain, apontada como uma das favoritas ao Óscar de melhor actriz por “00:30 A Hora Negra”, de Kathryn Bigelow. Esta longa-metragem, produzida por Guillermo del Toro, deriva de uma versão mais curta, ela própria exibida numa edição anterior do Fantasporto.

O destaque da abertura oficial do festival tem que ser forçosamente atribuído à homenagem a Michael Power e Emeric Pressburger, responsáveis por um sucesso com 65 anos. “Sapatos Vermelhos” não é só uma obra rara (existem pouquíssimas cópias), foi também considerado um dos melhores filmes britânicos de sempre.

A obra é vagamente inspirada num conto de Hans-Christian Andersen, cujo pai era sapateiro, e em recordações da infância dos autores. Os sapatos vermelhos de seda que decoram inclusivamente o cartaz deste ano do Fantasporto vão servir de tema a esta história onde o ballet é uma metáfora da vida.

O grande debate sobre o estado da união entre o cinema e a literatura acontece a 6 de Março. Os responsáveis pelo Fantas têm realçado a importância de se estudar a escrita de argumento, elo de ligação obrigatório entre livros e o grande ecrã. Com a presença de vários convidados, o piso 3 do Rivoli vai reflectir acerca da questão.

A 9 de Março, dia de encerramento do Fantas, é exibido Robot & Frank, de Jack Shreier, com Frank Langella, Susan Sarandon e Liv Tyler.

A música nas veias

Há muito tempo que o Fantasporto mostra o seu lado musical, muitas vezes roqueiro, na sua noite de despedida. Inevitável na programação do festival, o Baile dos Vampiros não falta à festa. A 9 de Março, a partir das 23h59, como manda a tradição.

Nomes como Legendary Tiger Man, DJ Kitten e WAG vão percorrer a História do cinema na sua vertente musical, exibindo uma selecção das bandas sonoras mais importantes desde os anos 60 e 70 do século passado até aos dias de hoje.

O Baile dos Vampiros é, para além de evento temático de máscaras, cocktails e música, a festa oficial de encerramento do Fantasporto 2013. Esta maratona de bandas-sonoras, vestida a rigor (dresscode: personagem de cinema) tem a fama de se prolongar até ao amanhecer.