Imagem de Ir Douro acima. Uma experiência abarcante, buscante e marcante
Imagem de Ir Douro acima. Uma experiência abarcante, buscante e marcante

28 Fev 2017, 13:22

Texto de André Rubim Rangel

Praça

Ir Douro acima. Uma experiência abarcante, buscante e marcante

“Rio Douro 
De ouro o anel 
Anel de Saturno 
Saturno planeta 
Planeta solar 
Solar do Marquês 
Marquês de Pombal 
Pombal das pombas 
Pombas da paz 
Paz e amor 
Amor ao próximo 
Próximo comboio 
Comboio a vapor 
Vapor de água 
Água com peixes 
Peixes do rio 
Rio Douro”.
(Luísa Ducla Soares) 

Fevereiro, doce fevereiro. Qualquer altura do ano – com as estações fundidas e diluídas em cada tempo, em cada semana – é propícia para esta sugestão que aqui deixo, porque o Douro é sempre o Douro. É sempre extremamente belo, faça chuva ou sol. Pensar nesta viagem, que se torna mais do que é pela excelência da experiência, é fazer uma experiência desejável e incontestável, obrigatória para todo e qualquer cidadão, seja português ou estrangeiro, seja turista ou habitante na região. Chorem aqueles que nunca rumaram Douro acima e Douro abaixo, como choram as guitarras no

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seu tremido tocante e cantante do Fado. Mas melhor que chorar, o melhor mesmo é embarcar, é fazer o rio Douro de barco entre a Régua e o Porto (ou vice-versa). Eis o destino que hoje e sempre proponho. É uma óptima forma de fechar este mês especial, de aproveitar esta pausa de entrudo e de celebrar este Porto, tricampeão em “melhor destino europeu”! E, até, na óptima companhia da empresa portuense «Douro acima», que presta este e outros serviços turísticos há quase duas décadas. Deixe-se levar e enlevar!

Alguém dissertava, numa rede social, sobre este lindo mês de fevereiro, que tanto me diz e aos meus: “És o segundo capítulo de um livro inteiro. Que sejas doce, que sejas leve, que sejas generoso. Traz contigo ânimo para os dias mais difíceis força para aguentar a caminhada, esperança para encontrar novos caminhos. Não és o mês mais longo, és o mais pequeno, mas podes ser grandioso. Que os teus bons momentos se prolonguem, que os maus sejam breves. Traz energias renovadas, traz contigo preces atendidas, traz contigo doçura e alento para o coração. Traz dias de sol, dias de amor. Deixa para trás todos os restos, todas as palavras mal-ditas, todas as histórias que não tiveram finais felizes”.028 Porto24, 2017 - 'Ir Douro acima. Uma experiência abarcante, buscante e marcante', 26'02 (NA PRIMEIRA PARTE DA REPORT.)

Assim foi, assim é, sempre e em cada mês representante do número dois no ano. Número que com os dedos indicador e do meio (da mão direita) erguidos tão bem significam ‘paz’ e ‘vitória’. E o que é uma viagem pelo rio Douro senão isso mesmo, o corolário de bem-estar interior e de ganho turístico-cultural? Importa reter o colossal valor do rio Douro e o amor que a região lhe tem. Mais uma prova recente disso é o investimento que se espera ser feito neste nosso rio de ouro – o segundo maior da Península Ibérica –, a fim de se modernizar. Conforme divulgado na comunicação social, a APDL submeteu um projeto a fundos comunitários – orçamentado em 59 milhões de euros –, a fim de tornar o Douro mais navegável 24 horas por dia, mais seguro e mais considerável para o transporte de mercadorias.

Passemos à experiência em si, da reportagem realizada a bordo. O dia começa cedo, com hora marcada na estação ferroviária de S. Bento. A guia da «Douro Acima» lá aguarda por todos os participantes, onde se incluem sempre muitos turistas do estrangeiro. Entram todos para a mesma carruagem. É um comboio regional. Como tal, as vistas junto ao rio que percorrem o trilho – que conduz até à Régua – são arrebatadoras. E aquele tempo entre duas a duas horas e meia voa. Quase sem se dar conta, a chegada à estação de destino – onde as vendedoras vendem os famosos rebuçados da Régua – dá-se num ápice. Dali são uns instantes até chegar ao barco Rabelo da «Douro Acima» que, atracado, aguarda à espera dos seus visitantes. E, com ele, a guarda de honra é o sol que se fez e se faz acompanhar durante toda a viagem, toda o dia, toda a vida que é diva e dádiva.

Inicia-se a navegação com direção ao Porto, pelo serpenteado do rio durante toda a tarde. Para que a mente se mantenha sã, há que revigorar o corpo. E este cruzeiro da «Douro Acima» trata, também, do corpo são com a inclusão de almoço a bordo. Após os aperitivos e um cálice de vinho do Porto, segue-se um prato de carne em vinho d’alho com verduras e arroz de cenoura. Apetecível. Um reforçado sabor do palato aliado àquelas paisagens a entrarem pelos olhos e ficarem no coração, no saber do tempo, que se faz cultura, memória e tradição. Irresistível!

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Pela extensão do percurso atravessam-se duas barragens: a do Carrapatelo e a de Crestuma. A primeira – entre os municípios do Marco de Canaveses e de Cinfães (distritos do Porto e de Viseu, respetivamente) –, refira-se que é a mais alta a nível de água em toda a Europa. E para passar a comporta há que descer-se 37 metros do nível normal. Perfaz este ano (2017) 45 verões da sua construção e inauguração (em junho). A barragem do Carrapatelo tem uma altura de 57 metros e um comprimento de coroamento de 400 metros, com uma área total de bacia hidrográfica de 92.050 km2, estendendo-se por 40 km.
Quanto à segunda e a última antes de chegar à foz, descem-se 15 metros. Esta barragem, inaugurada em 1985, possui 65 metros de altura acima da fundação e um comprimento de coroamento de 470 metros. Durante a viagem é possível ir à cabine do comandante da tripulação, apreciar as vistas nesse piso superior do barco e sem nunca se recear a sua excelente condução. Findo o cruzeiro no Douro, e já no Porto, recomenda-se um excelente jantar no distinto restaurante «Chez Lapin» – da mesma empresa –, em pleno coração da ribeira e bem perto do icónico cubo. Ali mesmo ao lado do rio, com magnífica vista sobre o mesmo.

A EMPRESA «DOURO ACIMA»
Não interessa aqui comparar as empresas turísticas que operam no rio Douro. Mas uma coisa é certa: a par da sua qualidade, a «Douro Acima» é a única detentora dos tradicionais barcos Rabelos, o que por si só constitui indubitavelmente uma mais valia! Tem sede no Porto (rua dos Canastreiros, 40/42) e está prestes a celebrar 20 anos de existência, neste ano de 2017. Com as suas várias vertentes, a empresa promove o turismo das diferentes regiões

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do país a nível pedestre, fluvial, gastronómico e hoteleiro. Além de restaurantes típicos (‘Chez Lapin’, ‘Vitorino’ e ‘Downing Street’) – pioneiros no seu crescimento –, desenvolve o turismo fluvial não só no rio Douro, mas também na ria de Aveiro, com os coloridos Moliceiros. Entre as margens do Porto e de Gaia, faz a travessia das seis pontes; percorrendo o Norte do país, realiza travessias até à Régua, ao Pinhão, ao Pocinho ou até Barca D’Alva.
De registar que possui, igualmente, circuitos pedestres de autocarros “city sightseeing” em várias cidades de Portugal (Porto, Lisboa, Aveiro, Albufeira e Funchal) e, ainda, circuitos de “Tuk-Tuk”, uma das mais recentes apostas do grupo. A nível hoteleiro, conta com uma nova unidade na cidade Invicta: os “Stay.In Apartments” – localizados na Ribeira do Porto (mesmo ao lado do ‘Chez Lapin’) e junto à estação de S. Bento (na baixa portuense), formando assim um leque de produtos à disposição do cliente.
A Direção da «Douro Acima» entende que, “com esta variedade de produtos, tentamos propor a quem nos visita a possibilidade de ver e conhecer o que de melhor temos, conquistando pela vista e pelo paladar o turista mais incauto”. Acrescenta, ainda, que apostam “na aproximação ao cliente oferecendo um serviço personalizado, em grupos restritos, com programas feitos à medida e pensados para cada um. A nossa principal aposta está na qualidade, no detalhe das coisas simples, e no receber bem, pois essa é a diferenciação dos programas. Temos paisagens naturais, paisagens urbanas únicas, tradições gastronómicas e uma herança de povo acolhedor que queremos perpetuar e defender”.
E conclui apontando outro dos seus objetivos: “incrementar o turismo das nossas regiões, divulgando pelos diversos países a nossa imagem de Portugal, país acolhedor e aprazível capaz de oferecer experiências únicas e conquistar os mais diferentes mercados estrangeiros”.

DEPOIMENTOS DE TURISTAS ESTRANGEIROS
– Mac e Perla (Baixa Califórnia do Sul, México): “Gostamos muito da experiência. A viagem de comboio foi bonita, nada de especial, mas chegados ao barco ficamos surpreendidos com a qualidade da comida e da apresentação. Deixamos, como sugestão, poder fazer-se um pequeno ‘tour’ no centro da Régua, com uma meia hora para se conhecer a praça central. Quanto ao barco estava tudo genial, as pessoas são generosas e bilingues. E a vista, as zonas vinículas, têm um carácter gigante. Apreciamos ver os terraços, as casas de pedra, os espaços verdejantes e as videiras privadas. Encantou-nos ver crianças a banharem-se no rio, com as suas mães. Aprendemos muito sobre o vinho do Porto, o seu mercado e exportação mundial, especialmente no Brasil. São, também, interessantes as combinações que se fazem com ele. Os nossos favoritos são os ‘vintage’. Falando da cidade do Porto, gostamos imenso da comida e da ‘francesinha’, da animação, das suas ruelas engraçadas para caminhar. Queremos conhecer mais”.

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– Fred e Laurence (Montreal, Canadá): “Viemos de férias ao Porto. Esta é uma cidade muito agradável e bonita. Tem muito bons restaurantes, boas lojas. As pessoas são muito amáveis, comparando até com as de outros países onde vamos de férias. Sentimo-nos seguros e bem-vindos. Por isso, estamos a passar uns ótimos dias. Aqui tem um excelente clima, divergindo do nosso, em que neva bastantes vezes. Quanto a este cruzeiro pelo rio Douro é muito atraente, mas consideramos que seis horas de barco são um pouco longas. Podia haver algumas paragens. Todavia, a comida e as pessoas da companhia são fantásticas. E estas paisagens são grandiosas”.

Ó rico Douro, a tua dureza identitária das altas escarpas e acentuadas arribas inspira-nos a leveza estatutária de pessoas que amam aquilo que és e tudo aquilo que geras. E que nunca degeneras. Em ti e no teu leito eis que nadam patos, enguias, trutas, escalos, carpas, percas, achigãs, lúcios, barbos, bogas, lagostins-vermelhos e mexilhões do rio. Contigo e para ti, eis que dimanam na beleza da natureza. Nas tuas águas espelhadas sobrevoam garças, perdizes, águias, rolas, abutres, estorninhos, papa-figos e melros, que pousam e repousam nas tuas “fragas gigantes, tingidas de várias tonalidades”. E podemos encontrar todas estas tuas irmãs aves nas matas e aglomerados de vegetação que te ladeiam pelo teu serpenteado fora. Seja nos carvalhos e sobreiros, seja nos zimbros, estevas e pinheiros. Como que um tesouro que de ti emana e em ti se irmana, não podia também faltar a riqueza – ora escondida, ora protegida – da tua fauna, sublimada pela corça, a lebre e o coelho, passando pela gineta e o texugo, até ao javali, a raposa e o lobo. E recorde-se que acolhes e abraças 21 rios, em terras lusitanas, que em ti desaguam; mais outros 12, em terras espanholas. Obrigado, ó meu rico Douro.

 

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