1 Fev 2013, 17:32

Texto de Ana Isabel Pereira

Coisas

Chega ao fim uma Por Vocação com 15 anos

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A equipa da Por Vocação vai dedicar-se a projectos que já vinha desenvolvendo em paralelo com a loja de vestuário de homem, nomeadamente de marketing digital e consultoria de marca. E, até Abril, há descontos até 70%.

Por Vocação

Temos boas e más notícias. A má é que a Por Vocação, essa instituição da moda masculina, vai fechar as suas lojas física e online ao fim de 15 anos a marcar a diferença e lançar as últimas tendências em moda urbana. A boa notícia – para os fãs-clientes – é que, desde esta quinta-feira e até Março/Abril, a loja, no número 971 da Avenida da Boavista, tem descontos que vão dos 50% aos 70%.

Para o responsável da Por Vocação, a boa notícia é que o fim da aposta no retalho é o início de uma nova aventura empresarial. Pedro Caride explica à Praça que a equipa que lidera vai agora abraçar a sério projectos que vinha desenvolvendo em paralelo com as lojas: marketing digital, produção de vídeos promocionais, consultadoria de marca, fotografia de produto, vitrinismo.

A Por Vocação abriu em Outubro de 1997, pelas mãos de Pedro Caride, marketeer hoje com 38 anos, e vendia – ainda vende – marcas do segmento premium como Comme des Garçons, Martin Margiela, Neil Barrett ou Raf Simons. Insígnias “exclusivas no Porto”, a maioria até no país.

A “data [de encerramento] não está definida”, mas o stock-off deverá prolongar-se até Abril. Neste caso, não se trata apenas de escoar o que já havia em loja, uma vez que algumas marcas fazem questão de, apesar do fecho anunciado, colocar as suas colecções de Primavera/Verão na Por Vocação.

“Os preços são altamente apetecíveis. Ontem [quinta-feira] foi um bom dia de vendas, sobretudo online“.

Em 2012, o negócio até foi lucrativo, mas, explica Pedro Caride, o investimento que seria preciso fazer em 2013 “era demasiado grande”. “O último ano até foi bom, mas este ano íamos ter de fazer um investimento muito grande na loja física. A nossa decoração já tem 10 anos”, explica Caride, acrescentando que o mesmo seria válido para loja online, desenvolvida há cerca de 3 anos.

Ano novo, vida nova

Mudar de vida – neste caso, de negócio – era algo que já fervilhava nas cabeças de Pedro Caride e dos elementos que com ele constituem o núcleo duro da Por Vocação, a fotógrafa Rita Lima e Telmo Moreira, responsável pelo marketing digital e pelos conteúdos.

“Isto já vem sendo pensado há cerca de um ano. A loja online trouxe outras coisas. Fomos crescendo no marketing digital e começamos a pensar que estava na hora de seguir noutras direcções, menos arriscadas, mais motivadoras e criativas”, explica à Praça Pedro Caride.

“Ainda tentámos conciliar tudo durante ano, ano e meio, mas 90 e tal por cento do nosso tempo era dedicado à loja online e à loja física”, continua.

A Por Vocação deixará de ser retalho e passará a ser serviços. Quais? Vídeos promocionais – “Vamos lançar um para a semana que foi feito para um arquitecto italiano que está a morar em Los Angeles, na Califórnia, a quem quem também montamos marketing“, partilha Pedro Caride –, consultadoria de marca, fotografia de produto – no portefólio já têm clientes como a Supply, “uma agência de comunicação e design gráfico que tem uma marca própria de material de escritório” e o designer Hugo Passos, cuja loja online ajudaram a montar – e vitrinismo.

“Fomos abordados e continuamos a ser, com frequência, por marcas e pela indústria têxtil para fazer consultadoria”, conta Caride. O primeiro trabalho do género que fizeram foi para a portuguesa Vicri e, mais recentemente, foram consultores “na óptica do utilizador para o showroom online da Pitti Uomo, a maior feira de roupa de homem do segmento premium“.

“As empresas que nos contactam querem exportar, não sabem como trabalhar um conceito de marca ou querem preparar a ida a feiras internacionais e montar showrooms“, explica o marketeer.

O ‘bichinho’ do marketing, algo que “traz muita notoriedade”,  “começou com a dinâmica da loja online, há cerca de  3 anos”, mas antes disso a Por Vocação já tinha feito consultadoria.

“Também éramos abordados para fazer montras, o que nunca chegámos a fazer. Agora, é algo que está em cima da mesa, sim”.