14 Ago 2013, 14:35

Texto de Ana Isabel Pereira

Corpo

“Chicas” de nível mundial elegem Porto para “tour” de skate

Vêm de Espanha, da Argentina e da Rússia, estão no Porto desde domingo e não passam despercebidas. São raparigas, andam bem de skate e estão a filmar e a fotografar manobras nos melhores ‘spots’ da cidade.

Team de skaters da Asiplanchaba

A equipa da Asiplanchaba, esta terça-feira, na Praça da Batalha. Fotos: Ana Isabel Pereira

São 4 skaters, uma realizadora e um fotógrafo. Estão no Porto desde domingo e chamam à atenção… por serem raparigas e andarem bem de skate, exibindo manobras que não se vêem por cá, pelo menos não no feminino.

As espanholas Andrea Wilshusen e Andrea Benitez, a russa Kate Shengeliya e a argentina Eugenia Ginepro têm entre 19 e 24 anos e viajaram até à Invicta com a Asiplanchaba, projecto de Veronica Trillo.

“É a primeira vez” que estão em Portugal, disse, esta terça-feira, à Praça Trillo, a manager da equipa e fundadora do site homónimo. E do Porto levam imagens – literalmente, já que estão a filmar um pequeno filme da digressão – de “uma cidade muito bonita”, “com história”, “cultura” e “muitos spots para andar de skate”.

Veronica, que anda de skate “desde os 17 anos” e tem hoje 35, criou, “há 4 anos”, com a sócia Maria Bernal, o projecto Asiplanchaba – o nome vem de “passar a ferro”, em espanhol, e é o nome de “uma canção muito antiga” e “machista” que reduz o papel das mulheres à lida da casa.

“É um site de surf, skate e snow [snowboard] que pretende fomentar a cena feminina dentro de desportos que sempre foram mais masculinos”, explicou Veronica, no intervalo das filmagens na Praça da Batalha.

Quando Veronica, que é consultora de recursos humanos em Barcelona, tinha a idade das atletas que nos últimos dias andaram pelo Porto a conhecer uma cidade nova e a ‘skatar’ em saudáveis despiques com os skaters locais, “não havia nada para ‘chicas'”.

Muita coisa mudou desde então, mas o skate feminino ainda tem muito por conquistar. O grupo resolveu visitar o Porto depois de ter participado, no último fim-de-semana, na prova feminina do campeonato internacional O Marisquinho, integrado no evento gastronómico homónimo de Vigo. Na competição espanhola arrecadaram 2 lugares no pódio. No Porto, estão a relaxar e a mostrar manobras de nível mundial.

A Asiplanchaba, que faz uma digressão anual desde 2009, tem tido o apoio de marcas ligadas à modalidade. Este ano, o patrocínio que trouxe a equipa ao Porto é da Vans. “E, durante o ano, vendemos uma série de tábuas da Asiplanchaba e ganhamos dinheiro com publicidade que as marcas fazem no nosso site. É esse dinheiro que nos permite fazer os tours“, explica Veronica Trillo.

“Viemos até ao Porto para filmar e promover o skate feminino aqui, para que as pessoas vejam que há miúdas que também ‘skatam'”, refere Andrea  Wilshusen, de 22 anos e natural de Barcelona, a meca do skate.

Anda de skate desde os 15 e desde 2009 que participa nas digressões da Asiplanchaba. Elege a Casa da Música quando lhe perguntamos de que spots gostou mais no Porto. “A Casa da Música tem um bom solo, muito flat, e as pessoas são muito sociáveis, sobretudo connosco porque nunca vêem miúdas a ‘skatar’. Querem todos competir connosco, ficam interessados porque vêem [o skate feminino] como algo excepcional”, explica a jovem skater.

Kate Shengeliya, de 22 anos, vem de Moscovo, onde também não há muitas raparigas a andar de skate. O Porto, diz, “é uma cidade antiga” que lhe faz lembrar “uma cidade ucraniana, Odessa”, tem “rapazes atraentes” e “skaters muito bons”.

Esta quarta-feira, despedem-se da cidade, que conheceram em ‘visitas’ guiadas por um grupo de skaters locais.

 

  1. anónimo says:

    “São 4 skaters, uma realizadora e um fotógrafo. Estão no Porto desde domingo e chamam à atenção… por serem raparigas e andarem bem de skate, exibindo manobras que não se vêem por cá, pelo menos não no feminino.” nÃO CONCORDO COM ESTA AFIRMAÇÃO Á POUCAS SKATERS PORTUGUESAS, MAS TAO BOAS QUANTO ESSAS RAPARIGAS QUE VIERAM, SOMOS RARAS MAS EXISTIMOS. TALVEZ NÃO NO PORTO MAS EM LISBOA E ALGARVE SIM.Rebaixar o skate feminino português não é boa coisa que se faça muito menos publicamente.