30 Jun 2011, 22:27

Texto de Pedro Rios

Praça

Depois da tragédia, a Casa do Conto já pode nascer

Em 2009, a poucos dias da inauguração, um incêndio destruiu a Casa do Conto, primeiro projecto de turismo de habitação do Porto. Os donos não desistiram e o projecto renasceu.

Chamaram-lhe Casa do Conto ao projecto, mas Alexandra e Nuno Grande estavam longe de imaginar a tragédia – literal – que havia de se abater sobre o projecto. A 6 de Março de 2009, a 10 dias da data marcada para a abertura do “primeiro projecto de turismo de habitação do Porto”, o edifício na Rua da Boavista, no Porto, foi engolido pelas chamas.

Do fogo sobrou pouco, muito pouco – o prédio do século XIX era quase todo de madeira e, como ninguém vivia nas redondezas, as chamas tiveram caminho livre durante demasiado tempo. Para trás ficaram 9 meses de obras e o sonho do casal, que comprou o prédio com outro casal, para “oferecer a quem viesse de fora uma estadia numa casa típica do Porto”, conta Alexandra.

Alexandra percebeu logo naquela noite que tinha que continuar a Casa do Conto. “Por não querer acreditar. Foi às 4 da manhã que nos chamaram. Ficámos a ver a derrocada até ao meio-dia e às 15h já estava a pensar num novo projecto”, recorda.

Pensado e feito, já sem o outro casal, Alexandra e Nuno Grande refizeram o projecto e um ano e meio depois recomeçava a obra, que é, na prática, um prédio inteiramente novo. Valeu a pena a epopeia: este fim-de-semana a Casa do Conto Arts & Residence começa a receber hóspedes.

Já ganhou um prémio

Onde antes havia madeira, há agora betão sem pintura, com alguns pormenores que remetem para a vida anterior do espaço. No tecto de cada quarto, desenhados pelo gabinete R2 Design, há textos de amigos do projecto (alguns lidam com a tragédia passada, mas com “esperança” no futuro, interpreta Alexandra). Os tectos venceram o Golden Award do European Design Awards, na categoria “Signs & Displays“.

Em 5 andares, a Casa do Conto oferece 6 suites, 3 delas com kitchenette (custam entre 105 e os 150 euros por noite), uma sala de estar e de pequenos-almoços (não há, para já, outras refeições). Para fazer jus ao conceito “arts & residence”, a Casa do Conto vai acolher actividades culturais – a primeira é uma exposição do fotógrafo Luís Palma.

No pôr e repor de pé a Casa do Conto, Alexandra e Nuno Grande estimam ter investido 900 mil euros. Mas não se arrependem: “Se calhar, este projecto não seria tão forte se não tivesse havido o incêndio”.