26 Jan 2012, 17:25

Texto de Redação, com Lusa

Praça

Artista que “pintou” Casa de Serralves “espantado” com reacções

Uma imagem da Casa de Serralves (supostamente) vandalizada gerou reacções inflamadas nas redes sociais. O artista responsável está ”espantado” com reacções.

Walls to the People

Foto: DR

Nas redes sociais, há quem condene os “vândalos”, autores das “pichagens” num imóvel de interesse público. A culpa é de uma imagem que mostra a Casa de Serralves aparentemente vandalizada: na verdade, as inscrições pintadas no edifício só serão visíveis com um smartphone ou tablet, graças à tecnologia de realidade aumentada.

O trabalho de João Paulo Feliciano — apresentado esta quinta-feira em Serralves —, que, graças à realidade aumentada, coloca várias pinturas nas paredes da Casa de Serralves, provocou uma série de manifestações indignadas nas redes sociais.

A ilusão era para ser presencial: aponta-se o telefone ou o tablet para a casa que o Conde de Vizela mandou construir, que hoje é a sede da Fundação de Serralves, e sobre as paredes cor-de-rosa começam a aparecer dizeres como “vende-se” com o respectivo número de telefone, “kalinka” ou uns coloridos “cash” e “muda de vida”.

A imagem da simulação da exposição, enviada à comunicação social, passou para as redes sociais e foi num instante até crescerem os comentários críticos (também no Facebook da Rede Porto24).

A inauguração da obra “Walls to the People” está marcada para sábado, às 15h.

Artista “espantado”

“A imagem acabou por ser muito mais realista do que a experiência de estar com o tablet lá fora a apontar para a casa, porque nessa altura as pessoas já sabem a história toda”, explica o artista João Paulo Feliciano, que se mostrou “absolutamente espantado pela quantidade de comentários” nas redes sociais.

“As pessoas não se dão sequer ao trabalho de ver aquilo para que estão a olhar”, afirma Feliciano, para quem a discussão acabou por se tornar “num bónus” em relação ao projecto.

O projecto foi possível graças a uma parceria entre Serralves e uma empresa fabricante de telefones e de material informático, que disponibilizou a tecnologia para que Feliciano pudesse trabalhar.

“Aquilo que eu sobrepus na Casa de Serralves graças à realidade aumentada é conscientemente horrível, feio, estúpido, parvo, absurdo, idiota“, afirma João Paulo Feliciano que, dessa forma, se tentou adaptar a um recurso tecnológico que, em termos de imagem, não “é muito preciso”.

Uma peça sobre a comunicação

“Esta não é uma peça sobre grafitti art, é mais uma peça sobre a capacidade quase espontânea que as pessoas têm de comunicar usando o espaço público, seja de uma forma requintada e artisticamente consciente, como há imensos exemplos de graffiti art, seja de uma forma quase naïf e quase inepta dos cartazes do ‘há chouriço’ e ‘vende-se pão'”, afirma Feliciano.

O artista, conhecido também pelas suas incursões no mundo da música (está actualmente no Real Combo Lisbonense), afirmou que não se sentiu particularmente “entusiasmado com a ideia, por si, de utilizar tecnologia”.

“Para mim é tão natural usar um lápis e um papel como usar uma tecnologia mais sofisticada, desde que eu a consiga dominar ou tenha comigo alguém que o faça”, garante.

  1. FN says:

    Que vergonha!!! Agora que o verniz estalou ou Feliciano vem dizer que afinal a obra é propositadamente e “conscientemente horrível, feio, estúpido, parvo, absurdo, idiota” todos estes adjectivos foram os utilizados pelos comentário públicos à sua proposta. Para mim só prova uma coisa como o FELICIANO NÃO FOI CAPAZ DE FAZER UMA COISA BOA, fez uma coisa muito fraca. Porque é que o Feliciano não apresentou de início todos estes defeitos ou feitios do seu trabalho. Este projecto também revela a total falta de domínio das tecnologias mais sofisticadas. E ainda tem a lata de dizer que a peça não é sobre ‘Grafiyti Art’. Trafulha!!! a peça é tão sobre Grafitti Art como o é sobre a Casa de Serralves. Grave!! promoção de uma marca via Serralves. Uma vergonha. O Feliciano foi ‘obrigado’ a usar hardware da samsung mas como sabe muito pouco, o que foi capaz de fazer foi nas suas próprias palavras “conscientemente horrível, feio, estúpido, parvo, absurdo, idiota”. Mais vejam o video de explicação da coisa no site de serralves!!