12 Abr 2012, 16:46

Texto de Redação, com Lusa

Praça

Era lixo e agora é arte

, ,

Bicicletas, portas, gavetas e outros objectos tirados do lixo dão agora corpo a 29 peças de arte relacionadas com o mar. Para ver a partir de sexta-feira no Centro Empresarial da Lionesa, em Matosinhos.

Centro Empresarial Lionesa

O material obsoleto e o lixo de Matosinhos viraram arte. Foto: DR

Bicicletas, portas, gavetas e muitos outros metais e materiais considerados lixo dão agora corpo a 29 peças de arte relacionadas com o mar, que estarão expostas no Centro Empresarial da Lionesa (CEL), Matosinhos, a partir de sexta-feira.

Denominada “O mar: uma poética dos seres marinhos”, a exposição surge no âmbito do 4.º Simpósio de Pintura e Escultura de Matosinhos e conta com a colaboração dos pintores Alberto Péssimo e José Emídio e da dupla de escultores Isaque Pinheiro e José Pinheiro.

As 4 artistas convidados escolheram os materiais no centro de Recolha da Câmara de Matosinhos durante uma semana e, “todos juntos”, acabaram por produzir 29 peças de arte numa outra semana.

“A obra foi surgindo” à medida que as peças se iam encaixando umas nas outras, salienta Isaque Pinheiro.

Para o escultor, este foi um desafio que deu “bastante gozo”, porque, além de conviver com 3 artistas de uma outra geração “não os conhecia” bem e as obras foram “feitas por todos”.

Um biombo construído com antigas portas do Hospital Pedro Hispano, 3 quadros que nasceram de outras tantas gavetas de uma cómoda, onde uma espécie de ninfa foi pintada em cada uma, um “empilhamento de cadeiras” que resistiram a um incêndio de um café daquela cidade e um outro conjunto de cadeiras de realizador que, colocadas umas em cima das outras, dão ideia de formar um ponto de vigia de uma praia, são algumas das 29 obras expostas.

Produção teve “mão” do público

O vereador da Cultura da Câmara de Matosinhos, Fernando Rocha, lembra o imenso material que os artistas recolheram durante uma semana e que foi transportado para o Centro Cultural onde, durante 7 dias, foram produzidas as peças, “com a intervenção de público” que por lá foi passando.

O resultado destes simpósios anuais é, habitualmente, exposto na galeria de arte da Câmara, mas desta vez, diz o autarca, “atendendo à cooperação da câmara com o CEL”, a mostra descentralizou-se e pretende “apoiar a dinamização económica daquele espaço”, na freguesia de Leça do Balio, por onde diariamente passam cerca de 3.000 pessoas.

As peças – estruturas marinhas, animais ou vegetais que procuram envolver o público numa poética relacionada com o mar – estarão à vista de todos os que trabalham e visitam aquele centro, colocadas ao longo do corredor das lojas.

Depois da exposição, algumas das obras de arte, que pertencem à autarquia, “serão colocadas em espaços públicos municipais, como a biblioteca e o Teatro Constantino Nery”, acrescentou Fernando Rocha.

A directora do CEL destaca a importância da iniciativa, considerando que “é uma forma de mostrar às pessoas” obras originais, criativas e com um propósito ecológico.

A exposição, com entrada gratuita, estará patente ao público todos os dias das 10h às 20h, até 30 de Junho.