Image de Cabo Verde, uma «morabeza» de um povo e de suas terras (parte II)

Fotos: FT.A

Imagem de Cabo Verde, uma «morabeza» de um povo e de suas terras (parte II)
Imagem de Cabo Verde, uma «morabeza» de um povo e de suas terras (parte II)

18 Abr 2017, 10:42

Texto de André Rubim Rangel

Praça

Cabo Verde, uma «morabeza» de um povo e de suas terras (parte II)

“Nabucodonosor!
Nabucodonosor!
 
Onde estão a tua espada
e a tua raiva
nas brumas suculentas de Santiago?
 
Os templos caíram em ruínas
desde quando a eternidade
ruía defronte dos galeões
e desfazia-se nos basaltos das ribeiras
 
As cidades de tão velhas
metamorfosearam-se em aldeias
e cobriam as faces da amnésia
 
Os campos continuam perscrutantes
e oferecem olhares melancólicos às urbes
do nosso querer
 
Os homens esses encontram-se presos
em plena cidade
pelas âncoras do vento
 
Nabucodonosor!
Nabucodonosor!”

(«Mitologia Crioula», do poeta cabo-verdiano José Luiz Hopffer Almada).

UM AMBIENTE TROPICAL E AFÁVEL NO PESTANA TRÓPICO HOTEL
Para qualquer lado que uma pessoa vá (seja turista ou não), a primeira ou uma das primeiras preocupações e prioridades – além da viagem em si / deslocação – é tratar da estadia, onde ficar. E quem não gosta de ficar bem alojado, com todo o requinte e todas as comodidades e mais-valias que isso constitui? Assim sendo, a escolha do hotel é sempre importante e fundamental. E, neste caso de Cabo Verde / ilha de Santiago, não há quaisquer dúvidas de qual é a melhor opção! Apesar da oferta ser muito variada, tanto em preço como em qualidade, é a cidade da Praia que oferece uma gama mais diversificada de hotéis, pousadas e pensões. Logo, é aqui, na capital, que se encontra o melhor hotel da ilha e, ao mesmo tempo, uma das melhores cadeias portuguesas espalhadas pelo mundo: o Pestana Trópico, do Grupo hoteleiro ‘Pestana Hotels & Resorts’ (em África, também se encontra implantado na África do Sul, Marrocos, Moçambique e São Tomé e Príncipe, para além das Américas – norte, centro e sul – e da Europa, num total de mais de 80 unidades).

Antes deste mesmo hotel passar a pertencer ao Grupo Pestana, e ser por ele gerido, já existia ali como unidade hoteleira, o Hotel Trópico, construído em 1996 pelo então dono/empresário luso-moçambicano das batatas fritas Pála-Pála, Custódio Ramos, que o criou de raiz em ano e meio. Foi seu proprietário e gerente ao longo de seis anos e em 2002 vendeu-o ao Grupo Pestana, daí a fusão do nome que atualmente se conhece. Desde a sua origem, e cuja vertente permanece, o hotel foi pensado em ser mais vocacionado para os clientes empresariais e pessoas de negócios. Para além de estrangeiros que aqui ficam hospedados (prevalecem os provenientes dos EUA, Espanha e França), é habitualmente frequentado pelos empresários portugueses e cabo-verdianos em deslocação de negócios nesta ilha de Santiago. As categorias/classes mais comuns dos hóspedes são, na média geral, as de administradores, políticos, quadros superiores e profissionais liberais. Conhecemos, pessoalmente, o ‘fundador’ neste seu antigo espaço aquando desta reportagem e, embora sendo um cidadão português, gosta tanto de Cabo Verde e dos seus habitantes que, apontando o espírito da «morabeza», declarou emocionado: “o povo cabo-verdiano é o melhor do mundo”. Custódio Ramos mantém-se nessa ilha como gestor hoteleiro, à frente de um outro projeto que abriu com o seu filho, José Ramos, continuador desse projeto.

No ano seguinte à compra do hotel, pelo Grupo Pestana, chegou à direção do Pestana Trópico aquele que foi o seu diretor e impulsionador ao longo dos últimos 13 anos, o português Jorge Xavier, que cursou na Escola de Hotelaria do Porto e que, depois de ingressar na empresa em 1989, já dirigiu hotéis Pestana no Algarve e em Moçambique. No início deste ano 2017 foi-lhe lançado novo desafio, dentro do Pestana: dirigir a unidade de Vila Franca do Campo, na ilha de S. Miguel (Açores), onde já se encontra. Antes desta mudança, acolheu-nos muitíssimo bem no Pestana Trópico Hotel e ali estivemos à conversa com ele. Esclareceu-nos que missão essencial e política organizacional deste hotel é “estar sempre disponível para o cliente, prestar todo o apoio e seguindo a máxima: «O seu sucesso é o nosso». E, realmente, assim foi e assim vimos ser com os demais clientes. Quanto à questão da escolha do Grupo para a aposta em Cabo Verde incidir nessa ilha e não noutra ilha do arquipélago (quiçá mais turística), a sua resposta foi peremptória: “Sendo hotel ‘business’, foi a melhor escolha, como se previa e conforme a prévia análise dos resultados da empresa pelo Grupo Pestana demonstrou. E os resultados destes 14 anos comprovaram a validade da aquisição”. Embora a desproporção percentual entre o carácter empresarial/negocial do hotel face ao carácter turístico/lazer seja enorme – de 90% para 10% –, Jorge Xavier entende que “esta situação está a alterar em sentido inverso, de forma rápida, devido à crise no outro extremo de África e na Europa”.D) No texto, em 'Um ambiente...Pestana Trópico Hotel'

O Pestana Trópico Hotel é uma moderna unidade de 4****, situando-se num pequeno promontório mesmo sobre o oceano Atlântico e a 200m. da principal praia da cidade. Está localizado numa zona nobre e exclusiva da cidade, até pelo facto de na artéria pela qual se chega ao hotel se sediarem algumas das embaixadas de outras nações (a de França é a mais próxima do hotel), bem como a residência oficial do presidente da Assembleia da República de Cabo Verde. Portanto, falamos de uma rua segura, com vigilância e policiamento (a própria esquadra encontra-se nessa artéria, mesmo antes de se chegar à Prainha). Uma segurança que, por vezes contrasta com os assaltos ocorrentes, sobretudo à noite, “fruto da influência da televisão e das novelas brasileiras”, segundo nos contou um residente local. E a zona onde se situa o hotel está a crescer e terá, num futuro próximo, uma projeção e um impacto ainda maiores, com a construção do Casino de Macau, cujas obras diárias estão a olhos vistos. Todavia, o Pestana Trópico não precisa desse seu novo aliado de entretenimento, que atrairá muita gente, pois ele é indiscutivelmente uma referência na ilha, no país e no estrangeiro.

E a atestar isso mesmo há várias figuras públicas e personalidades que já estiveram ali hospedadas e cujos retratos se podem ver emoldurados numa das paredes, atrás da receção do hotel. São elas (por ordem alfabética): Álvaro Siza Vieira, Aníbal Cavaco Silva, Anselmo Ralph, Catarina Furtado, Cesária Évora, Daniela Mercury, Dom Duarte de Bragança, Durão Barroso, Eusébio, Isabel dos Santos, Joaquim Chissano, Jorge Sampaio, José Ramos Horta, José Sócrates, Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Laginha, Mário Soares, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes, Rosa Mota e Xanana Gusmão, entre outras. Estes e outros clientes, menos mediáticos, destacam normalmente – nos comentários deixados ao hotel – a “fiabilidade do serviço, ausência de surpresas, hotel seguro e acolhedor, onde existe sempre alguém para prestar contas/esclarecimentos”. A par disto, o responsável sublinha como pontos-chave, que fazem o Pestana Trópico distinguir-se de outros hotéis, “a segurança, a estabilidade do serviço, a marca Pestana e os equipamentos que mais nenhum tem”. E exemplifica o caso de, em 2006, terem adquirido uma central de abastecimento de água, única nos hotéis da capital, quando esta viveu o insólito episódio de ter ficado sem água. O hotel quase fechou, mas conseguiram superar com essa visão estratégica que o define, além de outros investimentos em termos de inovação social, sustentabilidade ecológica e defesa do meio ambiente, tais como os painéis solares que possuem (desde 2015) e que produzem 50% da energia do hotel. Além disto, Jorge Xavier acrescenta que “apoiamos muitas organizações beneficiantes, jardins infantis e associações diversas”.

Sinal do sucesso a nível do alargamento e desenvolvimento do hotel são os números em 2008, por exemplo, e os que se constatam atualmente: de 51 quartos (nas tipologias diversas) passou, depois, para 93 quartos e suites, mais cinco salas para eventos, com capacidade entre 20 e 200 pessoas. Este recanto no canto sul de Santiago – e com uma “arquitetura exterior minimalista, parcialmente revestido em pedra vulcânica” –, tem uma média anual de ocupação de 70%. Todos os meses são muito concorridos, à exceção do meio de dezembro a meio de janeiro e do agosto, altura em que os principais clientes do hotel descansam nesses tempos de férias. O hotel conta, ainda, com piscina, ginásio, bar e um belo restaurante, onde – aos pequenos-almoços – podem-se aproveitar os sabores tradicionais e abundantes da terra (ilha e país): a cachupa, as papaias e mangas, os sumos de calabaceira e de bissap e o bolo de cuscuz, entre outros. Efetivamente, passam-se neste hotel, e em toda a ilha, dias maravilhosos!

(Não perca esta quarta-feira a terceira parte desta grande reportagem)