Image de Maia: 17 anos a receber um pedaço do mundo através da fotografia

Foto: Beatriz Carneiro

5 Jun 2017, 15:03

Texto de Beatriz Carneiro

Praça

Maia: 17 anos a receber um pedaço do mundo através da fotografia

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A 17ª edição da exposição World Press Photo, na Maia, já pode ser visitada. Está patente até ao próximo 16 no Fórum Maia e tem entrada gratuita. O Porto24 falou com Yi Wen Hsia, curadora da exposição.

A cidade da Maia é um dos 90 locais em todo o mundo que recebem este ano uma parte das fotografias vencedoras do 60º concurso da World Press Photo Foundation. A iniciativa anual tem como principal objetivo premiar o fotojornalismo em áreas como quotidiano, temas contemporâneos, natureza, pessoas e desporto.

Em 2016, concorreram 80.408 fotografias tiradas por 5034 fotógrafos de 125 países diferentes. A partir do concurso, a organização seleciona algumas das fotografias vencedoras que se reúnem numa exposição itinerante.

“Vamos a 45 países. Temos que tornar as exposições bastante compactas. Infelizmente, não conseguimos mostrar todas as fotografias, mas essas estão disponíveis no nosso site”, explica ao Porto24 Yi Wen Hsia, curadora da exposição.

No Fórum da Maia, a partir de uma colaboração com a Câmara Municipal, estão expostas 152 imagens que se encontram divididas ao longo de 62 painéis.

“É uma longa parceria e estamos muito felizes por voltarmos aqui outra vez”, afirma a curadora.
Mas será que as 152 fotografias refletem o estado do mundo atual? Yi Wen Hsia considera que “refletem apenas uma parte”.

Beatriz Carneiro

Yi Wen Hsia

“Olhamos pelas lentes dos fotojornalistas que escolhem um tema. Passamos por várias camadas: o fotógrafo, o júri. O que vemos aqui é só uma parte, mas acho que é uma parte importante”, acrescenta a responsável.

Existem dois assuntos que, ainda assim, segundo a curadora, dominam toda a exposição deste ano. “Se andarmos pela exposição vamos ver uma história que continua, a história dos refugiados. Tivemos isso no ano passado e este ano vemos a continuação da jornada. Esse tema representa uma grande parte das fotografias”, descreve Yi Wen Hsia.

O segundo tema é a relação do ser humano com a natureza que, na opinião da curadora, é um tema muito importante.

“Estou feliz que também se possa ver isso nesta exposição: o impacto que temos como seres humanos no nosso planeta”, revela ao Porto24.

Na exposição encontramos ainda a série intitulada ‘Um assassinato na Turquia’, do fotojornalista Burhan Ozbilici da Associated Press, que venceu o prémio na categoria ‘Spot News’ e a quem foi atribuído o prémio de fotografia do ano.

A fotografia retrata o assassinato do embaixador russo Andrei Karlov, em dezembro de 2016. O fotojornalista capturou o momento em que Mevlüt Mert Altintas, um polícia que fazia parte do dispositivo de segurança, gritava por Alepo com uma arma na mão depois de disparar contra o embaixador enquanto este discursava numa conferência de imprensa na Galeria de Arte Contemporânea de Ancara.

“Para mim é uma fotografia muito importante porque causou muito debate. Contribuiu para discutirmos o que é a fotografia e qual é o papel do jornalismo visual”, refere Yi Wen Hsia ao Porto24.WPP8

A escolha da fotografia do ano “não é fácil” e “é sempre um debate interessante”, descreve a curadora. “Se escolhêssemos um júri diferente provavelmente o resultado não seria o mesmo”, acrescenta.

Yi Wen Hsia admite que uma das discussões que a fotografia levantou foi se seria uma promoção do terrorismo, mas explica que outras pessoas encararam o prémio como um reconhecimento ao trabalho do fotojornalista, como foi o caso do júri do concurso.

“Esta fotografia foi escolhida porque representa o ódio do nosso tempo e também porque o fotógrafo mostrou muita coragem e foi capaz de captar a história toda”, explica a curadora.
Numa era em que todas as pessoas conseguem tirar fotografias de forma fácil, Yi Wen Hsia explica a importância de uma exposição como esta.

“Se olharmos em redor vemos o valor do jornalismo profissional: técnica, dedicação, uma boa história. Isso faz a diferença em relação ao jornalismo amador”, alerta a curadora.

E olhar em redor e não para um ecrã faz toda a diferença. Citando o fotojornalista Joel Silva, que integrou o de júri do último concurso, Yi Wen Hsia refere ainda que o valor acrescentado de uma exposição é “termos tempo para absorver a história” ao contrário do que acontece quando fazemos um scroll rápido no computador.

Certa de que a exposição estimula o debate, a gestora de exposições espera que a coleção apresentada faça com que as pessoas pensem sobre o mundo e permita que quem a visita repense o que é o jornalismo visual.

Por outro lado, espera que alerte para a importância da liberdade de imprensa, identificando este último como um problema ainda real, bem como as ameaças que muitos jornalistas sofrem. A missão é as fotografias “chegarem a cada vez mais pessoas”, indica Yi Wen Hsia ao Porto24.

O contrato da World Press Photo Foundation com a Câmara Municipal da Maia termina em 2018. Segundo António

António Silva Tiago

António Silva Tiago

da Silva Tiago, vice-presidente da autarquia, a exposição “é uma marca muito forte e é um privilegio para poder usufruir de um fotojornalismo de excelência”.

“É um acontecimento que deve ser continuado e devemos fazer tudo para o renovar e prolongá-lo por um novo contrato de mais edições. Vamos ter tempo por certo de no próximo ano abordar essa circunstância”, explicou o vice-presidente ao Porto24.

António da Silva Tiago referiu ainda que a Câmara Municipal da Maia não tem nenhum apoio para trazer a exposição para a cidade e que a gratuitidade do evento tem como objetivo “a formação da comunidade concelhia”.

Depois da Maia, a exposição World Press Photo vai passar ainda por Lisboa e Faro.