5 Jan 2011, 10:46

Texto de Amanda Ribeiro

Coisas

Na Oportonidades há máquinas fotográficas que só vimos em filmes

,

Aberta em Outubro na baixa, a Oportonidades é uma loja de velharias e coleccionismo onde há de tudo. Até um gato persa branco e um anfitrião que parece nunca se esquecer de um cliente.

Jorge Cordeiro da Oportonidades

"Ser antiquário é um vício terrível", diz Jorge Cordeiro

Jarras dos tempos em que a Vista Alegre ainda produzia vidro por sopro. Uma Polly Pocket de ’89 – recente para uns, mas já um objecto de desejo de coleccionadores. Vários gira-discos com sabor aos dias da rádio. Polaroid, Minolta, Zeiss Ikon, Ricoh, Fujigascope.

Entrar na Oportonidades, na baixa do Porto, é regressar ao passado, mas não só. A loja dedica-se, como tantas outras na cidade, às velharias e ao coleccionismo, mas com pequenas diferenças. Primeiro, não há pó, nem uma única pista de desordem. A poltrona onde repousa o gato Sushi com o seu manto branco é também um convite ao conforto do cliente. A rara secção de livros de fotografia e de cinema pode ser consultada gratuitamente – não se paga mais por isso. E depois há Jorge Cordeiro, o anfitrião que parece nunca esquecer um visitante.

Começou no negócio das velharias há 15 anos, depois de ver a sua empresa de tratamento de águas residuais tornar-se, progressivamente, numa “agência financeira ou num banco”. Abriu uma loja de antiguidades em Vila do Conde, correu todas as feiras de rua de Lisboa – “um mercado fantástico” – e algumas do Porto. Vendia, mas também comprava velharias. E muitas. “É um vício terrível. Há um provérbio que diz: ‘o antiquário morre pobre e deixa os filhos ricos.’ E é verdade.”

Finalmente, em Outubro de 2010, Jorge Cordeiro tirou todas as colecções da arrecadação e abriu uma loja na baixa, zona onde se “desloca grande parte do público-alvo” da Oportonidades. A verdade é que a grande aposta do espaço vai mesmo para as máquinas fotográficas e câmaras de outras eras. “Está a passar-se com a fotografia o mesmo que se passa com o vinil. Há muita gente à procura de máquinas antigas”, salienta o coleccionador, que nunca pensou ter “tanto movimento” em pouco mais de três meses.

Na Oportonidades, encontra-se todo o tipo de objectos. Não é à toa que tem todo o tipo de visitantes: durante a visita da Praça, recebeu um melómano que colecciona gira-discos e um advogado em busca de um presente para a sogra. Claro que Jorge se lembra dele. “Comprou uma câmara e ficou fascinado com o rolo de 1965!”, diz-lhe. O cliente confirma: “Está lá exposto numa vitrine!”

Entre risos, Jorge desencanta um livro. “Vai achar piada”, garante, ao estender-lhe um volume de páginas bafientas. É um relato de um processo judicial de há muito, muito tempo. O advogado mastiga as palavras, lança gracejos, adoça as palavras mais técnicas. Por momentos, esquece ao que veio, mas Jorge já dança pelos armários. Estende-lhe duas jarras pintadas à mão. “São muito bonitas”, aprecia o cliente, antes de pousar o livro, virar as costas à porta e alvitrar: “Uma pessoa perde-se aqui.”

  1. Ivan Coelho Faria says:

    Boa Noite,

    gostaria de vender 2 máquinas fotográficas (1 digital marca Olympus e uma de rolo marca minolta), ambas em excelente estado de conservação e com bolsa de protecção, por míseros 50€! Onde posso fazê-lo? Obrigado e cumprimentos

    Ivan Faria