Image de Na primeira pessoa pelo meio das cores do Cortejo Académico

Foto: Miguel Oliveira

10 Mai 2017, 16:07

Texto de Beatriz Carneiro

Cidade

Na primeira pessoa pelo meio das cores do Cortejo Académico

O Cortejo Académico é um dos momentos mais altos da semana da Queima das Fitas. Esta terça-feira foi vivido mais uma vez por milhares de estudantes da academia. E o Porto24 esteve lá.

“Às 14h30 no Palácio de Cristal” para se marcar o ponto de encontro. Está enganado quem pensa que vão chegar todos à hora marcada, mas ainda há tempo, o cortejo ainda não saiu.

Os atrasados vêm a correr do outro lado da rua e passam o sinal vermelho dos peões como quem não viu. Agora é descer a Jorge de Viterbo Ferreira, ali mesmo ao lado, em passo apressado até à Rua da Restauração.

Ouve-se o barulho dos sapatos dos trajados na calçada e alguém está a chamar bem alto de lá de cima por outro que já vai mais adiantado na descida. Atravessam de um lado para o outro da rua para se cumprimentarem. Quantos encontros se fazem neste dia…

A Rua da Restauração está cheia de uma ponta à outra. Aqui juntam-se todas as faculdades. Quem não é novo nestas andanças já sabe por onde tem de ir: para cima ou para baixo, em direção à sua “casa”. Os mais perdidos, levantam a cabeça, procuram a sua cor e furam toda a confusão até lá chegarem.

Afinal chegaram bem a tempo, ainda conseguem tirar algumas fotografias. Agora com este, depois com aquela, uma verdadeira dança de trocas e mais trocas de quem vai aparecer amanhã nas redes sociais.

De repente, já está. Começa o Cortejo Académico da Semana da Queima das Fitas de 2017. Medicina vai à frente, depois aparecem as Ciências, os muitos de Engenharia e logo atrás os de Letras. Ao olhar para trás, não se conseguem ver todos os que vêm a seguir.

Está mais calor e o sol brilha mais do que o esperado, mas ouvem-se rumores de que vai chover. “Cortejo molhado, cortejo abençoado”, há quem diga, e logo gargalhadas de quem nem se importa com os fatores meteorológicos ecoam por ali.

Quem está de fora vê passar os finalistas que vão levando, consecutivamente, as três bengaladas. As cartolas vão ficando cada vez mais amassadas pelos pais e amigos que não deixam de mostrar o orgulho no trabalho e esforço de quem as usa.

As bengalas são erguidas em forma de festejo por estes que se despedem de um curso ou de uma vida de estudante universitário e as fitas são abanadas por aqueles que estão bem perto desse momento, em cima dos carros decorados ou onde bem entenderem.

Os caloiros, esses, cantam com toda a pujança. Ainda agora chegaram, parecem poder tudo e vão em frente com toda a confiança.

O cortejo vê abraços de orgulho e amizade, sorrisos rasgados, lágrimas de quem não quer ir embora, festa, excitação e até a discrição de quem não é tão efusivo.

Antes de chegar ao cimo da Avenida dos Aliados, uma a uma, cada faculdade corre dos Clérigos até à Praça da Liberdade. Agarrados uns aos outros tentam não cair. Vão rápidos, gritam e festejam o aproximar da passagem na tribuna.

E numa última subida, estão quase lá. Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, está à espera para os ver passar e festeja com eles a alegria de terem conseguido o que quer que seja que cada um esteja a celebrar.

Depois de uma tarde (ou mais tempo) a percorrer as ruas da cidade, os estudantes passam a tribuna. O momento vive-se demasiado rápido para o que levou a chegar ali e, por isso mesmo, cada um tenta aproveitá-lo de uma forma especial. Em festa, a correr, de braço dado com os amigos mais próximos ou mesmo da forma mais desajeitada que encontram.

E acabou! Seguem todos juntos e cansados. Para uns foi o último cortejo, para outros mais virão. Todos o levam como um dos momentos mais altos desta semana dedicada a quem é estudante universitário no Porto.