30 Mar 2013, 10:36

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

Jantar nas caves da Graham’s com vista para o Porto

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No Vinum Restaurant & Wine Bar, que nasceu da recuperação de antigos armazéns de vinho do Porto da Graham’s, em Gaia, os pratos – e a vista – são para partilhar.

O Vinum Restaurant & Wine Bar está aberto há um mês, apesar de a inauguração ter ocorrido há apenas uma semana, e faz parte de um projecto maior, de recuperação de antigos armazéns de vinho do Porto da Graham’s, que representou um investimento quase 3 milhões de euros por parte do grupo Symington e inclui também um armazém, uma loja, um museu e novas salas para eventos e provas.

O projecto do restaurante já tinha 3 anos e nasce de uma parceria entre a família que detém Graham’s e os Sagardi, família de origem basca que iniciou um pequeno império da restauração há 17 anos e tem actualmente 23 restaurantes espalhados por todo o mundo.

“É o primeiro restaurante do grupo em Portugal e espero que não seja o último”, diz à Praça o gerente do Vinum, Luis Gonzalez.

O universo que o espaço, pensado pelo arquitecto Luís Loureiro e onde antes existiam barricas, retrata é o do vinho e esta cultura está por todo o lado. Basta dizer que o restaurante é contíguo às caves da Graham’s – onde há visitas entre os 5 e os 50 euros. À mesa, a filosofia é a mesma de sempre dos Sagardi: pratos confeccionados com “matéria-prima de qualidade” e pensados “para partilhar” – pelo menos, é essa a sugestão do Vinum –, “porque no País Basco sempre foi assim, sempre se partilhou tudo”.

Mas, porque “o que a terra dá varia ao longo do ano”, o menu vai “variar a cada 2 meses”. O mar, esse, “varia todos os dias” e é por isso, explica Gonzalez, que o peixe no Vinum “é sempre o do dia”. Por isso, não estranhe quando ler no menu que há “peixe do Mercado de Matosinhos”.

Quem gosta de peixe apreciará também a torta de sardinhas e pimento verde assado (entrada), a sopa de peixe à moda dos pescadores da Póvoa de Varzim, os milhos de vieira ou o bife tártaro de atum com tomate confitado.

Nas carnes, o costeletão de vaca velha de Trás-os-Montes é o prato-sensação do Vinum, com alternativas interessantes como o bife tártaro, o rabo de boi estufado ou a presa de porco ibérico com chutney de verduras.

À excepção do costeletão, todos os pratos trazem acompanhamento, mas há a possibilidade de pedir acompanhamentos diferentes à parte.

“Conhecemos muito bem os nossos fornecedores. Compramos a carne directamente aos produtores, neste caso, de Trás-os-Montes, e o peixe compramos a um vendedor que, por sua vez, o compra directamente do barco, em Matosinhos”, explica Luis Gonzalez.

Vinhos dos 4 cantos do mundo

A carta de vinhos inclui 230 referências, vinhos “do grupo Symington e de amigos”, produtores dos 4 cantos do mundo, do Chile à Califórnia, passando pelas melhores regiões vitivinícolas francesas e, claro, por Espanha.

“As castas mais famosas no mundo estão na nossa garrafeira”, diz à Praça o gerente espanhol, que se diz “apaixonado pela cidade do Porto” e lhe gaba a iluminação. “Tenho a felicidade de viajar muito e é das cidades mais bem iluminada que já vi”, partilha.

O preço por pessoa varia, sobretudo em função do vinho que o cliente escolher, já que no Vinum “há garrafas que custam 800 euros”, mas uma refeição no restaurante da Graham’s pode ficar “por 40/45 euros por pessoa”, diz Luis Gonzalez.

A boa notícia é que este restaurante com vistas fantásticas tem um menu executivo por 25 euros, que está disponível  de segunda à sexta, ao almoço, e inclui 2 copos de vinho.

Numa espécie de tenda contígua ao edifício, a vista sobre o Douro e a cidade do Porto é fenomenal, mas no interior do Vinum o ambiente não é menos especial. “À noite, baixamos muito a luz para que a luz do Porto traga a cidade para mais perto”, conta Luis Gonzalez, acrescentando que a janela para a cozinha, onde se vê a chefe vimaranense Celma Teixeira e o restante staff a trabalhar na grelha, se ‘ilumina’ e toma conta do espaço.

“Em todos os nossos restaurantes, há a grelha à vista. E a nossa cozinha é sempre visitável. Temos um acesso para clientes”, continua o responsável.

Para uma refeição mais reservada, pode sempre reservar as mesas Vinum – na garrafeira – e do Chefe – junto à cozinha.

Em 4 semanas, o Vinum Restaurant & Wine Bar recebeu 49 casamentos, o que leva os responsáveis a prever que os eventos serão uma fonte de receitas muito importante.

Um copo enquanto espera

Enquanto espera por mesa, no final da refeição ou simplesmente porque sim, no wine bar pode beber café, “provar um bom vinho por 3 euros” ou comer um petisco ou uma sobremesa.

A carta de vinhos tem 16 referências a copo, entre as quais Luis Gonzalez destaque o Chryseia 2009 DOC (12,5 euros o copo) e o Porto Graham’s Colheita 1969 (32,5 euros o cálice). Para comer, há, por exemplo, escabeche de mexilhão, sortido de queijos da região Norte, telhas de amêndoa e trufas de chocolate.

O restaurante abre todos os dias, entre as 12h30 e as 16h e entre as 19h30 e a 1h. O wine bar funciona entre as 10h e a 1h.