23 Abr 2013, 13:22

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

Cena musical do Porto em destaque no italiano Il Manifesto

, ,

O nervo musical e cultural do Porto, a baixa da cidade, a Casa da Música, Serralves e os eventos culturais que aí vêm, entre Maio e Setembro, são o foco de um artigo que saiu no jornal italiano Il Manifesto.

A cena musical do Porto no Il Manifesto

A “Baixa”, retratada como “a caixa de som do Porto” e como tendo uma interessante “vida nocturna” na Rua Galeria de Paris e artérias envolventes, a Casa da Música, Serralves e o trabalho de recuperação e restauro de edifícios no centro histórico da cidade, para onde poderá crescer a nova dinâmica da zona dos Clérigos e Aliados, são o foco de um artigo que saiu, no sábado, no Alias, o suplemento de cultura do jornal italiano Il Manifesto.

O objectivo do jornalista Luciano Del Sette, que esteve no Porto há cerca de um mês, era conhecer a cidade que, “entre o final Maio e Setembro” recebe os eventos Optimus Primavera Sound, Serralves em Festa, Noites Ritual Rock e a  D’Bandada.

“A Baixa, talvez sem se dar conta disso, está a tornar-se um local de agregação, comparação, aviso, projecto colectivo, capaz de desafiar, e ultrapassar, o Bairro Alto, em Lisboa”, escreve o jornalista no Alias do último fim-de-semana.

A reportagem, que não ignora a “profunda crise” que Portugal atravessa, as montras das lojas com “descontos e ofertas”, o encerramento de negócios e as “manifestações de trabalhadores e funcionários públicos”, refere que, “em Portugal, como em Itália, e no Porto, como em Roma, a esperança recai sobretudo sobre os jovens”.

A cena musical da cidade, com epicentro na baixa do Porto, tem direito a várias linhas num artigo de 2 páginas, com direito a fotografias e dicas de alojamento. Del Sette faz referência aos “estúdios de gravação e locais onde existem concertos”, à oferta de eventos “de todas as dimensões e de todo o tipo” e à atenção que estes espectáculos têm na imprensa local.

O jornalista italiano, que falou com músicos portuenses como Capicua e Slimmy, destaca a “programação de espaços como o Maus Hábitos ou o Plano B” e dedica alguns caracteres à histórica loja de música Jo-Jo’s Music e às salas de ensaio que tomaram conta do Centro Comercial STOP, na zona ocidental do Porto.

Música independente made in Portugal

“Encontrámo-nos no Parque da Cidade, no café do Núcleo Rural de Aldoar, e falámos sobre a cidade, a música portuguesa independente, sobre hip hop, sobre a minha vida musical e sobre o meu trabalho”, conta à Praça Ana Fernandes, conhecida artisticamente como Capicua.

Luciano Del Sette “estava interessado em saber sobre a cena da música independente em Portugal, sobre a sua vitalidade, dificuldades, oportunidades, principais salas no Porto, festivais, artistas, etc”, partilha Capicua.

Segundo a portuense  que deu os primeiros passos na freguesia de Cedofeita, o jornalista do Alias pretendia “perceber o contexto onde vai ocorrer o festival Optimus Primavera Sound” e “o que é que o Porto oferece para além” do evento que terá lugar no Parque da Cidade. “Musical e culturalmente falando”, sublinha Capicua.

“Chegou até mim de uma forma curiosa… Foi através do motorista que o acompanhava, Ricardo Caetano, que para além de fazer de seu guia pela cidade, foi sugerindo bandas e artistas, com os quais acabou por fazer a ‘ponte’ pela facilidade de falar em português connosco e servir de intérprete”, conta à Praça.

Del Sette “ficou muito interessado na D’Bandada da Optimus e no seu impacto na cidade” e quis falar com Capicua, que passou pelo evento em 2012.

Slimmy conheceu o jornalista italiano “por intermédio de um amigo que trabalha na área do turismo” no Porto e falou com o italiano “há cerca de 2 meses”, conta o músico à Praça.

“O assunto geral era sobre o Primavera Sound e os festivais em Portugal, mas como é óbvio e tendo em conta que tinha acabado de lançar o meu disco novo, falamos um bocadinho sobre este disco e a minha carreira, assim como dos músicos portuenses em geral”.

“Falei-lhe na natural aptidão do Porto para criar grandes bandas e realcei a efusiva criatividade dos músicos portuenses e a forma como a cidade tem vindo a crescer para o mundo nos últimos anos, com grande movida, com grande afluência de turistas e com um maior leque de oferta a todos os níveis, não só para os portuenses mas como para todos que visitam anualmente a cidade, que são milhões de pessoas”, recorda à Praça Slimmy.

  1. José Nogueira says:

    A Itália é o país homenageado pela Casa da Música este ano. É justo que um jornal italiano se interesse pela cena musical do Porto. A Invicta tem merecido todo este interesse dos grandes media internacionais nos últimos anos. Se juntarmos a isso todo o potencial da Internet, não devemos ficar surpreendidos com o crescimento exponencial do turismo e dos estudantes estrangeiros. De tal forma que o desprezo e indiferença dos pasquins e televisões lisboetas relativamente à cultura fora da capital (com excepção do Alentejo e Algarve) deixou de ter qualquer relevância na divulgação, impacto e sucesso dos eventos culturais, não só no Porto, mas também noutras cidades a norte do Tejo. Só eles é que ainda não o perceberam. E tão cosmopolitas que são!

  2. José Nogueira says:

    Pois, até pode ser verdade, mas, por um lado, prefiro uma notícia positiva sobre a minha cidade num jornal com pouca expressão em Itália, ou, já agora, em qualquer outro meio de comunicação de qualquer outro país do mundo, do que nenhuma e, por outro lado, condeno veementemente os nossos grandes media nacionais, 90% dos quais sediados em Lisboa, que ninguém conhece além fronteiras, porque descriminam positivamente tudo o que se passa a sul do Tejo e negativamente tudo o que se passa a norte.

    • Isabel says:

      Eu acho que o Porto e as suas gentes deviam deixar-se de queixumes sobre os que os lisboetas dizem ou não de nós. Por mim é-me totalmente indiferente o que dizem ou deixam de dizer. Acho que os portuenses se deviam concentrar e muito, em fazer com que a cidade seja conhecida e apreciada fora de Portugal.

  3. Desempenhou um papel fundamental na defesa dos ideais do liberalismo nas batalhas do século XIX . Aliás, a coragem com que suportou o cerco das tropas miguelistas durante a guerra civil de 1832-34 e os feitos valerosos cometidos pelos seus habitantes — o famoso Cerco do Porto — valeram-lhe mesmo a atribuição, pela rainha D. Maria II, do título — único entre as demais cidades de Portugal — de Invicta Cidade do Porto (ainda hoje presente no listel das suas armas), donde o epíteto com que é frequentemente mencionada por antonomásia – a «Invicta». Alberga numa das suas muitas igrejas – a da Lapa – o coração de D. Pedro IV de Portugal , que o ofereceu à população da cidade em homenagem ao contributo dado pelos seus habitantes à causa liberal.

  4. José Nogueira says:

    Concordo inteiramente com a Isabel. Com as ferramentas de comunicação electrónica existentes hoje em dia ao dispor de toda a gente, a divulgação nacional e/ou internacional de qualquer acto ou evento cultural dispensa completamente os meios tradicionais, ou seja, a Imprensa (jornais, revistas), a rádio e a Televisão ditos nacionais que, a exemplo do que acontece na esmagadoria maioria dos países europeus (excepções conhecidas Alemanha, Itália, Bélgica, Suiça e Espanha, por razões históricas conhecidas), estão quase todos concentrados nas capitais. O meu comentário e crítica aos media lisboetas prende-se simplesmente com o facto de eles se auto-intitularem nacionais quando, na realidade, não o são. Que eu saiba Portugal vai de Valença e Vila Real de Santo António e inclui a Madeira e os Açores.

  5. A empresa Carris lançou as linhas circulares e transversais da cidade. Foi a primeira empresa do Brasil a utilizar veículos que facilitavam o acesso às pessoas portadoras de deficiência (PPDs), inicialmente com elevadores hidráulicos .