17 Out 2012, 19:52

Texto de Redação, com Lusa

Praça

Os Mind Da Gap celebram o futuro com mergulho em 20 anos de história

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À beira de celebrarem 20 anos de vida, os veteranos do hip hop portuense voltam aos discos com ”Regresso ao Futuro”, o sexto longa duração.

Mind Da Gap

Da esquerda para a direita: Ace, Serial e Presto. Foto: Nuno Lopes

Os Mind Da Gap (MDG), à beira de celebrarem 20 anos de vida, voltam aos discos com “Regresso ao Futuro”, o sexto longa duração. No novo álbum, o trio portuense explora novos caminhos, apesar de buscar uma sonoridade mais analógica.

Depois de “A Essência”, um assumido regresso “à origem” da banda, os 3 Mind Da Gap sentiram que estavam “livres para alguma exploração”, apesar de “Regresso ao Futuro” não ser “um disco experimental”, explica Presto.

Serial, o produtor dos MDG, afirma que se a banda procurou explorar novos caminhos na composição, na sonoridade quis voltar aos primórdios, aos tempos em que entravam “num estúdio que tinha uma mesa de mistura e um gravador de fita analógico”.

Serial arranjou uma mesa analógica para fazer um disco que “não é muito polido e conforme os standards actuais”.

“Esse som é o som que nos marcou quando era mais novos e que, como profissionais, ainda chegamos a apanhar numa primeira fase”, explica. “Era uma pintura diferente, com outros sabores e este disco, em termos sonoros, faz-nos lembrar um bocado os sabores desse tempo”.

O facto de serem veteranos do hip hop nacional dá-lhes “alguma sensação de responsabilidade” na hora de lançar um disco, admite Serial.

“Mas não é uma coisa que está muito presente quando chega a hora de fazer música”, acrescenta logo Presto, que afirma que ficam “sempre curiosos em relação ao que as outras pessoas vão pensar do disco”, mas que na altura de compor o fazem “para o umbigo”.

Conscientes desde o início

Os anos de estrada também já lhes ensinaram que “ainda existe esse estigma de que o rap é um subproduto da música“, afirma Presto.

“No princípio da carreira, isso sentia-se muito mais nas actuações ao vivo, no lançamento dos discos, na forma como éramos catalogados e o que se dizia de nós mas, aos poucos, as pessoas foram-se habituando a ouvir rap, perdendo alguns preconceitos”, diz o MC.

Mas se “descobriram que no rap não é uma coisa uni-dimensional , continua a ser “um género de música que muitas vezes não é considerado a par com outros estilos musicais”, ressalva.

Daí que admitam que o rap, apesar de ter as ferramentas certas para ser a banda sonora da contestação actual, dificilmente conseguirá ter, em Portugal, a capacidade de gerar hinos como o fazem bandas de cariz mais tradicional como os Deolinda. “Eles têm mais exposição”, afirma Serial.

O produtor orgulha-se de os MDG terem sido “uma banda muito consciente desde o início, alertando para estes problemas sociais e políticos desde há muitos anos”. E não perdem a verve com este “Regresso ao Futuro” – basta ouvir o primeiro single, “O Jardim“: “Este país não é para velhos/nem novos/ Há quem diga que é/para corruptos e preguiçosos”.

Novos fãs

O hip hop, apesar de ter ampliado públicos, também parece continuar a concentrar-se numa faixa mais juvenil.

“As pessoas chegam a uma certa altura e deixam de ouvir”, admite Presto. Por isso é com prazer que Serial descobre a renovação de seguidores nos miúdos da escola em frente a sua casa que apontam para ele e dizem “é Mind Da Gap”.

Para a rodagem deste álbum, os Mind Da Gap têm já concertos marcados em Outubro para Guimarães (20) e Lisboa (a 27 na Recepção ao caloiro), em Novembro em Bragança (7) e em Dezembro na Guarda (13) e Estarreja (14).