14 Fev 2011, 10:40

Texto de José Reis

Coisas

Bonsai: uma arte milenar nas mãos de quem sabe

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Em casa tem mais de 20 bonsai. A paixão de Paulo Herbert pelas árvores de pequeno porte levaram-no a abrir uma loja no Centro Comercial Bombarda.

Pequenos mas bons. Foto: DR

Este é o fruto de uma história de amor entre um (ex-)investigador na área da química analítica e uma arte com centenas e centenas de anos. O fruto chama-se Arbole Bonsai, uma loja dedicada à técnica bonsai e onde as árvores de pequeno porte são as figuras sempre em destaque.

A loja, aberta há 4 anos no Centro Comercial Bombarda, em plena baixa artística do Porto (galerias de um lado, galerias do outro lado, cores a gritar de uma montra ao fundo), materializa  algo que sempre esteve na cabeça de Paulo Herbert: “a possibilidade de abrir um negócio de e com bonsai”. “Apareceu o convite do Artur Mendanha e da Marina [Costa] para abrir uma loja no centro comercial. Foi uma feliz coincidência”, recorda Herbert, hoje com 42 anos.

A arte de viver os bonsai começou há “alguns anos”. “Sempre tive um gosto especial pelos jardins, sempre me interessou a forma como se vive o jardim. [Este] É o espaço de ligação mais directa à natureza numa grande cidade”, explica Herbert.

O primeiro bonsai

“O meu primeiro bonsai foi aos vinte e tal anos. E tudo porque sempre tive uma curiosidade pela cultura oriental, principalmente do Japão e da China”, revela Herbert.

Recuemos na cultura do bonsai em Portugal para uma verdadeira lição de história. “O bonsai apareceu em Portugal há cerca de 30 anos, de uma maneira incipiente e pouco informada”, lamenta (ainda hoje, muitos são aqueles que, pensando que são um qualquer objecto de porcelana comprado numa loja de esquina, o podem colocar em cima de um qualquer aparador e tratá-lo como um qualquer bibelô).

“Há quem queira protegê-los do frio, apesar de tudo, e os coloque junto a aquecedores. Nada mais errado. É, ainda hoje, uma actividade pouco informada”, diz.

Apenas o essencial

Não há que enganar: dentro do Centro Comercial Bombarda, a Arbole Bonsai é a única loja ao ar livre, sem tecto. E não podia ser de outra forma. “O bonsai é uma árvore como outra qualquer. Precisa de tudo aquilo que uma árvore normal merece: água, luz, ar. São árvores iguais às que estamos habituados a ver em ponto grande”, lança.

“Estas são plantas que devem ser tratadas com muito carinho. O bonsai e a estética japonesa têm o princípio de restringir as coisas ao essencial“, diz Herbert. “Em vez de [o bonsai] ter 100 folhas deve ter apenas dez”.

As árvores que tem na loja são apenas alguns dos exemplos dos muitos tipos de bonsai que existem, desde os mais pequenos, aqueles que cabem dentro de uma simples casca de noz, até bonsais de maiores dimensões.

Preços? Há “para todos os gostos, conforme a idade do bonsai” – quanto mais velho, mais caro. Paulo Herbert tem mais de 20 em casa, que cuida com todo o carinho e dedicação. Mas, afinal, o que pode dar um bonsai? “A beleza de se manter vivo e bonito. E para quem gosta de ver coisas belas não há melhor”, diz. O bonsai está vivo. E recomenda-se.