21 Set 2012, 20:22

Texto de Pedro Rios

Ideias

Os cubos com vida de Fernanda Torre conquistaram a Feira de Design de Helsínquia

É de Barcelos, estudou no Porto, mas representou a Suécia na competição ”Beam me Up, Scotty!”, na Feira de Design de Helsínquia, na Finlândia. E venceu.

Um cubo prototipado para a competição

Um cubo prototipado para a competição. Foto: +Studio / Arsi Ikäheimonen

É de Barcelos, estudou no Porto, mas representou a Suécia na competição “Beam me Up, Scotty!”, na Feira de Design de Helsínquia, na Finlândia. Fernanda Torre foi a grande vencedora do concurso, que se propunha a imaginar, através do design, soluções para os problemas do ano 2030.

Com “Life Bits”, Fernanda Torre, de 29 anos, estabelecida em Estocolmo, imagina um futuro em que cubos interactivos são usados para promover o diálogo entre gerações e melhorar a comunicação com as pessoas idosas.

O futuro tem sido, aliás, uma das fixações de Fernanda desde que se mudou para a Suécia, onde fez o programa INOV-Art e, de seguida, o mestrado em Design de Experiência, uma “área emergente”.

Foi isso que lhe interessou no concurso da feira de Helsínquia, Capital Mundial do Design em 2012 (onde arrecadou, esta semana, o primeiro prémio, de 2.500 euros).

“A grande vantagem de competições como a ‘Beam me Up, Scotty’ é que são mais especulativas e pretendem desenvolver o design por si próprio. Não é tanto responder a uma necessidade do mercado”, diz Fernanda, à Praça.

Depois de ser seleccionada entre vários candidatos escandinavos, Fernanda teve como mentor um designer “famoso”, o islandês Hrafnkell Birgisson.

Através da Internet e do Skype (o software de conversação por voz que usámos para falar com ela), a designer licenciada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e Birgisson olharam para 2030 e identificaram 2 grandes tendências: o envelhecimento das sociedades ocidentais e o desenvolvimento económico em países “emergentes”, como o Brasil e a Índia.

Notaram que, em várias culturas, as pessoas idosas juntam-se em locais públicos para jogos, de xadrez e de cartas, por exemplo. E detectaram, a partir de conversas com cidadãos de países como o Brasil e a Índia, que há receio de que o crescimento económico resulte numa uniformização cultural.

Cubos com cheiro, sons e imagens

Das 2 tendências chegaram a “Life Bits”, que pode funcionar como um jogo e como forma de partilha de experiências de vida.

Na visão de Fernanda Torre e  Hrafnkell Birgisson, os cubos podem transmitir cheiros, sons, imagens, juntando os cidadãos em espaços como as bibliotecas públicas.

Para o demonstrar em Helsínquia, usaram vídeos e gravações acumuladas por Birgisson ao longo de 42 anos de vida.

No fundo, os cubos (ou outro tipo de objectos – o objecto é o menos importante aqui, sublinha) podem ser “elementos provocadores de conversa”. Objectivo: uma sociedade em que a “realização” surge pelo “diálogo” e não pelo “consumismo”.