17 Jan 2013, 13:53

Texto de Maria Martinho

Praça

O pastel de nata que viajou da capital para Santa Catarina

Joana Seixo e Nuno Lourinho viviam em Maputo quando souberam da possibilidade de vender pastéis de nata no Porto. É ela quem está à frente da loja de Santa Catarina.

Nata Lisboa

Joana Seixo e o marido, Nuno Lourinho, 35 e 38 anos, estavam a viver em Maputo quando em Agosto conheceram, através do programa “Imagens de Marca” da SIC Notícias, a intenção da empresa BeBusines de explorar o nome e o conceito do pastel de nata através do regime de franchising.

Movidos pela vontade de colaborar com o projecto, contactaram a entidade e agendaram uma reunião via Skype. O processo foi rápido. Em Setembro, depois de verem alguns espaços, assinaram o contrato para abrir a NATA Lisboa no Porto.

“Sabia que era difícil voltar a Portugal para trabalhar, mas esta foi uma boa oportunidade para o fazer”, recorda, em conversa com a Praça, Joana, que é formada em Engenharia do Ambiente.

O casal é natural de Santo Tirso mas admite que é no Porto que se sente em casa. A 23 de Dezembro, Joana e Nuno abriram uma NATA Lisboa no número 499 da Rua Santa Catarina, “uma rua comercial por excelência”, depois de outros empreendedores terem inaugurado lojas no Príncipe Real e na Bica, em Lisboa.

 “Aqui o pastel de nata é rei”

O “dono da casa” é fabricado em Lisboa numa pastelaria que desenvolveu com o projecto uma receita artesanal exclusiva para a marca NATA Lisboa. “Os pastéis são depois transportados para o Porto onde se inicia o processo de cozedura”, explica a dona.

Joana desconhece qualquer segredo ou particularidade da receita mas, como consumidora, garante que “a massa é mais estaladiça que o habitual e o recheio tem um ligeiro travo a limão”.

Em média são vendidos entre 300 a 400 pastéis de nata por dia. Individualmente a 1 euro ou em caixas de 6 por 6 euros, sempre acompanhados por mini-pacotes de açúcar e canela.

São servidos sempre mornos pois nas vitrinas existem placas especiais que os mantêm quentes.

No futuro, não pretendem aumentar a oferta na pastelaria. “Aqui o pastel de nata é rei e esta é uma casa inteiramente dedicada a este doce”, explica Joana.

Nata com companhia

O espaço não vive apenas da maravilha gastronómica. Para a acompanhar, há bebidas frias como limonada, groselha, chás frios ou sumos naturais, bebidas quentes como chocolate quente, leite ou café, e bebidas com alma como Moscatel, ginja ou vinho do Porto ou da Madeira.

“Fizemos um workshop no IVDP [Instituto dos Vinhos do Douro e Porto] para saber qual o tipo de vinho do Porto que acompanha melhor o pastel de nata. Descobrimos que o ideal seria o Porto Ferreira Tawny 10 anos e é esse que vendemos durante todo o ano a 3,5 euros”.

No Nata Lisboa, há a preocupação de adaptar a carta, desenhada numa das paredes do espaço, à época do ano.

Inicialmente julgavam que iriam ser visitados maioritariamente por turistas, mas a afluência de vários portuenses – um grupo abrangente e cada vez mais heterogéneo – tem surpreendido, pela positiva, os responsáveis deste projecto.

Do nome à decoração

Porquê manter no nome “Lisboa”? Joana admite que é um risco ostentar o nome “Lisboa” numa cidade bairrista como é o Porto, mas defende a importância de “assumir a origem dos nossos produtos”. “Como o galo é de Barcelos ou as francesinhas são do Porto”, o pastel de nata é de Lisboa, sustenta.

O franchising obriga a que toda a decoração esteja em conformidade com os 2 espaços que já existem, acrescenta Joana.

Apesar da coerência na imagem da marca, a loja do Porto é diferente. “Aqui as pessoas gostam de entrar, sentar, estar e conversar, por isso esta loja é ligeiramente maior do que as outras”.

Ao todo podem-se contar 4 mesas de madeira, num interior confortável e acolhedor onde predominam o preto e o amarelo, mas em breve serão ainda mais. “Vamos montar uma esplanada”, prometem à Praça.

Enquanto isso não acontece pode adoçar o seu dia visitando a NATA Lisboa de segunda a sexta das 8h às 19h30, ao sábado das 8h30 às 19h30 e – sim – ao domingo das 9h às 19h.

 

 

  1. Susana Correia says:

    Este é um bom exemplo de empreendedorismo. A Nata de Lisboa no Porto está a ser um sucesso, já lá fui várias vezes e a casa está sempre cheia, durante e semana e aos fins-de-semana porque de facto esta Nata é diferente das outras natas. Fiquei viciada no seu aroma, já me reconhecem quando lá vou por ser uma lambareira. O atendimento é realizado com muita qualidade, são acima de tudo muito acolhedores.

  2. Joana Seixo says:

    Obrigada Susana! Aproveito para agradecer aos meus colaboradores sempre com um sorriso para todos!! :)
    Obrigada equipa!

  3. Sílvia says:

    Parabéns ao casal pela excelente iniciativa! Um local a visitar muito em breve e certamente ficar cliente. Conheço o Nuno pessoalmente e bem merece este sucesso!

  4. Pedro Pizarro says:

    Como Tripeiro fiquei chocado com a notícia.
    Com tão bons pasteleiros, pastelarias e pasteis de nata que temos no Porto, abrem um estabelecimento em que os pasteis vem de Lisboa e são só cozidos no Porto? Poupem-me….que disparate!
    ” Os pasteis de nata são de Lisboa…”….desde quando? Ai esses trabalhos de casa mal feitos…quando muito o “Pastel de Belém” que é uma “variante” do vulgar pastel de nata….enfim…

  5. José Nogueira says:

    Ó Pedro, vá lá, então não acha chique termos cá a tigelinha, perdão, a nata de Lisboa? Então não comemos croissants, brioches, beefsteak, cheesecake, roastbeef, perdão, rosbife, french toast, perdão, rabanada, entre outras iguarias de origem estrangeira? Ó homem, um pouco de cosmopolitanismo, nem que seja saloio, só nos faz bem. E já agora, já reparou que o nosso snack, perdão petisco, mais recente também tem um nome estrangeirado? Exacto! Estou a falar da Francesinha…

  6. Maria Helena says:

    Ainda não conheço. Logo que possa não deixarei de ir á “Baixa” para saborear o famoso pastel Português! Não é importante a cidade. É nosso a prontos, carago. Não preciso dizer que sou do PORTO.

  7. Joana Gonçalves says:

    Que perda de tempo esse sentimento bairrista e tão pequenino. Natas são sempre bem vindas, nem que oriundas da China. Ainda não fui à pastelaria, mas hei-de ir.

  8. Manuela Pessoa says:

    O seu comentário
    Os meus parabens ao casal pela coragem de arriscarem neste projecto inovador em alturas de crise. Já lá fui, o espaço é acolhedor e as natas hummm……….. .as maiores felicidades.

  9. manuela says:

    O seu comentário fico inteiramente satisfeita com esta novidade pois sou de v n gaia e ia as vezes de proposito a belem comer estas natas, sao de facto fabulosas. bem hajam por nos proporcionaram aqui no porto as mesmas.

  10. Paulo Matos says:

    A todos os que tiverem oportunidade de ler o que vou escrever e deixar aqui apenas gostaria de lamentar o facto de se criar toda uma expectatica cheia de pomposidade em torno deste estabelecimento e quando damos por ela, vêmo-nos a chegar a este estabelecimento vindos de propósito de longe e vêmo-nos a olhar para uma montra competamente vazia ás 17.30h da tarde, perguntamos se não haviam natas e eis que alguém provavelmente mal-disposto por ter a sorte de ter um emprego, nos responde com um ar muit mal-humorado que ” as natas só saiem daqui por 12 minutos”… ficamos a olhar para a ilustre e muito mal-disposta funcionária que nos atendeu com tudo menos com um sorriso na cara e resolvemos ir embora sem provar as ditas… desejava imenso que os responsáveis por este estabelecimento revissem e estivessem com atenção ao modo de atendimento dos seus funcionários, principalmente aquela funcionária que pelos vistos não parece gostar muito do que faz, o que é pena…