20 Jul 2011, 11:20

Texto de Redação

Praça

E se na Praça de Lisboa nascesse um espaço vazio?

O desafio era pensar no que fazer numa praça do Porto entregue há demasiado tempo à sua sorte. O júri do concurso “No Rules, Great Spot!” escolheu uma ideia que deixa a Praça de Lisboa no seu actual estado. E pintada de branco.

1º classificado: Pedro Soares Neves, "Folha em branco"

Concorreram 177 propostas, de todo o mundo, com todo o tipo de ideias. O desafio era pensar no que fazer na Praça de Lisboa, no Porto, entregue há demasiado tempo à sua sorte – um concurso sem outro fim que não motivar o debate. O júri escolheu uma que deixa a Praça de Lisboa no seu actual estado.

Confusos? O júri do concurso “No Rules, Great Spot! Procuram-se ideias para a Praça de Lisboa” explica que premiou 3 ideias que “partem da ideia de ‘vazio’ reutilizado, e não de edifício camuflado de ‘vazio’, que constituiu a resposta mais comum e mais óbvia para a maioria dos concorrentes”.

Pois então, o primeiro prémio foi para Pedro Soares Neves, com o projecto “Folha em branco”. “Deixando a Praça de Lisboa no seu actual estado”, o projecto propõe-se, “num gesto poético, a pintar de branco todas as superfícies e elementos da praça, procurando abrir rapidamente este espaço à cidade, promovendo um conjunto de ocupações não só espontâneas como ligadas ao processo de reabilitação urbana”, explica a acta do júri.

Marcos Veiga e Diogo Veiga, os segundos classificados, também propõem o esvaziamento da praça, mas sugerem a colocação de estruturas no subsolo das ruas circundantes. Mai Sumiya e de Keiko Miyake, terceiros classificados, defendem um espaço público “aberto, percorrível, acessível”, com cafés, bares e lojas.

  1. António Martins says:

    É uma péssima idéia. Qualquer espaço deste género, a ser tratado desta forma, tornar-se-á um óptimo “great spot” para marginais. O que deveria ser feito era, ou permitir construção de qualquer equipamento da cidade, para consolidar a vida na baixa da cidade, ou em alternativa, arborizá-lo e jardiná-lo, para que se torne um local de lazer e passeio para pessoas de todas as idades, e não apenas de skaters, graffiters e outras tribos do género. Experimentem passear à frente da casa da música durante o dia, para verem o que estas grandes superfícies cimentadas e áriadas proporcionam. E cuidado para não serem atropleados por nenhum skate tresloucado. Anotem aí: se isto for para a diante, em poucos anos vão estar-se a lamentar pelo erro crasso ali criado.

    • Nome says:

      toda a vida se retraiu os skaters com a nao construçao dos skate parks, obvio eles têm de ir para algum lado. se fizessem parques próprios eles não iriam para a casa da musica. sempre se achou que fazer um skate park é para trair marginais e entao deveria era construir alguns parkes próprios por todo lado para atair os jovens para a rua e deixar o sedentarismo . sou a favor de um parque simples e aberto pois tm traz criminalidade os parques à noite

  2. Como a Praça tem o nome de Lisboa, isso de a deixar vazia é uma boa ideia, só acrescentaria uma frase que desse uma coisa do género: é assim que Lisboa vê o resto do país. Podiam abrir um desafio mas agora para a frase a colocar na Praça

  3. Rui Ferreira says:

    Concordo com o critério de premiar os projectos que propoem um vazio reutilizado, mas este nao é nada disso: é simplesmente VAZIO. Nem espaços cobertos, nem verdes, nem equipamento publico, nada… apenas VAZIO.
    E gostava que o autor me explicasse de que maneira é que “abriu este espaço à cidade”, pois alem de nao criar nenhum atravessamento pedonal, manteve os elementos que isolam fisicamente a praça das ruas circundantes, as paredes…

    Acho lamentavel que num concurso de ideias (117 propostas!!) se premeie a ideia de nao fazer nada.

  4. O que é que o autor do artigo quer exatamente dizer com “gesto poético”? Por conseguinte, o que é, na sua ótica, um gesto não-poético? Para finalizar: há alguma gradação para aquilo que considera ser um “gesto poético”?

  5. Jorge Campos says:

    Mas ninguém percebe que este é um concurso de ideias e n um concurso de arq? O objectivo é provocar debate e ideias meus amigos. Um erro crasso? Mas isto não é para ser construído, é para especular. Eu também acho que a proposta podia ser um pouco mais rica mas, se calhar, isto é um indício da falta de capacidade que as pessoas têm para saber pensar os espaços da sua cidade. Para finalizar, apenas mais um comentário. Senhor António Martins, então o que era preciso era permitir a construção de qualquer equipamento da cidade? O que é isso? O que é um ‘equipamento da cidade’?? Isto é uma praça, a ideia não é construir. Também acha que o que falta na praça D. João II é um ‘equipamento da cidade’? E nos Aliados? Também? As praças do Porto já são pouco praças que chegue. A praça do Cubo é uma esplanada. A praça do infante um somatório de jardins inúteis, com 2 ou 3 bancos. Qual é o problema do espaço vazio? O espaço vazio, se estiver rodeado por programas activos, não tem problema nenhum. Olhe veja a grande praça em frente ao museu Georges Pompidou, em Paris. Alguém diz que é preciso construir lá algum ‘equipamento da cidade’? E no entanto aquele espaço é uma rampa gigantesca, mas isso não incomoda ninguém e todo o dia lá estão centenas de pessoas sentadas (e nem sequer se vislumbram skaters, veja lá!!). É uma questão de hábito. De hábito ou de maus hábitos. Querer construir numa praça é um erro. Eu não me importava nada de ter ali um espaço vazio.

  6. Uma praça é ou não é uma construção?
    Um praça é um vazio?
    O mundo nasceu com praças?
    Falamos aqui de vazio?
    É este o resultado do “poético”.
    Ideias. Debater ideias.
    Paris.

  7. Tiago Cortez says:

    Eu até percebo a ideia. Reparei que os dois primeiros vencedores do tal concurso tinham um pouco essa base do vazio. Pena não terem sido apresentadas ideias mais contrastantes ( ao juri certamente, mas não as vi eu).

    Eu faria ali uma praia artificial, com areia… ou não… Era sempre giro ver a pluralidade de ideias, e não apenas bonitas reflexões sobre o espaço público… Menos conteúdo e mais espalhafato…
    Com isto quero dizer que não me pareceram particularmente atraentes as propostas selecionadas, porque ao valor das ideias contrapõe o desinteresse do espaço para o comum cidadão que o usaria, ou não, dada a concorrência de outras praças ao estilo na mesma zona da cidade. Faltam grandes praças vazias na Maia, Gaia, Matosinhos, Gondomar..

    p.s- Porque não extender a praça até aos edificios vizinhos, unindo por exemplo com as ruas da movida, e a praça dos Leões, e Jardim da Cordoaria, criando amplo e diversificado espaço público ao redor da Reitoria?

  8. Tiago Cortez says:

    Eu até percebo a ideia. Reparei que os dois primeiros vencedores do tal concurso tinham um pouco essa base do vazio. Pena não terem sido apresentadas ideias mais contrastantes ( ao juri certamente, mas não as vi eu).

    Eu faria ali uma praia artificial, com areia… ou não… Era sempre giro ver a pluralidade de ideias, e não apenas bonitas reflexões sobre o espaço público… Menos conteúdo e mais espalhafato…
    Com isto quero dizer que não me pareceram particularmente atraentes as propostas selecionadas, porque ao valor das ideias contrapõe o desinteresse do espaço para o comum cidadão que o usaria, ou não, dada a concorrência de outras praças ao estilo na mesma zona da cidade. Faltam grandes praças vazias na Maia, Gaia, Matosinhos, Gondomar..

    p.s- Porque não extender a praça até aos edificios vizinhos, unindo por exemplo com as ruas da movida, e a praça dos Leões, e Jardim da Cordoaria, criando amplo e diversificado espaço público ao redor da Reitoria?

  9. Honestamente estou bastante decepcionado com os trabalhos escolhidos. Com o devido respeito, o primeiro trabalho é miserável. Folha em branco? É uma ideia fácil, directa e de conteúdo bastante reduzido. Tanto não resolve a condição actual do local em causa, como não vai deixar ninguém a sonhar com a sua concretização. Pedia-se utopia, alma portuense. Tinha altas expectativas para este projecto deste colectivo que me parecia de ideologia ingenuamente democrática, mas parece-me agora mais que tudo, auto-promoção. “E se na praça de Lisboa nascesse um espaço vazio?”, desculpem mas só me apetece perguntar de volta: E se a minha avó tivesse rodas?

  10. A ideia de praça era interessante, mas resolvido todo o condicionamento que esta poderia causar assim como a adaptação à actual condição da cidade. Julgo que esta seria uma boa solução para o espaço em questão. Todo o arquitecto está a par da dificuldade de criação de praças: como se geram fluxos de utentes? Que equipamentos a podem/devem servir? …. A proposta vencedora não descortina nenhuma destas questões, o segundo classificado (que a meu ver poderia muito bem ser o primeiro) tem um gesto preliminar da resolução do problema, que a meu ver peca pela ausência de permeabilidade da proposta (criação de circulações eficazes entre cotas). O terceiro trabalho está completamente dissonante, é bastante concreto, retira-lhe qualquer interpretação e afasta-se logo como possibilidade real. Confesso desilusão… acho que os organizadores se propunham a algo grande, que pudesse ou não ter algum tipo de interesse social, mas acaba por passar indiferente. Não mexe, não sonha, não cria nada de novo. Vazio é sem dúvida a palavra de ordem!

  11. Realmente concordo c o ‘Portuense’, a 2ª proposta parece ser a + interessante. E a 1ª parece querer ser muito radical mas depois acaba por não o ser. Não consigo é perceber o utilizador ‘Lucas Peixoto’ quando diz que afinal é só ‘auto-promoção’. Auto-promoção de quê ou de quem? Da cidade? Se estas foram as propostas escolhidas é porque devem ter sido as melhores. Nós não conhecemos as outras… Ao que parece irá ser divulgado um número maior de propostas, pode ser q aí se consiga perceber melhor esta escolha. O concurso dependia sempre muito das propostas, se elas desiludiram o que se pode fazer? Anular o concurso? Acho que também não fazia mto sentido n é? Importa é q este interesse não se perca e q uma vez acordados todos nós possamos continuar a participar nestas iniciativas.

    • Rui Ferreira says:

      eu conheço uma que tinha o mesmo pressuposto de nao construir edificio ou massa, mas era muito mais rica em conteudo, enquadrada na envolvente e com equipamento urbano de uso sugestivo e variado:
      a minha!! lol

  12. Olá Ana, de facto acho que o meu comentário foi precipitado e julgo que passei a ideia errada, peço desculpa a todos. Seria talvez uma boa ideia se o júri tivesse reunido as 10 melhores propostas, e deixa-se a cargo do público: portuenses, estudantes, turistas,… a escolha da proposta vencedora. Fomentar a discussão, a criação e renovação de ideias. Um processo que envolvia a comunidade. Aí começa a ideia da “praça” que tanto se fala, na reunião das pessoas. Não acredito que tenham sido estudantes de arquitectura e arquitectos apenas a enviar propostas, gostava de saber a ideia da designer, do empregado de mesa e do reformado. Tive a ideia enquanto escrevia, de entrevistar pessoas na rua que passam por ali e perguntar-lhes o seu plano mais guloso para a praça!! Quando falei em auto-promoção estava a referir-me à classe profissional, não a quaisquer interveniente, peço desculpa mais uma vez.

  13. À 15 anos discutia-se o mesmo tema sobre a “Place Léon Aucoc, Bordeaux” a quando da intervenção de Lacaton e Vassal (em 2008 premiados com o galardão NATIONAL GRAND PRIX IN ARCHITECTURE).

    Concordo com a proposta vencedora (em comparação com as restantes conhecidas), principalmente pelos aspectos que o júri mencionou:

    – hipótese plausível de concretização com o mínimo de custos e meios;
    – estratégia válida do ponto de vista económico em tempos low-cost;
    – é uma proposta que mais do que procurar avidamente uma resposta formal, prefere questionar e interrogar, dar espaço (literalmente) ao cidadão, enquanto protagonista, para completar a proposta;

  14. Augusto Santos says:

    A primeira coisa a fazer é mudar o nome! Já esta visto que com aquele nome a praça não vai a lado nenhum.

  15. isac says:

    O que é que se passa com o Porto que agora é só “espaços vazios” e “praças vazias”? Já não chegam as experiências actuais de enormes praças só em pedra? Quem conhece o sítio sabe que este não pode ser um espaço fechado, mas totalmente aberto, um pouco à imagem da remodelação do jardim da cordoaria, acessível por todos os lados. A lógica para esse espaço é muito fácil de executar e não tem nada que saber: é só pegar num livro de Hundertwasser e copiar os espaços ondulados e ajardinados, onde até se podem incluir novos equipamentos de apoio ao turismo. Em relação ao nome, também é fácil: é só voltar ao nome original de Mercado do Anjo, que sempre foi um dos locais mais movimentados do Porto. Se calhar até é uma rara oportunidade de radicar um novo mercado no centro do Porto.

  16. Os “vazios” são importantes para um equilíbrio sustentável da vida urbana… no entanto é sp importante objectiva-los com elementos de consumo. Para que:
    Vazios Urbanos = Cheios Vivenciais

  17. J. Roseira says:

    Pior do que o vazio é o projecto da Bragaparques. Como alguém já disse, aquilo foi pensado por quem passou de carro na Boavista e viu, sem reflectir, as lombas da Casa da Música. Abanou a tola duas vezes e saiu jorda. Oxalá nunca venha a ser construído. O que lá estava, antes de Rui Rio o ter abandonado, era muito melhor.

  18. Leonor says:

    Eu promoveria o regresso da praça à Praça: isto é, voltaria a permitir que lá se vendessem batatas e pencas, caranguejeiras e d. joaquinas, nabos e cebolas da Póvoa… com uma forte componente biológica mas não exclusivamente. E com um horário diferenciado do Bolhão e outros mercados: há montes de paragens de autocarro por ali, comércio de rua, gente que pode ali fazer as suas compras de frescos antes de ir para as suas casas vindas dos empregos, sem terem que ir para os pequenos ou grandes supermercados. Há produção de pequenos agricultores em torno do porto que cheguem para alimentar a praça na Praça.