22 Set 2011, 11:53

Texto de Redação, com Lusa

Praça

No centro histórico, cruzam-se ritmos populares e urbanos

Da oficina “Ritmos Populares”, inserida no projecto Manobras no Porto, nasceu um grupo amador de percussionistas que transformou baldes de cimento e latas de tinta em instrumentos musicais.

 

Oficina Ritmos Tradicionais (Manobras no Porto)

Nesta oficina, cruzam-se pessoas de diferentes idades, profissões e experiências de vida. Fotos: Luís Barbosa

O centro histórico do Porto tem um novo grupo amador de percussionistas que reciclou baldes de cimento e latas de tinta e os transformou em instrumentos musicais para construir um repertório que cruza chula rabela com house e mistura fandango e funk.

Trata-se de uma oficina em que se mobilizaram pessoas do centro histórico da cidade de faixas etárias diferentes, que estão a cruzar ritmos populares do Porto com novos ritmos da cidade e em que os muitos dos instrumentos musicais utilizados foram construídos recorrendo à colheita de latas e baldes, em obras que decorrem no centro histórico, explica Artur Carvalho, o coordenador da iniciativa.

Uma chula que cruza com hip-hop, um fandango que cruza com funk ou uma marcha que se mistura com uma chula rabela (popular cantiga ao desafio cujo nome se deve aos barcos rabelos) são algumas das misturas de sonoridades que estão a nascer na oficina “Ritmos Populares”, iniciativa inserida no projecto Manobras no Porto e cujo objectivo é reativar a zona mais tradicional da cidade.

O repertório é tocado por mais de uma dezena de percussionistas amadores que vivem no Porto, designadamente no centro histórico da cidade, onde idades, profissões, e experiências de vida também se cruzam à volta da música.

Jorge Augusto, 41 anos e idade, actualmente desempregado, foi roadie (profissional que trabalha nos bastidores do mundo do espectáculo) de bandas como Xutos & Pontapés, Delfins ou The Gift e além de ser o baterista na Orquestra Som da Rua, do Serviço Educativo da Casa da Música, está também a participar na oficina “Ritmos Populares”.

“Como gosto de percussão, vim e estou contente”, revela Jorge Augusto, que esteve 20 anos ligado ao mundo da música como roadie e que agora, em vez de montar espectáculos, toca bateria.

Também Luís Costa, 23 anos, que espera entrar em breve num curso de Telemarketing e Administração, toca no novo grupo de percussão que nasceu da oficina “Ritmos Populares” e, apesar do seu som preferido ser rock gótico, garante que esta iniciativa o ajuda a adaptar-se melhor à cidade nortenha e lhe permite conhecer costumes tradicionais.

“Esta actividade está ligada à música e à cultura e como não conheço muito o Porto, porque estou aqui há pouco tempo a viver, foi uma maneira de descobrir a cultura e costumes da terra”, explica o jovem Luís Costa.

O público interessado pode ver e ouvir, gratuitamente, o peculiar grupo de percussão actuar no Passeio das Virtudes e no Largo da Sé, nos dias 28 e 30 de Setembro, pelas 17h.