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Foto: André Rubim Rangel

4 Jul 2017, 19:05

Texto de André Rubim Rangel

Cultura

Festival Grant’s 2017 encerrou com casa cheia

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Pelo quinto ano consecutivo, o ator Joaquim de Almeida apresentou o festival Grant’s Stand Together, que se realizou primeiramente em Lisboa – no cinema S. Jorge – e este fim de semana no Porto (pelo segundo ano), no auditório da Fundação de Serralves. O mote inerente foi “Histórias tão verdadeiras que nem vais acreditar”. E foi o que fizeram, neste domingo e pela noite dentro, os convidados de Joaquim de Almeida, sempre e somente com histórias insólitas e reais: Álvaro Costa, Eduardo Madeira, Filipe Faísca, Joana Marques, Manuel Serrão e Rui Paula.

No programa do certame, o próprio Joaquim de Almeida escreve e assina as seguintes palavras que usou também, de viva voz, na saudação e introdução à sessão: “Meus amigos, há momentos sem os quais já não passo. De facto, por muito ocupado que tenha sido o meu ano à frente das câmaras, não me passaria pela cabeça faltar ao nosso reencontro no Grant’s Stand Together. (…) Dirigi o meu convite a pessoas muito especiais, amigos de longa data mas também personalidades cuja carreira tenho seguido com entusiasmo. Uma coisa é certa: vamos contar com histórias impressionantes, histórias tão verdadeiras que nem vão acreditar. Enquanto brindarmos à amizade, esta história vai permanecer bem viva nas nossas vidas. E por isso, agradeço de antemão a vossa companhia”.

Joana Marques foi a primeira a contar as suas histórias. Assumiu ter alguns medos, que “me assistem a toda a hora”, tais como ficar presa numa casa de banho; de andar em transportes públicos, táxi, barco e helicóptero. Contou a história animada vivida, a propósito, no Gran Canyon (EUA). Para além de algumas peripécias realizadas no parque “Diver Lanhoso”, que de “diver” considerou não ser “divertido”, como o nome sugere. E, ali, passou a ficar também com medo de vacas barrosãs. 

Depois, seguiu-se Luís Faísca. Falou precisamente do contrário de Joana Marques: do medo que não se deve ter. E mencionou que nunca o sentiu quando continuou a fazer aquilo de que sempre gostou e que iniciou em criança: vestir pessoas. Começou por vestir as bonecas das irmãs, depois as próprias irmãs e a mãe, passando a ser aceite pela sociedade, quando antes se sentia “humilhado”. 

Antes do intervalo, para o desfrutar de mais uns cocktail’s no bar oferecidos pela Grant’s, o chefe Rui Paula contou uma história, ocorrida em 2001. A história da sua participação num festival gastronómico em Montreal (Canadá), a partir da qual frisou que devíamos dar o nosso melhor naquilo que fazemos e agarrar as nossas oportunidades. Essa história centrou-se numa pessoa que morreu durante o jantar que ele apresentava a concurso. E o susto apoderou-se, até se saber quais os motivos da morte (um AVC), pois o jantar teve de continuar e, enquanto isso e num tempo de 1h30, ali estiveram os agentes que declararam a certidão de óbito do senhor e fizeram análises a toda a comida servida.

Eduardo Madeira abriu a segunda parte. De tantas histórias que teria a contar – admitindo que em cada dia surgem-lhe umas quatro histórias –, escolheu três com um denominador comum: o amor. O amor clubístico (relacionada com o equipamento do FC Porto que recebeu de presente do pai quando, na verdade, o que desejava e lhe tinha pedido era o do Sporting, seu clube), o amor aos animais (a situação de uma viagem de carro, o ter de escolher entre um cão que encontraram na rua e que meteram dentro do carro e duas raparigas que o acompanhavam – a ele e a um amigo – a quem dava boleia numa noite de diversão) e o amor humano. 

Álvaro Costa, recuperando ainda a nível da saúde – “em quarentena”, como o próprio disse –, contou algumas histórias vividas em cidades dos Estados Unidos da América, desde a sua primeira viagem a terras do tio Sam, e como foi conhecer e conviver com alguns grandes nomes norte-americanos do cinema e da música.

Manuel Serrão encerrou a sessão, começando por tecer elogios à sua mãe – presente no público – que, no alto dos seus 87 anos, “está cada vez mais jovem”, arrancando assim um forte aplauso dos presentes. Depois deixou quatro histórias baseadas no conhecido lema “Engana-me que eu gosto”, tanto de enganar como de ser enganado. Histórias como a de uma mala trocada, num aeroporto da Alemanha, com a de uma cidadã italiana; como a de uma estranha viagem à Nigéria, em que não chegou a sair do aeroporto, contando toda a peripécia vivida (a empresa onde trabalhava e que representava foi alvo de fraude); como a de recentemente, numa estação de serviço na A3, lhe passarem “forçosamente” para a mala do carro roupa falsificada e cobrando-lhe um valor exorbitante pela mesma.