20 Out 2012, 16:03

Texto de Maria Martinho

Comes & Bebes

Mais do que uma tasca, um encontro de gerações

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Entre a Praça dos Poveiros e o Jardim de S. Lázaro, no Porto, é pouco provável cruzar-se com alguém que não conheça a Casa Guedes.

Casa Guedes

Foto: Miguel Oliveira

Entre a Praça dos Poveiros e o Jardim de S. Lázaro, no Porto, é pouco provável cruzar-se com alguém que não conheça a Casa Guedes.

Herdou o nome da família que se apoderou da antiga mercearia que aqui existia. Transformou-a em snack-bar, mas em 1987 trespassou-a aos irmãos Correia, que, com as suas esposas, Maria Albertina e Maria Augusta, gerem o negócio até hoje.

Apostam na cozinha tradicional portuguesa. “A comida que fazemos em casa”, diz César Correia.

As especialidades são as sandes de pernil (um clássico) ou porco preto em pão de mistura, o salpicão de Baião, o presunto espanhol curado em Bragança, os bolinhos de bacalhau feitos na hora, o queijo da Serra amanteigado de Celorico da Beira e o queijo de Idanha-a-Nova. Tudo isto acompanhado com vinhos de casta seleccionada, que César se orgulha em mostrar.

Obrigado à “malta nova”

Casa Guedes

Foto: Miguel Oliveira

Se antigamente eram os alunos e professores da Universidade Portucalense, então localizada nos arredores, que almoçavam por lá (“o professor Joaquim Moreira da Silva e Cunha, que chegou a ser ministro da Defesa no tempo de Salazar e de Marcelo Caetano, vinha todas as quartas, quintas e sextas, por exemplo”), mais tarde seriam os reformados a passarem as tardes na Casa Guedes.

César não gostava do ambiente. “Bebiam um copo a mais e armavam logo confusão. Então, comecei a subir os preços para procurarem outro sítio”, conta. E assim foi.

Em 2001, era o Porto Capital Europeia da Cultura, quando a Casa Guedes começou a vender os seus petiscos nas noites dos Maus Hábitos, numa parceria “muito bem-sucedida”. O irmão Correia ainda recorda os flyers de publicidade que “de um lado tinham a programação do bar e do outro” a ementa da Guedes.

A partir daí, a “malta nova”, como gostam carinhosamente de apelidar, começou a frequentar assiduamente o estabelecimento, criando um “ambiente maravilhoso” — um dos sinais positivos visíveis na zona nos últimos tempos.

Foi essa “malta nova” que incentivou a construção da esplanada, no Verão de 2011. “Foi esta geração das Belas Artes, do teatro, da música e da fotografia que levou o nome da minha casa boca a boca por esse mundo fora”, agradece César Correia.

Hoje, na Casa Guedes podemos encontrar “desde o menino ao velhinho com 90 anos”, provando que esta tasca não parou no tempo. Está aberta das 10h às 22h e encerra sempre ao domingo, por ser “dia santo”.

  1. Jose Manuel says:

    Tem que se esforçar um pouco mais…estive lá este FDS e achei o atendimento péssimo! Parece-me que a publicidade afectou as pessoas que lá trabalham, estando claramente numa atitude de: “Queres, queres… não queres, não falta quem queira…!
    Mesas por levantar, o chão uma “nojeira” pedi a uma sandes de pernil, não me perguntaram se queria com o queijo da serra, (Parti do principio que era a famosa sandes de pernil+queijo), e a cerveja estava quente! Fiz o pedido, deram uma papel tipo senha com o numero do pedido, uma grande trapalhada!
    Não obrigado, há tascas bem melhores no porto e arredores…Só fama