8 Mar 2011, 15:52

Texto de José Reis

Praça

Uma revista para desconstruir mitos urbanos da arquitectura

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Surgiu em moldes quase artesanais, pela mão de alunos da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, mas hoje é uma referência entre as publicações portuguesas de arquitectura.

Eles estão já na contagem descrescente para o lançamento do novo número da revista, que será dedicado ao tema “displace”. Nuno Pimenta, um dos elementos da direcção da Dédalo, explica: a revista vai reflectir “sobre a identidade de um lugar” e “a descontextualização do campo arquitectónico”.

A nova edição da Dédalo será lançada em Maio. A revista surgiu em 2006, impulsionada por um grupo de estudantes da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP).

“Começou por ser uma publicação A5, agrafada, como se fosse uma fanzine. Mas, entretanto, com o passar do tempo, fomos conseguindo outro tipo de conteúdos e fomos evoluindo. Agora é em formato A4 e anual”, diz Diana Sousa, outro dos elementos directivos da revista.

A Dédalo acabou por não crescer apenas em tamanho, mas também em colaborações e interesse. “Passou a ter colaborações de professores de outras faculdades do país e de arquitectos de outros países”, revela.

Uma vaca no meio da cidade

Vacas na FAUP

A Dédalo pôs vacas a pastar na FAUP. Foto: Ana Isabel Pereira

A Dédalo é uma revista de arquitectura, mas feita para todas as pessoas interessadas em pensar o espaço envolvente. “A nossa ideia não é tornar a revista maçadora, é apresentar diferentes abordagens através de artigos, fotografias, ensaios… Não queremos, no fundo, que ela tenha apenas texto”, revela Nuno Pimenta.

Até porque, admitem, a ideia é chegar a um público cada vez mais vasto. “Queremos chamar a atenção do público para a arquitectura”, sintetiza. E conseguiram, quando, como aperitivo para a edição com o tema “displace”, colocaram duas vacas nos relvados da FAUP, um local com muito pouca ruralidade. “Essa foi uma forma de colocar as pessoas a pensar no espaço envolvente”, diz.

Pensar sobre a arquitectura

No próximo número, há algumas colaborações “preciosas”, como a da fotógrafa Inês d’Orey. “Ela está a preparar um trabalho específico para o próximo número”, que ainda não pode ser desvendado, diz Nuno Pimenta.

Apesar de estarem ansiosos pelo lançamento da revista, sabem que esta será o último número dinamizado por eles. Alguns dos elementos vão sair do país em Erasmus, outros vão deixar a faculdade pelo final do curso. Mas os que vierem, asseguram, vão manter vivo o objectivo inicial da revista: “pôr as pessoas a pensar sobre a arquitectura”.

Pensar e escrever, já que as portas estão sempre abertas a colaborações. Porque, dizem, é fácil gostar de arquitectura: basta atenção e alguma paciência.