17 Jul 2012, 10:48

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

Cozinha criativa para partilhar e degustar com calma

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O Patuá, na baixa do Porto, serve pratos únicos, com influências que vão desde a cozinha tradicional portuguesa à gastronomia asiática, e cocktails variados. Tem música ao vivo e também funciona como galeria de arte.

Restaurante Patuá

O Patuá, que abriu há dias na baixa do Porto, é um restaurante de cozinha de autor – criativa, equilibrada e com influências que vão desde a cozinha tradicional portuguesa à gastronomia asiática –, com serviço de bar e uma identidade intrinsecamente ligada à cultura.

É um projecto a várias mãos e começou a ganhar forma em Setembro, quando os promotores encontraram o espaço do antigo café Brasão, 3 pisos na Rua da Conceição, ao lado da loja Ovelha Negra.

“Andámos 4 meses à procura de um espaço consensual. O Patuá – de “Patois”; em francês não soava bem – é um sítio onde se pode conversar, estar, demorar e partilhar os pratos”, explica à Praça Ana Araújo, gestora de marketing, 43 anos e uma das caras deste Patuá.

As outras são os irmãos  João e Inês Sobreira, formado em Gestão de Hotelaria e designer, 30 e 37 anos, respectivamente, e o chefe de cozinha João Freire Pimentel, de 25. Eugénio Araújo e João Maria Sobreira, o pai de Ana e o de João e Inês, respectivamente, investiram no Patuá e acompanham o negócio à distância.

Partilhar os pratos

Natural do Porto mas com sangue transmontano, João, o chefe com “um currículo engraçado para a idade”, explica à Praça que a sua ideia no Patuá foi “pegar em coisas que habitualmente existem nos restaurantes comuns, mas que perderam a graça, e recriá-las, dando-lhes qualidade”.

É o caso do Strog On Off, em que o chefe separou o molho da galinha – a intenção é que as pessoas molhem o frango no molho–, da bolonhesa à Zé Pequeno ou do empadão no frasco.

Terrine salmão, mexilhão em trio de escabeche, bacalhau à sapateiro, açorda de cação à alentejana, caril vermelho de gambas, pato à PT – foi Pedro Trindade, um dos sócios do Book, quem passou a receita a João –, atum ao cubo e micado de legumes e rolha à parmegiana são outros pratos principais. A ideia é pedir vários e partilhar com quem for jantar.

[caixa]GALERIA E PALCO É impossível não reparar nos quadros que decoram as paredes brancas do Patuá. No rés-do-chão, estão expostos trabalhos de Ana Aragão, enquanto na mezzanine pedem atenção as pinturas de João Maria Sobreira. “Não vendemos arte mas queremos expor e, nesse sentido, queremos que o Patuá funcione como galeria de artes plásticas”, diz João Sobreira, acrescentando que a ideia é que as exposições sejam temporárias. O restaurante não cobra nada aos artistas e está aberto a todo o tipo de propostas de programação cultural. Para já, à quinta-feira, a partir das 20h, há jazz e bossa nova ao vivo no bar, com Márcia Barros. Mostras de fotografia e sessões de poesia são outras ideias que os donos do Patuá têm na manga.[/caixa]

Os preços destes pratos variam entre 4,8 e 18,2 euros, mas há 2 menus a pensar na partilha: o menu Brasão inclui 4 pratos por 32 euros e o menu Patuá inclui 5 por 38. Pode pedir à parte arroz thai, batata frita à inglesa ou legumes salteados.

Nos doces, o chefe também deu a volta a alguns sabores clássicos, com destaque para o Doce da terra, que junta Oreo e Peta Zetas, o Ovo estrelado, um flan de baunilha com gema de manga e rabano surpresa – a Praça sabe do que se trata mas não quer estragar-lhe o momento –, ou a sobremesa Simão e Teresa, que casa queijo da Serra com figo de Melgaço.

Ao almoço, há menu por 8 euros, com sopa, prato, bebida e café incluídos. O serviço tem necessariamente de ser mais rápido, mas os pratos chegam à mesa com o mesmo bom ar com que nos surpreenderam ao jantar. João Pimentel, que passou pelos restaurantes Guernica, Sessenta Setenta e Book, “não sabe fazer de outra forma”, confidencia Ana Araújo.

Até ao meio-dia, o Patuá, que abre de segunda a sábado, das 10h às 2h,  serve brunch. Os cocktails, que no futuro serão uma aposta mais séria, são outro destaque do Patuá, que serve por exemplo cosmopolitangin fizzmargarita, mojito e caipirinha.

Na decoração, impera o branco e a madeira – o corrimão das escadas é o único elemento sobrevivente do antigo café – e salta à vista a transparência que deixa ver o chefe e a sua equipa a trabalharem na cozinha. Vendo a forma como se organizam, percebemos o segredo do serviço de qualidade – perfeito na apresentação, surpreendente no paladar e rápido no caminho entre a cozinha e a mesa.

 

  1. José Nogueira says:

    O Porto está cada vez mais vivo, cosmopolita, jovem, dinámico, criativo e… atrevido! Recomenda-se.

  2. Isabel Gil Marinho says:

    O Patuá é sem dúvida um dos mais interessantes locais para jantar. Situado no centro da noite portuense e rodeado por gente gira é um novo espaço, clean e com uma equipa jovem e motivada. Se o serviço é bom, a comida é excelente! É daqueles sítios onde também as sobremesas não deixam a desejar… O estacionamento é fácil.
    Adorei! O chefe está de parabéns!