27 Jun 2013, 13:23

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

O Fé associou-se a grandes marcas para abrir na baixa do Porto

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O ”naming” já chegou aos bares. O Fé Wine & club, na Praça D. Filipa de Lencastre, aposta nos vinhos e petiscos e na música ao vivo e tem espaços temáticos patrocinados por marcas como a Super Bock ou a Ach.Brito.

Fé Wine & Club

Fotos: André Soares

Já vai sendo habitual assistirmos ao naming em festivais de música, por exemplo; agora, a moda – e estratégia de marketing/negócio, conforme o lado da questão em que se estiver – chegou aos bares.

Na baixa do Porto, no número 1 da Praça D. Filipa de Lencastre, acaba de abrir o Fé Wine & Club, um projecto de 4 amigos, que decidiram ir ter com a Super Bock, a Sogrape, a Absolut Vodka e a Ach.Brito para patrocinarem o projecto.

As marcas dão o nome aos vários espaços do bar, cuja decoração é assinada pelo designer de interiores Paulo Lobo, e a aposta do Fé é nos vinhos e petiscos e na música ao vivo.

“As marcas pagaram para estar aqui, para inserirmos o seu conceito no nosso projecto. Cerca de 40% do investimento foi coberto por estas marcas, com quem temos, dependendo de cada caso, contratos de um a 2 anos”, revelou à Praça um dos sócios do Fé, Francisco Antunes.

A ideia surgiu há um ano, “por brincadeira”. “Tentámos usar a nossa experiência enquanto viajantes para implementar o que há em todo o mundo, que é o fim de tarde”, explicou Francisco quando a Praça visitou o espaço forrado com “mais de 10 toneladas de livros que iam para abate e listas telefónicas antigas”.

“Também é muito comum nas cidades europeias as tardes de domingo serem animadas. No Porto, isso não existe”, justificou ainda o empreendedor de 35 anos, formado em Marketing e Comunicação, que viveu em São Paulo e Barcelona.

Francisco e Zé Carlos Ortigão, 32 anos, que viaja pelo mundo inteiro como responsável pelas relações externas da Riopel, já organizavam “eventos de vez em quando”. Os outros 2 sócios, Bernardo Flores e Tiago Spratley, engenheiro metalúrgico e arquitecto, de 34 e 37 anos, respectivamente, foram em tempos sócios do Twin’s.

“Todos estivemos fora. Gostamos de sair à noite. Somos todos do Porto. Gostamos de viajar e beber um copo. E este sítio, que foi uma agência de viagens mas estava fechado há algum tempo, tem uma localização premium aqui na baixa”, justifica Francisco Antunes, o ‘relações públicas’ da equipa.

O Fé tem 4 espaços distintos (5 se contarmos com a pequena esplanada montada na rua): o bar principal, um cantinho com sofás, patrocinado pela Super Bock, a pista de dança e as casas de banho a que a Ach.Brito deu o nome.

Vinhos portugueses e do mundo

O bar-garrafeira do Fé é da Sogrape e inclui vinhos portugueses e “do mundo”. “A Sogrape tem vinhos do mundo e nós vamos ter aqui vinhos da Nova Zelândia e do Chile”, avança Francisco, sublinhando que o bar tem cerca de 40 referências de vinhos de mesa – a copo, o vinho fica entre 3 e 4,5 euros –, alguns vinhos do Porto – Offley e Sandeman; entre 3 e 7,5 euros –, espumantes, as habituais bebidas brancas – a vodca (Absolut) e o whisky (Jameson) custam 5 euros – e cerveja Super Bock em garrafa de alumínio.

“As cervejas vêm para a mesa num baldinho de 6 e o cliente paga só o que consumir”, explica o responsável, adiantando que o Fé quer fazer algo semelhante com o vinho. “Vamos tentar pôr a garrafa na mesa. Usa-se muito lá fora”.

Para comer, há petiscos entre os 3,5 e os 5 euros, como o montadito de ovo de codorniz com queijo fresco e flor de sal ou a salada com alface, tomate coração de boi, requeijão, maça e frutos secos. E há sobremesas, “caseiras”, a 3 euros e a 3,5, como os “caquitos” com mousse fresca de avelã ou a mini-tarte de limão com bolacha e hortelã.

À terça e à quarta, o Fé tem música ao vivo. “À partida vamos apresentar projectos novos e de várias áreas musicais”, adiantou à Praça Bernardo Flores, o sócio com o ‘pelouro’ da música. De quinta a sábado, a pista de dança da Absolut, na cave, será animada pelo DJ residente, Gonçalo Maria, e por DJ convidados. Aos domingos à tarde, há roda de samba.

O Fé Wine & Club abre à terça e à quarta das 15h à 1h, de quinta a sábado até às 2h e ao domingo até às 21h.

  1. Quanto às refeições, tanto o Almoço Buffet, composto por uma variedade de pratos típicos portugueses, como a sessão Vinhos & Petiscos, a partir das 19h00, composta por 5 tapas e vinhos em prova custam 25 euros cada, a acrescentar ao valor da prova de vinhos.

  2. Carlos Silva says:

    Acho uma excelente iniciativa, a baixa do Porto precisa de lugares diferentes. Agora, há algo que me faz confusão. Porque haveriamos de querer “Vinhos da Nova Zelândia e do Chile” e só “alguns vinhos do Porto”. O Português deveria consumir o que é seu, e não continuar a viver dos estrangeirismos.

    Boa sorte com este novo projecto!

  3. Production is around 5.5 million bottles/year, and harvest varies from 6000–9500 tons. It’s not a pretty winery, but good quality co-ops like this are hugely valuable because they make good, typical wines that all can afford.

  4. A importadora Vínica está trazendo vários rótulos do Primeiro Mundo com bom custo-benefício para o Brasil. Alguns deles já estão à venda em Brasília e sendo servidos em restaurantes da cidade. São vinhos e espumantes de bons preços na Europa e com margem bem abaixo das praticadas pelos principais importadores nacionais e, em alguns casos, até de produtores brasileiros. Entre os que experimentei nesta quarta-feira, numa degustação promovida pela Ideal Distribuidora (Baco Vinhos) e pela própria Vínica, no Restaurante Ilê, destaco: o Prosecco Superiore Brut Millesimato 2011 da Cecilia Baretta; o branco Abbazia di Novacella; e os tintos Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008 (um excelente Dão português) e o italiano Nizza 2007, um Barbera D’Asti DOC Superiore da Cantine Cavallotti. O grande vinho da noite, porém, foi o português. Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008, um DOC Dão, elaborado com mais de 30 tipos de uvas. E lá no Dão, é tradição misturar tudo, às vezes entra até uva branca no vinho tinto, com casca e tudo. Nesse caso, as vinhas velhas com mais de 60 anos, revelaram castas típicas como a baga e a touriga nacional, além de pinot noir e as pouco divulgadas por aqui tinta carvalho, tinta-pinheira e ainda rufete, jaen e alvarinho.