6 Abr 2011, 13:51

Texto de Pedro Rios

Praça

Os moradores do Bairro de São Tomé puseram mãos à obra e nasceu um ginásio comunitário

É o único edifício com cor no cinzento Bairro de São Tomé. Os moradores puseram mãos à obra e montaram um ginásio, com preços sociais, que é um oásis no cenário geral do bairro.

Carlos Silva no Fatigold

Carlos Silva no Fatigold. Foto: PR

É o único edifício com cor no Bairro de São Tomé, um conjunto de prédios cinzentos, escurecidos pela humidade, à espera de obras que nunca mais chegam. Neste bairro, nas traseiras do Instituto Superior de Engenharia do Porto, há um ginásio em que só se paga 2 euros por mês. Chama-se Fatigold.

Não é um ginásio qualquer. É, desde o ano passado, a missão de vida de Carlos Silva, morador no bairro praticamente desde que nasceu, há 36 anos.

O espaço pertencia ao extinto clube Os Fatigados e estava “praticamente abandonado” em Janeiro de 2010, altura em que o ginásio abriu portas.

Carlos, um antigo membro do clube, decidiu “varrer e limpar” o espaço para treinar com outros amigos.

O projecto inicial rapidamente se transformou num ginásio aberto à comunidade, sem fins lucrativos, que oferece novas possibilidades à população de um bairro muito afectado pelo flagelo da droga.

“Consigo tirar os miúdos de tudo”, conta. “Nas férias grandes da escola, os miúdos [do bairro] não têm nada para fazer”, acrescenta. “Os pais ficaram contentes. Quando anunciámos os preços, as pessoas ficaram surpreendidas”.

Muitas mãos amigas

O Fatigold foi construído graças à ajuda de muitos amigos: 2 trolhas cobraram um preço mais suave para recuperar o espaço; uma “pessoa amiga” ofereceu-se para comprar um tapete rolante de 900 euros que o ginásio vai pagando aos poucos; outro amigo imprimiu folhetos que espalharam a novidade e chamaram miúdos de outros bairros; outros oferecem algum dinheiro para ir equipando o espaço com máquinas.

Carlos Silva é um homem satisfeito. De amigo em amigo, o “seu” ginásio tornou-se um sucesso, com 60 sócios a aparecerem frequentemente por lá. “É formidável”, diz.