27 Abr 2011, 18:31

Texto de Ana Isabel Pereira, com fotos de Cândida Ribeiro

Praça

No S. João… vá até Berlim

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Está aí à porta mais um fim-de-semana prolongado. A Praça sugere-lhe um destino internacional: Berlim! Não há sardinhas, mas há bolas de Berlim (sim, elas existem), passeios de bicicleta, uma noite ecléctica e louca, arte e, como é sabido, história.

Ainda falta para o S. João, é verdade, mas já se deu ao trabalho de ver em que dia da semana calha este ano o santo popular? Dia 24 de Junho é uma sexta-feira, feriado; dia 23 de Junho, a véspera, uma quinta-feira, também feriado (é o Corpo de Deus); depois, vem o sábado e o domingo. Ou seja, está aí à porta mais um fim-de-semana prolongado. A Praça sugere-lhe um destino internacional: Berlim! Não há sardinhas, mas há bolas de Berlim (sim, elas existem), passeios de bicicleta, uma noite ecléctica e louca, arte e, como é sabido, história.

Sítios turísticos óbvios

Pronto, há certas coisas que vale a pena ver, apesar de serem muito, mas mesmo muito, viradas para os turistas estrangeiros. Uma das coisas que encontrará por todo o lado são umas bolas de plástico transparentes (semelhantes aquelas que saíam naquelas máquinas em que se metia uma moeda e que existiam em qualquer café de beira de estrada, quando éramos putos) com “um pedaço de muro” dentro. Pois! Sim, sim… Pronto, se tem mesmo de trazer qualquer coisa para a malta lá de casa, vá às lojas de souvenirs do Ampleman – aquele homenzinho do semáforo que é um ícone de Berlim oriental e que, no tempo das 2 Alemanhas, só se via naquela parte da cidade e agora está por todo o lado.

Checkpoint Charlie, em Friedrichstadt, é um símbolo da Guerra Fria. No local onde outrora existiu um dos postos militares para passagem de estrangeiros e membros das Forças Aliadas da Alemanha Ocidental para a Alemanha Oriental, está uma réplica da sua estrutura. É obrigatório ver, mas mais pelo simbolismo. Existe um museu, mas, como tem apenas 4 dias, salte esta parte. Não vai perder nada que não encontre nos livros de História, em documentários ou livros. Para tirar uma fotografia abraçado ao senhor guarda, é preciso desembolsar 2 euros, mas se o apanhar distraído (difícil!), pode ser que consiga fotografa-lo de longe.

As Portas de Brandenburgo são majestosas e concorridas para as sessões fotográficas. O autocarro público número 100 (bilhete normal, ao contrário dos autocarros turísticos) tem 2 “andares” e passa neste e noutros pontos turísticos. Aconselhamos vivamente a voltinha.

A East Side Gallery, a maior galeria de arte a céu aberto do mundo, é imponente e inclui um mural de uma artista portuguesa. Quando o Muro de Berlim caiu, Ana Leonor Rodrigues morava no lado ocidental da cidade e foi a convite da alemã Ursula Wunsh que participou na pintura colectiva do símbolo maior da Guerra Fria. Este é o “pedaço” maior do Muro de Berlim que ainda se pode ver na capital alemã, mas – está sentado? – não está no mesmo sítio. A histórica construção foi recuada cerca de 40 metros, para permitir a construção da arena 02 World. Pois é…

A Ilha dos Museus – mesmo sem tempo para entrar nos ditos cujos – é outra paragem obrigatória, é uma zona muito bonita, onde nos sentimos pequeninos! Perto, para além da Catedral de Berlim, que vale a pena visitar, existem vários cafés com esplanadas e relvados onde pode beber vinho quente numa espreguiçadeira.

A Potsdamer Platz, com  o Sony Center e o Filmhaus, é o expoente máximo de uma arquitectura moderna, arrojada e que, embora pareça desgarrada da cidade histórica, se entende bem com as construções antigas de Berlim – as opiniões dividem-se, é certo, mas esta é a nossa impressão da cidade.

Fernsehturm, a famosa torre da televisão, está no centro de uma cidade que se desenvolveu de forma concêntrica, com grandes avenidas no lugar dos raios de uma espécie de circunferência. Um conselho muito importante: não vá ao entardecer ou à noite. É deitar dinheiro fora (11 euros), porque, com a escuridão, não vai identificar quase nada.

A cúpula de vidro do Palácio de Reichstag, a Praça não viu – teve qualquer coisa a ver com medidas de segurança extraordinárias. Ficamos à porta, mas retiramos uma lição importante que lhe deixamos aqui: consulte o site do Parlamento alemão e verifique as condições de visita na altura em que vai viajar. Marque a visita com antecedência.

Sítios turísticos não tão óbvios

Esta pode ser a última oportunidade para visitar um dos maiores símbolos mundiais do movimento Okupa. Tacheles, o edifício ocupado há 21 anos em pleno centro de Berlim, perdeu, no início deste ano, metade dos ocupantes, a troco de dinheiro, finalmente aceitaram sair.

De Oberbaumbrüke, a ponte sobre o rio Spree que liga os bairros de Kreuzberg e Friedrichshain, pode ver um prédio pintado de cima a baixo com um graffiti de Bansky. Perto da ponte, do lado de Kreuzberg, zona conhecida pelos bares e pela sua multiculturalidade, em Schlesische Strasse, há outro trabalho do artista britânico.

O Siegessäule é um monumento erguido entre 1864 e 1873, com uma coluna de 80 metros, no topo da qual se ergueu a estátua dourada do Anjo da Vitória, celebrizada no filme “As Asas do Desejo”, de Wim Wenders. Para chegar lá acima, é preciso subir os 285 degraus de uma escada em espiral. Quando a Praça viajou, o monumento estava em obras… Lembra-se? Verificar na Internet se os monumentos estão abertos antes de viajar e quais são as condições de acesso? Ok, mas nunca é demais repetir.

Ao ar livre

Ao domingo, há um mercado urbano – pronto, uma feira da ladra em Mauerpark, que vale a pena visitar. Mesmo que não esteja a pensar em comprar bugigangas, há sessões de karaoke ao ar livre a que se pode juntar ou simplesmente assistir. O mercadinho abre por voltar das 11h/12h e decorre até ao final da tarde.

Por detrás da East Side Gallery, há um bar de praia mais ou menos secreto, o Yaam Reggae Beach Club Berlin. Fica junto ao Spree, tem areia (colocada lá, claro), bares freaks, onde se ouve sobretudo reggae, e se podem ver os putos a andar de skate num half-pipe.

O melhor meio de transporte para andar em Berlim é a bicicleta. Pode aluga-la em qualquer hostel ou hotel. Na rua, tenha atenção, que as ciclovias são mesmo para os ciclistas. Se for atropelado por um berlinense esbaforido a caminho do trabalho, não diga que não foi avisado. É mesmo preciso ter cuidado!

Gastronomia

Em Berlim, não há, tirando a pastelaria, assim uma especialidade de comer e chorar por mais. Há é muitos restaurantes “do mundo” – imensos restaurantes turcos e chineses, mas também com cozinha italiana – onde é possível comer muito barato.

Voltando à pastelaria, a Berliner custa cerca de 50 cêntimos e é mais pequenina do que as que vemos por cá, mas semelhante em tudo o resto. Há outros tantos bolos que poderíamos recomendar, mas o melhor mesmo é escolher… quando lá estiver. O pão também é muito bom – a variedade é enorme e há vários pães com sementes.

Deve provar, pelo menos uma vez durante a sua estadia, as salsichas com batatas fritas e molho curry. Vendem-se em todo o lado, ao balcão, para comer na rua. Alguns sítios têm bancos no passeio, encostados à fachada, para as pessoas se sentarem. Não, não lhe mentimos: é uma especialidade, ao que parece, mas não é de chorar por mais.

Noite

Fomos parar sem querer à Discoteca Magnet (Greifswalder Str. 212-213, 10405 Berlin). Esta recomendamos, mas se quiser seguir o nosso método, aqui fica a história de como fomos lá bater: entramos no autocarro (no metro, também serve), vimos 3 alemãs giras e bem vestidas, como quem vai para a noite, vá, e perguntamos para onde iam. Sítios freaks há até dar com um pau. A Magnet é um sítio relaxado, com as entranhas à mostra e as paredes pintadas de escuro, onde a entrada custa 3 euros e existem várias salas, a pensar na gente que gosta de pop/dance, metal e rock alternativo – somos nós.

Onde ficar

Fique no Grand Hostel Berlin, que tem um ambiente jovem e descontraído e onde é possível dormir por cerca de 17 euros por noite. O prédio, de arquitectura típica, foi remodelado e transformado em hostel há poucos anos. Tem aquecimento central, recepção aberta 24 horas por dia e – esta é para as meninas – secador do cabelo na casa de banho! Fica em Tempelhofer Ufer, 14, 10963 Berlin. Em 5 minutos, de bicicleta (1 hora custa 5 euros), está na Potsdamer Platz.

Como ir

Do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, não existem voos directos para Berlim, mas pode viajar fazendo escala em Palma de Maiorca, Frankfurt ou Madrid, por exemplo.

Na ida, não é tão importante este pedaço de informação, mas na volta… Berlim tem 2 aeroportos e se a ida e o regresso forem em companhias aéreas diferentes, preste atenção ao aeroporto em que operam. Acontece aos melhores (quase) perder o voo por causa de uma aselhice estas.

Mauerpark