23 Jul 2012, 10:07

Texto de Ana Isabel Pereira

Coisas

Nova mercearia dos Caldeireiros nasce por amor ao Norte

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A Fado das Castas fica no centro histórico do Porto e aposta na venda de produtos do Norte. À mesa, é possível degustar todos produtos gastronómicos e vinhos que estão em exposição.

Fado das Castas

Fado das Castas abriu em Junho e aposta na venda de produtos do Norte do país. É uma loja-mercearia onde é possível degustar à mesa todos produtos gastronómicos e vinhos que se encontram em exposição.

Situada no número 88 da Rua dos Caldeireiros, divulga pequenos produtores do Norte do país, cujos produtos se destinam, em muitos casos e maioritariamente, à exportação, e produções artesanais. Na Fado das Castas, encontramos azeites e queijos de Trás-os-Montes; vinhos, doces e compotas do Douro; presunto de Amarante; bolachas e biscoitos do Grande Porto; ceiras tradicionais de Braga; brinquedos tradicionais de Valongo e sabonetes da Ach.Brito.

Mário e Raquel Cardoso, engenheiro industrial e gestora de qualidade numa empresa de construção civil, de 31 e 35 anos, respectivamente, querem dar a conhecer aos turistas que visitam o Porto e aos portuenses mais distraídos produtos únicos e icónicos da região Norte.

“Sempre gostámos muito do ‘atascadinho’. Começámos por fazer ‘atascadinhos’ em casa. Não fazíamos um jantar, mas íamos tirando coisas do frigorífico e ponto em cima da mesa”, explica à Praça Mário Cardoso, que deixou a Gestão Industrial para se dedicar a 100% à Fado das Castas.

Parafraseando um amigo do casal, Raquel resume desta forma a aventura a 2: “Este projecto foi feito com amor e por amor ao Norte”.

De comer e beber

Fizeram uma pesquisa por produtores pouco conhecidos que tivessem produtos de qualidade e começaram a firmar parcerias ainda antes de encontrar o espaço.

Têm azeites de Alfândega da Fé e de Vila Flor, queijos artesanais de um produtor de Alfândega da Fé – até agora, os queijos com mais saída são o curado picante e de salsa e alho –, compotas da Quinta da Aveleda – “difíceis de encontrar no Porto”, sublinha Raquel, e de sabores originais como limão ou laranja azeda –, bolachas e biscoitos da fábrica Paupério, beijinhos da Padouro, flor de sal – com vinho branco e ervas aromáticas e com Vinho do Porto e especiarias – da Quinta de Santa Eufémia, presunto de Amarante, conservas da Luças e da La Gondola e cervejas artesanais da Sovina.

“Tudo o que está em exposição, à venda, pode ser degustado à mesa”, diz Mário. O espaço mesas e bancos de madeira que foram feitos na Rua da Picaria, uma artéria do Porto conhecida pelas suas casas de marcenaria e carpintaria.

Do menu Degustar fazem parte petiscos (entre 1,5 e 9,9 euros) como o paté de truta com vinho do Porto, cogumelos em azeite, presunto fatiado na hora, chouriço de peru, filetes de truta fumados, queijo maçã e canela e queijo de ovelha deitado em compota de fruta.

“A broa vem de um padeiro da Maia. É uma broa de milho muito húmida que não se encontra aqui no Porto. O molete é um pão de água de uma das padarias vizinhas”, diz à Praça Mário.

Qualquer vinho à venda na mercearia pode ser servido a copo, mas há sempre um vinho da semana que fica mais em conta.

Artesanato

A Fado das Castas também vende produtos icónicos como os carrinhos em chapa e plástico da PEPE – lançados em 1922 e recentemente recolocados no mercado, vão ter um lugar de destaque no futuro museu dedicado ao brinquedo tradicional português que nascerá em Alfena, Valongo – e os sabonetes da Ach.Brito e criações de pequenos artesãos como as ceiras tradicionais de Braga a que Raquel e Mário acrescentaram uns galinhos que eles próprios fizeram em tecido.

O Fado das Castas tem cabazes com produtos já seleccionados entre os 10 e os 30 euros, mas estes conjuntos tipicamente para oferta podem ser personalizados com o mínimo de 4 artigos.

O espaço agora ocupado pela Fado das Castas já foi uma loja de Banda Desenha e já vendeu componentes eléctricos. Estava devoluto há algum tempo quando Mário e Raquel o encontraram. “Demoramos bastante tempo a encontrar o espaço certo. Tinha de ser na baixa/centro histórico”, conta Mário. O casal tem boas expectativas para a Rua dos Caldeireiros, onde infelizmente “já não há nenhum caldeireiro” mas que “na década de 50 tinha muito comércio”, acreditando que a rua está a dar os primeiros passos rumo a uma nova vida, partilha Raquel.

No futuro, estes “tripeiros de gema” querem dinamizar a mercearia ao sábado, com ateliês de pintura para os mais novos e provas gastronómicas e de vinhos.