14 Mar 2011, 12:43

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

Dez coisas que não sabe sobre o Porto

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Não são propriamente segredos guardados a 7 chaves, mas são sítios, factos, actividades, coisas que a maioria desconhece acerca do Porto. A Praça desvenda-lhe a cidade escondida.

Não são propriamente segredos guardados a 7 chaves, mas são sítios, factos, actividades, coisas que a maioria desconhece acerca do Porto. A Praça desvenda-lhe a cidade escondida.

Escolas de equitação no Quartel do Carmo

Aulas Equitação GNR

No Quartel do Carmo, os militares ensinam a andar a cavalo. Foto: AIP

Pois é, no quartel da GNR ali para os lados do Piolho (Rua do Carmo), casa do Grupo Regional de Trânsito do Porto, há militares que ensinam civis a andar a cavalo. Não sabia, pois não? Elementos de cavalaria do Destacamento de Intervenção do Porto dão aulas a 5 turmas, organizadas conforme o nível de conhecimento dos alunos. Os cursos têm a duração de um ano e as inscrições são feitas entre 15 e 30 de Setembro. Quem nunca subiu para o dorso de um cavalo começa por fazer volteio – monta o animal, acompanhado por um militar que controla o cavalo segurando uma guia. À medida que o cavaleiro vai sentindo maior à vontade, progredirá nos andamentos – passo, trote e galope. O picadeiro é rectangular e nas paredes estão pintadas letras que os alunos devem seguir conforme as indicações dos militares. É preciso ter mais de 10 anos (os menores têm de apresentar um termo de responsabilidade assinado pelos pais ou encarregados de educação) e apresentar um exame médico-desportivo.

Morada: Quartel do Carmo, Rua do Carmo, 11, 4099-041 Porto. Tel. 223 399 600.

Horário: segunda a sexta, das 17h às 19h, sábados, das 9h às 13h; nas Selas IV e V, há uma deslocação mensal ao Centro Hípico do Porto e Matosinhos, em Leça da Palmeira.

Preço: A inscrição custa 10€; o seguro da Federação Equestre Portuguesa 25€ e a mensalidade 30€ (volteio) e 40€ (restantes Selas/níveis) – é necessário pagar duas mensalidades, Outubro e Junho.

Pedras e Pêssegos

O espaço de uma antiga tipografia na Rua do Almada esconde um armazém de peças únicas de mobiliário de autor, com algumas representações de autênticos ícones do design do século XX. A Pedras e Pêssegos abriu em 1998 e é uma loja especializada em mobiliário dinamarquês do final da década de 1940. Aqui, pode encontrar raridades como a Verner Panton Chair desenhada pelo Verner Panton, a Artek 401 Poltrona de Braços desenhada pelo Alvar Aalto, a Ant Chair de Arne Jacobsen ou a La Fonda de Charles Eames. Estas são todas originais dos anos 50. No armazém com 1500 metros quadrados de área, encontram-se  ainda as peças mais icónicas de designers como Hans Wegner, Børge Mogensen, Finn Juhl ou Ole Wanscher. A Pedras e Pêssegos tem outro espaço na Praça Coronel Pacheco, 34, que funciona como montra e espaço multiusos.

Rosa Chock

Rosa Chock

A Rosa Chock fica na Rua do Almada. Foto: AIP

Aquela loja com os manequins que da janela parecem espreitar para a rua não vende só roupa e acessórios em segunda mão. No meio da confusão de camisas floridas, casacos de pele, corpetes do tempo do tema “Like A Virgin” e calçado de plataforma, estão pendurados vestidos novinhos em folha da Zach que Fátima Leite traz de Londres. Não é propriamente roupa com assinatura – uma designer fashion label, como se diz lá fora – mas é criação de autor. Para ficar com uma ideia, podemos dizer que são modelitos ao estilo da londrina Sienna Miller. Não têm etiquetas porque Fátima as tirou. A Rosa Chock é a única no Porto e das poucas no país que vende esta marca acessível (na loja, encontramos vestidos a 30€ e a 40€).

Hotel Infante Sagres

Pertence à “Small Luxury Hotels of the World” e é o hotel que os famosos – e os podres de ricos – escolhem quando vêm ao Porto e ao Norte do país. E o staff do Infante Sagre move montanhas e faz o possível e o impossível para agradar a estas pessoas. Os U2 foram dos últimos VIP a ficar no hotel, em Outubro, quando deram dois concertos no Estádio de Coimbra, e o alojamento da banda irlandesa “foi mantido em segredo” até à última da hora. “Eles vieram sexta, nós ficamos a saber quarta”, conta o director do hotel, Paulo Teixeira de Carvalho. E foi em 48 horas que “a sala de reuniões foi transformada, com a ajuda da Virgin Active, num ginásio” de luxo, para que Sir Bono Vox fizesse fisioterapia à coluna – em Maio de 2010, o músico caiu durante um ensaio em Munique, Alemanha, e foi submetido a uma cirurgia de emergência. Os U2 assinaram no mesmo livro que Bob Dylan e escreveram: “Nós adoramos este hotel”. E sabe porque é que os hóspedes tocam o tampo de uma secretária francesa que está numa das suites presidenciais para atrair a sorte? Dalai Lama, que ficou no Infante Sagres em 2006, preferiu dormir no chão, rodeado por velas, e acidentalmente queimou o tampo de pele do dito móvel. “As pessoas tocam porque dizem que dá sorte”, conta Paulo Teixeira de Carvalho.

Morada: Praça D. Filipa de Lencastre, 62, 4050-259 Porto. Tel. 223 398 500

Preços: a noite pode custar entre 200€ (preço de balcão) e 1000€ (suite presidencial).

Jardins da Águas do Porto ou Parque de Nova Sintra

Se mudou de casa recentemente ou acumulou contas para pagar e teve de se deslocar à Águas do Porto, sabe onde fica empresa municipal. O que não deve saber é que na mesma morada existe uma espécie de museu ao ar livre das fontes e chafarizes típicos dos séculos XVI, XVII e XVIII. Retiradas de ruas, praças e largos do Porto, foram reconstituídos aqui. A antiga propriedade da família Wright foi comprada pela Câmara do Porto em 1932, por 300 contos, para aqui instalar os Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento, hoje Águas do Porto. Em redor do casarão existe uma área verde com 68500 metros quadrados. Aqui, estão, por exemplo, as fontes da Árrabida (monte da Arrábida) e Arca do Anjo (antigo Mercado do Anjo), o Fontanário de Carlos Alberto e o Chafariz de S. Bento da Avé Maria (que esteve no mosteiro com o mesmo nome).

Horário: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h; ao fim de semana, pode ser visitado mediante pedido de autorização prévio.

A entrada é gratuita.

Velódromo no Museu Nacional Soares dos Reis

Velódromo

O velódromo nas traseiras do MNSR remonta a 1894. Foto: DR

Apesar de não poder ir até lá de bicla dar umas voltas, o espaço pode ser visitado, mas apenas no Verão. O velódromo que existe nas traseiras do Museu Nacional Soares dos Reis foi inaugurado pelo Real Velo Club do Porto, em 1894, no que então era a mata do Palácio dos Carrancas, antiga residência e fábrica dos Morais e Castro, mandado construir no final do séc. XVIII. Nessa data, era já propriedade da Família Real e foi o Rei D. Carlos que deixou que aquela instituição utilizasse o espaço. Quando o Palácio foi adaptado a museu, por volta de 1940, o velódromo, que caíra em desuso, foi arranjado como jardim, para expor a colecção de lapidária. Foi na grande obra de remodelação que decorreu entre 1990 e 2001 que o arquitecto Fernando Távora recuperou a memória da pista das bicicletas e dos courts de ténis. No espaço, mantém-se a exposição da lapidária. Vale a pena visitar, nem que seja para imaginar a nossa realeza e nobreza a andar naquelas bicicletas de outrora.

Horário: no Verão, o velódromo estará aberto ao público no mesmo horário do Museu (terça, das 14h às 18h; quarta a domingo, das 10h às 18h).

Preço: o bilhete do MNSR dá aceso ao velódromo no Verão. O bilhete normal custa 5€. Com descontos, a entrada fica por 2€ ou 2,5€.

Bzzz

Bzzz

Esta já é a terceira morada do Bzzz. Foto: AIP

Na esconsa Rua da Madeira, mesmo ali ao pé daqueles tascos de má fama, num prédio exíguo que foi reabilitado, fica o Bzzz. O restaurante de petiscos, que já teve duas moradas na Ribeira, reabriu na lateral da Estação de S. Bento no início do ano. Os petiscos são realmente bem cozinhados, feitos na hora – não há cá comer requentado a passar o atestado de burro ao freguês – e a ementa, que é variada, traz indicação das calorias que estamos prestes a consumir! Quer um conselho? Concentre-se na parte das lulinhas ao alho, dos mexilhões com vinho branco, dos cogumelos salteados, da alheira, do frango frito, das amêijoas, da sopa alentejana… e faça vista grossa às indicações dos Menus Avantgarde, o serviço de consultoria da EngeNutrição. Coma sem culpa – isto também vale para o tombo, que é pequenino, uma vez que há menus combinados por 10€ e 12€que fazem uma refeição farta. Também há pratos principais: paelha de marisco, posta alentejana e bife com queijo e nozes.

Filipe

A Barraquinha, em Lavra, mesmo em cima da praia, já era um segredo guardado por um punhado de gente. Quem sabe do que falamos está à pensar “pois, mas, há cerca de um ano, as caras mudaram, o serviço perdeu qualidade, enfim, a coisa cheirava a esturro…” Os donos passaram aquilo e abriram o restaurante Filipe junto ao mercado. Entretanto, mudaram novamente de localização, mas mantêm-se na avenida do mercado. Para quem não faz ideia do que falamos, trata-se de um restaurante de peixe, familiar e despretensioso, onde há peixe fresco e variado para grelhar, petiscos do mar (búzios, polvo, pota) – também os há da “terra” como as codornizes fritas e as moelas estufadas –, e canecas de vidro grosso que saem geladas do frigorífico para receber a cerveja de pressão e vir à mesa. No Verão (vá, e no Inverno também), esta cerveja desce muito bem. A sala não é grande mas ainda assim é maior que a da Barraquinha e ainda há mesas na esplanada e no pátio das traseiras. Vá cedo. Aqui, não se reservam mesas.

Morada: Avenida Praia de Angeiras, 191, Matosinhos.

Horário: segunda a sábado, das 9h às 23h. Telefone: 934 544 733

Preço médio: 10€.

Café/esplanada do Sea Life Porto

Sea Life

Vale a pena subir à esplanada do Sea Life. Foto: DR

Não, aquilo não é só para putos e pais que fizeram mal a alguém noutra vida e que agora merecem castigo. Se, à entrada, subir pelas escadas em caracol junto ao elevador, vai dar directo ao café do Sea Life – é aqui, onde também se vende merchandising, que, de resto, acaba a visita ao aquário. Há uma porta que dá para uma pequena esplanada com vista para a Bola de Nívea – a praia, senhor leitor, em frente ao Edifício Transparente; a bola, desconfiamos que ainda lá esteja. O sítio é agradável e a vista única e, para a maioria, passa despercebido. Se ficarem mais uns minutos na loja/café, os miúdos levam a bonecada toda! Os preços não são muito caros e, para além do serviço de cafetaria normal, há gelados. Tem é de ser o leitor a levar a chávena e o pires até às mesas da esplanada.

Góshò do Jardim Botânico

Sim, o afamado japonês do Porto Palácio abriu um espaço temporário – pelo menos, até ver… – no Jardim Botânico. A Casa Andersen foi recentemente remodelada e inaugurada em simultâneo com a exposição “A Evolução de Darwin” e a Universidade do Porto convidou o restaurante a explorar um espaço na antiga residência de Sophia de Mello Breyne. Este Góshò apostou na pastelaria. Há financiers de chocolate, creme de gengibre sobre crocante de chá verde e pastel de feijão azuki, mas também há chá e sushi. A decoração é sóbria, para não ofuscar a beleza do Botânico.

Morada: Rua do Campo Alegre, 1191, 4150-181 Porto. Telefone: 22 0402879

Horário: 10h-18h, terça a sexta; 10h-19h, sábado.

  1. Jorge Pereira says:

    A passear na net, por acaso encontrei o vosso site. Parabéns! (Gostava que houvesse um assim relativo a Lisboa onde vivo). Continuem

  2. Pedro Ferreira says:

    Só mesmo para dizer que o Filipe vai fechar as actuais instalações e vai passar uns metros mais para baixo para o antigo restaurante Receitas.

    Excelente artigo. Parabéns!

    • Caro Pedro, agradecemos o aviso. De facto, sabíamos que havia essa intenção. Actualizaremos a informação assim que o Filipe mudar de instalações. Está ligado ao restaurante? Obrigada.

  3. CELSO FERRAO says:

    Na verdade o Filipe abandonou a BARRAQUINHA no seu local inicial e mudou-se já duas vezes, agora para as instalações do antigo PA. Com a nova gerência, protagonizada pelo sr. Fernando Castro, deu-se uma reviravolta para melhor, quer nas condições do local, agora muito mais confortável, quer no atendimento pessoal, simpático e preocupado com o cliente.Quanto ao principal, a amesentação, os petiscos são espectaculares, o peixe é sempre fresquíssimo, a garrafeira melhorou 500%, existem novas propostas de menu , a relação de empatia com os clientes é fabulosa e, o principal, a relação preço-qualidade é imbatível. Não é por acaso que o sr. José Silva, conhecido gastrónomo, fez uma visita no seu programa televisivo “A Hora de Baco” ao restaurante, que presenteou com os melhores elogios. EXPERIMENTEM.

  4. CELSO FERRAO says:

    Óbviamente que o anterior comentário se refere à petisqueira “A BARRAQUINHA”, a original, sita na Travessa de Angeiras, 13.

  5. Domingos says:

    A barraquinha perdeu qualidade???
    Nunca la foram, certo? O Filipe agora é um restaurante de domingueiros, com um serviço e simpatia longe de razoavel.
    Na barraquinha o servico é mais ou menos, mas o marisco é de longe melhor que em muitos famosos de matosinhos.
    Alem disso, tem os melhores finos do MUNDO!