18 Fev 2012, 18:07

Texto de Pedro Rios

Praça

Abriu a Inky, a primeira galeria de “street art” do Porto

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Abre com exposição de Hazul. Faltava um espaço dedicado a esta forma artística, diz o mentor, que sonha ”dignificar o graffiti” numa cidade que não gosta dele.

André “Dub” Silveira, dono da Inky

André "Dub" Silveira, dono da Inky. Fotos: Pedro Rios

Trabalhou num escritório de uma empresa de transportes no regime “9 às 5”, mas só pensava em sair daquelas 4 paredes e pintar ao ar livre. Nesses tempos na empresa do pai, deitava-se muitas vezes às 6 da manhã, depois de uma noitada a pintar nas ruas do Porto, e acordava, estremunhado, para mais um dia no escritório.

Com algumas poupanças, André Silveira, “Dub” no mundo do graffiti portuense, arriscou e abriu a primeira galeria de street art da cidade. A Inky abriu portas este mês na Rua Coelho Neto, perto do Campo 24 de Agosto.

A Inky, que é também uma loja (vende latas de tinta, marcadores, rolos e pincéis e presta serviços de pintura, para lojas ou empresas, por exemplo, contando para isso com uma “rede de graffiters“), quer afirmar-se também como uma galeria de arte, o seu factor distintivo.

Obra de Hazul na Inky

Parede de Hazul na Inky

Faltava um espaço dedicado a esta forma artística, acredita André, 31 anos, há 12 a pintar nas ruas, que sonha “dignificar o graffiti” e, “de uma forma legal, mudar a mente” das pessoas. Diz quem já teve que pagar várias multas por pintar na rua, depois de, enquanto estudante de artes, perceber que o mundo lá fora lhe oferecia as maiores e melhores telas.

“As pessoas ainda acham que é vandalismo”, sentencia. E no Porto, cujo autarca tem criticado várias vezes a profusão de graffitis, essa missão quase pedagógica que a Inky assume é ainda mais complicada, refere.

“Nem sequer há autorizações para pintar”, critica. “Mesmo em festivais [de graffiti] não há autorizações [concedidas pela autarquia]. A Câmara do Porto é muito fechada”, lamenta André, que prepara para o Verão workshops sobre o tema para crianças.

A primeira exposição da Inky é de Hazul, referência da street art do Porto, que mostra ilustrações e pintou uma parede da galeria. Outra parede foi inteiramente pintada por Dub, que a renovará a cada estação do ano. “O conceito [da Inky] é estar sempre a mudar”.

  1. Bugs Bunny says:

    Muito bom o conceito, grande artista rodeado de sumarentos artistas, a loja está espetacular…
    Que tenham um futuro risonho com mt tinta a rolar..

  2. maluda says:

    Parabéns! Aliado ao talento nato, parceria com a audácia e determinação, fazem nascer uma realidade que muitos não entendem. Lá chegará o tempo!

  3. lua says:

    Vejam com olhos de ver o arrojo na sua verdadeira essência. Deixem-se de falsos moralismos quando tecem comentários à street art, entendam-na primeiro, depois falem.
    Parabéns aos artistas!!!!